O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin, estabeleceu um prazo de 24 horas para que a Polícia Federal apresente informações detalhadas sobre o celular do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada na manhã desta sexta‑feira, 11 de maio, durante a sessão do STF em Brasília, e tem como objetivo garantir acesso ao conteúdo do aparelho antes do julgamento marcado para a próxima terça‑feira, 15 de maio.
Contexto da solicitação e pressões internas
Os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes manifestaram publicamente a necessidade de que todo o conteúdo do celular de Vorcaro seja disponibilizado ao colegiado. Eles argumentam que a ausência de acesso ao dispositivo compromete a transparência e a efetividade do julgamento que se aproxima.
Em resposta a essas cobranças, Fachin emitiu um ofício exigindo que a Polícia Federal informe, em até 24 horas, a localização exata do aparelho, seu estado de conservação e as condições de custódia. O ministro ressaltou que a decisão visa evitar atrasos processuais e garantir que todas as partes tenham igualdade de acesso às provas.
Posição da Polícia Federal e do Ministério da Justiça
O ministro André Mendonça, responsável pela pasta, já havia declarado que o celular permanecia lacrado no gabinete da PF, tornando‑se inacessível para qualquer consulta. Segundo ele, o aparelho funciona como uma contraprova, a ser utilizada apenas em caso de perda ou extravio do material original, que já se encontra sob custódia da Polícia Federal.
Na sequência, o ministro Alexandre de Moraes reforçou a necessidade de que o relator do processo não tenha poder exclusivo para decidir quais documentos podem ser analisados pelo colegiado. Ele enfatizou que a decisão de Fachin busca equilibrar a prerrogativa do relator com o direito coletivo dos ministros de acessar informações essenciais.
Implicações para o julgamento de Vorcaro
O julgamento de Daniel Vorcaro está programado para ocorrer na terça‑feira, 15 de maio, e envolve questões delicadas ligadas a supostos crimes financeiros e lavagem de dinheiro. A disponibilidade do conteúdo do celular pode influenciar diretamente o entendimento dos ministros sobre a extensão das supostas irregularidades.
Além disso, a transparência no tratamento das provas digitais tem sido tema recorrente nas discussões do STF, sobretudo após casos de grande repercussão envolvendo tecnologia e privacidade. O posicionamento de Fachin pode servir de precedente para futuros processos que dependam de dispositivos eletrônicos como evidência.
O que se espera da Polícia Federal
Com o prazo estabelecido, a PF deverá apresentar um relatório contendo:
- Localização física do celular e quem tem acesso ao gabinete onde ele está armazenado;
- Condição de conservação do aparelho, incluindo possíveis danos ou alterações;
- Procedimentos de cadeia de custódia adotados desde a apreensão;
- Motivo da manutenção do lacre e justificativas técnicas para a impossibilidade de acesso imediato;
- Possibilidade de liberação temporária do conteúdo, sob supervisão judicial, para análise pelos ministros.
O cumprimento desse pedido será monitorado de perto pelos ministros relator e co‑relatores, que poderão solicitar medidas adicionais caso considerem que a informação fornecida seja insuficiente.
Em síntese, a determinação de Fachin reforça a importância da rapidez e da clareza nas comunicações entre os órgãos judiciais e a Polícia Federal, sobretudo em processos de alta complexidade e interesse público.








