Na manhã da última quarta‑feira (9), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou que Washington vai intensificar sua campanha contra as facções criminosas que operam no Equador. O anúncio ocorreu durante uma visita oficial a Quito, onde o diplomata se encontrou com o presidente equatoriano Daniel Noboa. A iniciativa inclui apoio financeiro, transferência de navios e a designação de novos grupos como organizações terroristas.
Nova fase da cooperação bilateral
Rubio chegou ao Equador após uma turnê que já havia passado pela Colômbia e que tem como destino final o Peru. Em Quito, ele ressaltou que os três países – Equador, Colômbia e Peru – compartilham governos de direita alinhados com Washington e são fundamentais na cadeia de produção e distribuição da cocaína que chega aos Estados Unidos, Europa e Ásia.
Durante a reunião a portas fechadas, o secretário destacou que a designação do grupo Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira permitirá “intensificar a busca por chefes, parceiros e finanças”. Essa medida acompanha outras designações feitas em 2025, que incluíram Los Choneros, Los Lobos e Chone Killers.
Recursos financeiros e logísticos
Para apoiar a luta contra o tráfico, a Casa Branca anunciou um aporte de US$ 55 milhões (cerca de R$ 280 milhões) ao governo equatoriano. O dinheiro será destinado ao desmantelamento de quadrilhas, ao combate à mineração ilegal e ao fortalecimento das forças de segurança.
Além do financiamento, os EUA vão ceder ao Equador um navio da Guarda Costeira para patrulhas marítimas e concluir a entrega de 12 embarcações de intercepção de lanchas usadas por narcotraficantes. Essas embarcações já foram empregadas em operações conjuntas que resultaram no afundamento de seis embarcações suspeitas em apenas duas semanas.
Impactos na população e nas comunidades costeiras
Organizações de direitos humanos, como o Comitê Permanente pela Defensa dos Direitos Humanos, denunciam ao menos 143 prisões arbitrárias em 2026, além de relatos de desaparecimentos forçados, tortura e explosões de embarcações provocadas por militares norte‑americanos. A ONG alerta que tais ações violam normas internacionais e colocam em risco a vida de pescadores inocentes.
Em Manta, pescadores e familiares afirmam que foram vítimas de abusos por parte das forças militares e negam qualquer vínculo com o narcotráfico. Eles relatam que navios de pesca foram abordados sem justificativa clara e que alguns foram destruídos por explosões controladas.
Contexto geopolítico e alianças regionais
O reforço da política antidroga dos EUA na América Latina também tem um componente geopolítico. Washington busca conter a influência da China, Rússia e Irã na região, alinhando-se a governos de direita que compartilham a agenda de segurança nacional estabelecida após o retorno de Donald Trump à presidência em 2025.
Durante a visita, Rubio encontrou‑se com o recém‑eleito presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que aderiu ao “Escudo das Américas”, aliança liderada por Trump para combater o narcotráfico. Em Quito, o secretário também enviou um alerta ao México, apontando que os esforços do país contra os cartéis ainda são insuficientes, mas que os EUA estão dispostos a cooperar com autoridades mexicanas, mesmo que estas pertençam a governos de esquerda.
Na quinta‑feira (10), Rubio seguirá para Lima, onde tem reunião marcada com a presidente peruana Keiko Fujimori, reforçando a agenda de segurança e cooperação militar em toda a região.








