Uma pesquisa realizada pela Quaest e divulgada nesta quinta‑feira (10) mostrou que 78% dos eleitores do Distrito Federal são favoráveis à ampliação das escolas cívico‑militares. O levantamento abrangeu entrevistas realizadas entre 4 e 7 de setembro, com adultos a partir de 16 anos. Os números foram publicados pela TV Globo, que encomendou o estudo.
Contexto da expansão das escolas cívico‑militares no Distrito Federal
A proposta de ampliar a rede de escolas cívico‑militares no DF começou a ganhar força em 2019, no primeiro ano de governo do ex‑governador Ibaneis Rocha (MDB). Na ocasião, o plano visava criar um modelo de gestão que combinasse disciplina militar com currículo tradicional, buscando melhorar indicadores de aprendizagem e segurança.
Desde então, a capital federal chegou a contar com 42 unidades já militarizadas, distribuídas entre diferentes regiões administrativas. Essas escolas são administradas por uma parceria entre a Secretaria de Educação do DF e as Forças Armadas, que fornecem apoio logístico e pedagógico.
Os defensores argumentam que a presença de militares no ambiente escolar promove ordem, pontualidade e valores cívicos, enquanto críticos apontam para possíveis impactos na formação cidadã e na liberdade de expressão dos estudantes.
Detalhes da pesquisa e perfil dos eleitores
A pesquisa Quaest entrevistou 1.104 pessoas com idade mínima de 16 anos, aplicando margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os resultados revelam nuances importantes entre diferentes grupos demográficos.
Entre os eleitores de 35 a 59 anos, a aprovação da expansão chegou a 83%, enquanto a faixa de 16 a 34 anos registrou 71% de apoio. Já os cidadãos com 60 anos ou mais apresentaram 72% de concordância.
O gênero também influenciou a opinião: 79% das mulheres são favoráveis, contra 75% dos homens. Entre os entrevistados que se declararam contrários, a maioria era masculina (22%).
- 78% a favor da ampliação
- 18% contra
- 4% indecisos ou não responderam
Quando a pesquisa cruzou a orientação política, os resultados ficaram ainda mais marcantes. Eleitores que se identificam como bolsonaristas demonstraram 96% de apoio, seguidos pelos de direita não bolsonarista, com 95%.
Por outro lado, a parcela que se declara esquerda não lulista apresentou apenas 43% de aprovação, indicando uma divisão ideológica significativa.
O nível de escolaridade também apareceu como fator determinante. Pessoas com ensino fundamental completo mostraram 83% de apoio, assim como aqueles que ganham até dois salários mínimos mensais.
Repercussões e debates sobre a expansão
Os números positivos da pesquisa reforçam a narrativa de que a proposta de escolas cívico‑militares tem amplo apoio popular, sobretudo entre eleitores de perfil conservador e de baixa renda. Essa percepção tem sido usada pelos defensores para pressionar o governo a acelerar a implementação de novas unidades.
Entretanto, o debate não se resume apenas a porcentagens. Organizações da sociedade civil, sindicatos de professores e especialistas em educação têm levantado questionamentos sobre os efeitos a longo prazo da militarização do ensino.
Um caso recente ganhou destaque nas redes: uma família denunciou que uma criança teria sido enforcada por adolescentes dentro de uma escola cívico‑militar do DF. O episódio reacendeu discussões sobre segurança, disciplina e supervisão nesses ambientes.
Além do incidente, críticos apontam para a necessidade de avaliações independentes que comparem o desempenho acadêmico e o clima escolar entre escolas cívico‑militares e instituições tradicionais.
Para os apoiadores, a proposta representa uma solução prática diante dos desafios de evasão escolar, violência urbana e baixos resultados em avaliações nacionais. Eles argumentam que o modelo pode servir de referência para outras unidades da federação.
Já os opositores defendem que a educação deve permanecer um espaço neutro, livre de influências militares, e que a formação cidadã requer diálogo, pluralidade de ideias e respeito à diversidade cultural.
O governo do Distrito Federal ainda não se posicionou oficialmente sobre a possibilidade de ampliar o número de escolas cívico‑militares, mas tem sinalizado que analisará os resultados da pesquisa antes de tomar decisões estratégicas.
Enquanto isso, a população acompanha de perto as discussões, que se estendem também ao âmbito digital, com campanhas nas redes sociais, debates em programas de televisão e artigos de opinião em veículos de imprensa.
O futuro da proposta dependerá, portanto, não apenas dos números de apoio, mas também da capacidade de conciliar segurança, qualidade pedagógica e respeito aos direitos dos estudantes.
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