Na manhã de 11 de setembro de 2024, Nova York realizou a cerimônia oficial que marca os 25 anos dos ataques terroristas que derrubaram as Torres Gêmeas, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha optado por não comparecer.
O evento aconteceu no chamado “Marco Zero”, local onde antes se erguiam as torres, e contou com a presença de autoridades locais, representantes de ex-presidentes e milhares de familiares das vítimas.
Ausência de Trump e repercussões políticas
A decisão de Trump de permanecer no Pentágono gerou intenso debate nos meios de comunicação e entre os próprios membros de seu partido. Segundo o New York Times, a justificativa oficial seria a restrição a discursos políticos no local da cerimônia, para garantir neutralidade.
O presidente, no entanto, classificou a explicação como “inventada” e acusou críticos de tentarem politicizar a memória das vítimas.
Conservadores como Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York e advogado de Trump, manifestaram descontentamento com a presença do novo prefeito muçulmano, Zohran Mamdani, alegando que sua participação violaria a tradição do memorial.
Presença de ex‑presidentes e lideranças
O vice‑presidente JD Vance chegou a Nova York acompanhado de quatro ex‑presidentes americanos, reforçando o caráter bipartidário do evento.
- Joe Biden (Democrata)
- Barack Obama (Democrata)
- Bill Clinton (Democrata)
- George W. Bush (Republicano)
Todos eles prestaram homenagens solenes, lembrando o número quase 3.000 de mortos e o impacto duradouro do atentado na política externa dos Estados Unidos.
Controvérsias sobre a saúde pública pós‑ataque
Zohran Mamdani aproveitou a ocasião para anunciar a divulgação de milhares de documentos que, segundo ele, mostram que a cidade ocultou informações sobre a toxicidade do ar após o colapso do World Trade Center.
Estudos federais indicam que mais de 9.400 pessoas morreram posteriormente devido a doenças respiratórias e outros problemas de saúde ligados à exposição a poeira tóxica.
“As pessoas ficaram doentes porque os dirigentes em quem confiavam mentiram ao afirmar que poderiam respirar sem perigo um ar tóxico”, declarou Mamdani, citando também Rudy Giuliani e Michael Bloomberg como possíveis responsáveis.
O papel do Memorial e a nova geração
O Museu e Memorial do 11 de Setembro, que recebe cerca de 2,4 milhões de visitantes por ano, está redirecionando seu foco para a educação, já que aproximadamente 100 milhões de americanos não viveram o dia dos ataques.
Voluntários como Logan Miller, de 32 anos, compartilham relatos pessoais para ajudar jovens a compreender a magnitude da tragédia. Miller observa que os jovens são “mais curiosos” e fazem mais perguntas que as gerações mais velhas, que muitas vezes hesitam por medo de ofender.
Holly Kafka, de 61 anos, defende que a experiência presencial no memorial — com seus dois grandes espelhos d’água sobre as fundações das torres — é essencial para que as novas gerações internalizem o legado.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na mesma semana revelou que 60 % dos americanos ainda pensam periodicamente no atentado e que a maioria apoiaria uma resposta militar caso um evento semelhante ocorresse novamente, embora 48 % considerem que as guerras no Oriente Médio desencadeadas após 2001 não valeram a pena.
O memorial, ao adaptar sua missão para incluir programas escolares, visitas guiadas interativas e exposições digitais, busca fechar o “vazio de memória” que se amplia a cada geração que nasce após 2001.
Assim, a cerimônia de 25 anos não serviu apenas para lembrar as vítimas, mas também para refletir sobre lições ainda não aprendidas, sobre transparência governamental e sobre como garantir que a história continue viva nas mentes de quem ainda não a viveu.








