Uma pesquisa realizada pelo Datafolha revelou que 34% da população deseja o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto 28% defendem seu impeachment. O levantamento foi divulgado no sábado, 12 de setembro, e reflete a crescente tensão institucional no Brasil após a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Contexto da pesquisa Datafolha
A pesquisa foi encomendada pelos jornais Folha de S.Paulo e Globo, e contou com 2.002 entrevistas realizadas entre os dias 8 e 10 de setembro, abrangendo brasileiros a partir de 16 anos. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, o que confere robustez ao resultado.
Os entrevistados foram questionados sobre o que deveria acontecer com o ministro após a revelação de mensagens que apontam para possíveis contatos entre Moraes e Vorcaro, cujo nome surgiu em um relatório da Polícia Federal (PF) que investigava o caso do banco Master.
- 34% defendem o afastamento de Moraes para que ele seja investigado;
- 28% acreditam que o ministro deve ser submetido a processo de impeachment pelo Senado;
- 13% sugerem que ele deveria renunciar ao cargo;
- 7% consideram que não há nada de errado nas mensagens;
- 5% afirmam que o vazamento das investigações foi ilegal;
- 13% preferiram não opinar.
Esses números demonstram que mais da metade dos entrevistados deseja alguma forma de responsabilização para o ministro, seja por meio de afastamento, impeachment ou renúncia.
Reações políticas e institucionais
O relatório da PF, tornado público por decisão do ministro André Mendonça, trouxe à tona conversas enviadas por Daniel Vorcaro a um número que os investigadores associaram a Alexandre de Moraes. As mensagens incluem referências a encontros, pedidos de orientação e suposta proteção diante das investigações.
Como parte do processo investigativo, o material foi extraído do celular de Vorcaro, o que significa que as respostas de Moraes não foram incluídas no documento, gerando dúvidas sobre a extensão da comunicação entre as partes.
A Procuradoria‑Geral da República (PGR) pediu a nulidade do relatório, argumentando que sua divulgação poderia violar direitos fundamentais e comprometer a imparcialidade das investigações. O plenário do STF ainda não se pronunciou sobre a solicitação da PGR.
Em paralelo, o ministro Alexandre de Moraes acusou o relator do caso, André Mendonça, de irregularidades, citando improbidade administrativa, abuso de autoridade e possível favorecimento político. Embora os documentos apresentados por Moraes contivessem ressalvas de falta de valor probatório, ele solicitou que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news.
Essa disputa culminou em decisões contraditórias dentro do STF: enquanto Mendonça determinou o afastamento do diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, o ministro Flávio Dino, em seguida, ordenou a reintegração desses oficiais. O presidente do STF, Edson Fachin, acabou suspendendo ambas as medidas, evidenciando a complexidade e a polarização interna do tribunal.
Próximos desdobramentos e cenários
O futuro de Alexandre de Moraes ainda depende de várias instâncias. Caso o plenário do STF decida pela nulidade do relatório da PF, a investigação poderá ser retomada com novos procedimentos, possivelmente alterando o panorama político.
Se o afastamento for aprovado, o ministro será submetido a um processo investigativo que pode culminar em denúncia ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ou ao Ministério Público Federal, dependendo da gravidade dos indícios.
Um eventual impeachment, por sua vez, exigiria a aprovação da Câmara dos Deputados para abertura de processo e, posteriormente, o julgamento pelo Senado, conforme previsto na Constituição. Essa via ainda parece distante, mas o apoio de 28% dos entrevistados indica que há um segmento significativo da população que acompanha essa possibilidade.
Além do aspecto jurídico, a crise institucional tem reflexos diretos nas decisões eleitorais. O Datafolha também questionou se a divulgação das conversas influencia a intenção de voto para presidente, embora os resultados específicos ainda não tenham sido publicados.
Especialistas apontam que a continuidade da crise pode gerar instabilidade nas decisões do STF, afetando julgamentos importantes em áreas como combate à corrupção, direitos humanos e políticas públicas. A percepção de parcialidade pode minar a confiança da sociedade nas instituições democráticas.
Em síntese, a pesquisa Datafolha serve como termômetro da opinião pública diante de um dos maiores escândalos judiciais dos últimos anos. Enquanto o debate se intensifica, o Brasil observa atentamente os próximos passos do STF, da Polícia Federal e dos demais atores políticos, que terão de equilibrar a busca por transparência com a necessidade de preservar a estabilidade institucional.








