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Datafolha revela que maioria dos eleitores não mudou voto apesar da crise no STF

Em setembro de 2026, o instituto Datafolha divulgou uma pesquisa que analisou o efeito da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a escolha do próximo presidente do Brasil. A sondagem, realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, entrevistou 2.002 brasileiros a partir de 16 anos e mostrou que a maioria dos eleitores manteve a decisão de voto mesmo após os escândalos envolvendo ministros do STF.

Impacto da crise no STF sobre a intenção de voto

Os resultados apontam que 85% dos entrevistados afirmaram que não alteraram a escolha do candidato à presidência ao tomarem conhecimento das mensagens trocadas entre o ex‑dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. Esse dado demonstra que a revelação das conversas não foi suficiente para mudar a preferência política de grande parte da população.

Além disso, 7% dos participantes declararam que, embora não tenham mudado o voto, passaram a ter dúvidas sobre a candidatura que apoiavam. Esse grupo pode representar eleitores indecisos que, embora ainda não tenham alterado o voto, podem ser sensíveis a novas informações.

Os que efetivamente mudaram de candidato foram apenas 4%, enquanto outro 4% não souberam responder à pergunta, indicando que ainda há um pequeno segmento que pode ser influenciado por eventos judiciais.

Quando a pesquisa abordou o pedido de investigação do ministro André Mendonça, feito por Alexandre de Moraes com base em relatórios de inteligência da Polícia Federal, os números foram semelhantes: 86% dos entrevistados mantiveram a escolha presidencial, 7% ficaram em dúvida, 2% alteraram o candidato e 4% não souberam responder.

  • 85% – não mudaram o voto após escândalo Vorcaro‑Moraes
  • 86% – não mudaram o voto após pedido de investigação de Mendonça
  • 7% – ficaram em dúvida em ambas as situações
  • 4% – mudaram de voto ou não souberam responder

Opiniões sobre a atuação do STF na democracia

Além das questões eleitorais, a pesquisa também mediu a percepção da população sobre o papel do STF na proteção da democracia brasileira. Uma maioria expressiva, 71%, concordou que o Supremo Tribunal Federal é essencial para a manutenção do regime democrático.

Por outro lado, 21% discordaram dessa afirmação, indicando um nível de desconfiança ou ceticismo em relação ao poder judiciário. Uma parcela menor, 3%, adotou uma postura neutra, enquanto 5% não souberam responder.

  1. 71% – consideram o STF essencial para a democracia
  2. 21% – discordam dessa avaliação
  3. 3% – neutros
  4. 5% – sem opinião formada

Esses números sugerem que, apesar da crise institucional, a maioria dos brasileiros ainda vê o STF como um guardião das normas constitucionais, embora haja um segmento significativo que questiona sua legitimidade.

Contexto da crise e reações institucionais

A crise no STF ganhou força após a divulgação, em 1º de setembro, de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um contato identificado como Alexandre de Moraes. O documento também trouxe referências a encontros e pedidos de proteção, levantando suspeitas de interferência nas investigações.

As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025, e não incluíam eventuais respostas de Moraes. A Procuradoria‑Geral da República (PGR) requereu a nulidade do relatório, e o plenário do STF ainda deve decidir sobre o futuro do documento.

No dia 3 de setembro, Moraes, amparado em relatórios internos de inteligência da PF, acusou André Mendonça de possíveis irregularidades, citando improbidade administrativa, abuso de autoridade e até crime de responsabilidade. Contudo, os próprios documentos continham ressalvas de que não possuíam valor probatório.

Com base nessas alegações, Moraes solicitou que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news, do qual era relator. Mendonça, por sua vez, alegou ter sido alvo de monitoramento ilegal pela PF e questionou a validade dos documentos usados contra ele. O presidente do STF, Edson Fachin, acabou retirando o pedido do inquérito e retirou a relatoria de Moraes.

O embate se estendeu ao comando da Polícia Federal. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, alegando que a instituição o teria submetido a monitoramento ilegal. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino decidiu pela reintegração de ambos, criando duas decisões paralelas que aumentaram a tensão entre os poderes.

Esses episódios revelam um cenário de confrontos institucionais que, embora intensos, não parecem ter alterado significativamente a preferência dos eleitores para a presidência, conforme apontam os números do Datafolha.

Por fim, a pesquisa foi encomendada pelos jornais Folha de S.Paulo e Globo, contou com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O número de registro no TSE é BR‑01833/2026, garantindo a transparência e a credibilidade dos resultados divulgados.

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