Joyce Moreno lança seu novo álbum “Never Too Soon” no dia 30 de outubro, disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, pela gravadora britânica Far Out Recordings. A obra traz uma mistura de samba‑jazz, homenagens a grandes nomes da música brasileira e arranjos inéditos que reforçam a trajetória da artista. O lançamento acontece após 27 anos de parceria com a mesma gravadora, que começou com o álbum “Hard Bossa” em 1999.
Reinterpretação de um clássico de 1943
Um dos destaques do disco é a versão de “Beija‑me”, samba composto por Roberto Martins e Mário Rossi e originalmente gravado por Cyro Monteiro em 1943. Joyce traz o tema para o universo do samba‑jazz, acrescentando a delicadeza de seu violão e a vibração de um clarinete liderado por Nailor Proveta. A nova roupagem preserva a sincopação original, mas acrescenta uma camada de frescor que dialoga com o público contemporâneo.
A escolha de revisitar um samba tão antigo demonstra o compromisso de Joyce com a preservação da história musical do Brasil. Ao mesmo tempo, a artista demonstra que esses repertórios podem ser reinventados sem perder a essência. O resultado é uma faixa que soa tanto para os amantes do vintage quanto para quem busca novas texturas sonoras.
Homenagens e arranjos inéditos
Além de “Beija‑me”, o álbum inclui “Chovendo na Horta (For my brother Toninho)”, uma composição instrumental dedicada ao guitarrista Toninho Horta. A peça foi criada sem letra, permitindo que a guitarra de Horta e os vocalizes de Joyce criem um diálogo íntimo. O arranjo combina batidas de samba com harmonias de jazz, reforçando a conexão entre duas gerações de músicos brasileiros.
Outro ponto alto é a releitura de “Aldeia de Ogum”, faixa que marcou a carreira de Joyce nos anos 1990 ao ser descoberta por DJs nas pistas europeias. No novo disco, a música recebe um arranjo de metais, novamente sob a direção de Nailor Proveta, que adiciona brilho e profundidade ao tema. Essa versão celebra a energia da música afro‑brasileira enquanto a coloca em um contexto mais contemporâneo.
- “Beija‑me” – samba‑jazz com clarinete
- “Chovendo na Horta (For my brother Toninho)” – homenagem instrumental
- “Aldeia de Ogum” – arranjo de metais
- “Não à toa” – abertura inédita
- “Never Too Soon” – título em inglês
A produção e os músicos por trás do disco
Joyce Moreno assumiu a produção do álbum ao lado do baterista Tutty Moreno, seu irmão, garantindo um som coeso e autêntico. A banda‑base reúne músicos de longa data: Jorge Helder no baixo acústico e elétrico, Lula Galvão nas guitarras, e Marcos Nimrichter nos teclados Fender Rhodes. Cada integrante traz sua assinatura, criando um cenário sonoro rico e equilibrado.
Tutty Moreno, presente em todas as faixas, também adiciona percussão em “Luanda”, um tema instrumental que explora ritmos africanos e brasileiros. A presença do coral formado por Ana Martins, Miguel Martins e Tom Andrade em “Respira Fundo” amplia a dimensão vocal do álbum, proporcionando camadas de harmonia que enriquecem a experiência auditiva.
A abertura “Não à toa” apresenta uma melodia envolvente que prepara o ouvinte para a jornada musical que se segue. A faixa‑título, cantada em inglês, reflete a visão internacional de Joyce, enquanto mantém a identidade brasileira por meio dos arranjos e da instrumentação.
Outras músicas como “4:08”, “Respira Fundo” e “Saudade” completam o repertório, oferecendo uma variedade de atmosferas que vão do introspectivo ao festivo. Cada canção foi cuidadosamente estruturada para manter o fluxo narrativo do álbum, permitindo que o ouvinte perceba uma história contada em notas e ritmos.
O lançamento de “Never Too Soon” representa mais um capítulo na carreira de Joyce Moreno, que continua a reinventar sua arte sem abrir mão das raízes. Ao celebrar figuras como Toninho Horta e reviver clássicos como “Beija‑me”, a cantora reforça seu papel como guardiã e inovadora da música brasileira. O álbum chega em um momento de crescente interesse global pelo samba‑jazz, prometendo conquistar tanto o público nacional quanto o internacional.
Para quem acompanha a trajetória de Joyce, o disco oferece uma experiência completa: nostalgia, inovação e a energia contagiante de um samba bem-feito. A expectativa é que “Never Too Soon” receba críticas positivas e se torne mais um marco nas discografias de artistas que conseguem equilibrar tradição e modernidade.








