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Trump elogia vitória da AfD na Saxônia-Anhalt e Merz denuncia interferência dos EUA

Na noite de domingo, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou quase 44% dos votos nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, marcando um avanço histórico para a extrema‑direita no país. Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos, comemorou o resultado em sua rede social Truth Social, gerando repercussão internacional. Poucas horas depois, o chanceler alemão Friedrich Merz cancelou uma chamada telefônica previamente agendada com o líder norte‑americano.

Reação de Trump nas redes sociais

Em um post de duas linhas, Trump descreveu a vitória como “uma noite realmente grandiosa” para o partido populista alemão. O ex‑governante ainda criticou as políticas de imigração da Alemanha, alegando que elas teriam prejudicado o país. Para encerrar, adaptou seu famoso slogan, substituindo o “A” de América por “G” de Germany, numa tentativa de criar uma ponte simbólica entre os dois mercados.

O tom do comentário foi inesperado, já que raramente um presidente em exercício se pronuncia sobre eleições regionais de um aliado europeu. Ainda assim, a mensagem fez sentido dentro da estratégia de Trump de apoiar movimentos de direita que compartilham sua agenda anti‑imigração.

Contexto político da Saxônia-Anhalt

A Saxônia-Anhalt, localizada no centro‑leste da Alemanha, tem enfrentado desafios econômicos e demográficos nas últimas décadas. O declínio da indústria pesada e a migração de jovens para grandes centros urbanos criaram um terreno fértil para discursos nacionalistas.

Nos últimos anos, a AfD tem capitalizado esse descontentamento, apresentando propostas que prometem reduzir a imigração e restaurar a identidade cultural local. A vitória de quase 44% dos votos demonstra a crescente aceitação dessas ideias entre o eleitorado regional.

  • Taxa de desemprego acima da média nacional.
  • Envelhecimento da população.
  • Descontentamento com políticas federais de migração.

Esses fatores, combinados, explicam por que a AfD conseguiu ultrapassar partidos tradicionais como o CDU e o SPD na última votação.

Reação do governo alemão

Imediatamente após o post de Trump, o chanceler Friedrich Merz decidiu cancelar a ligação telefônica que havia sido marcada com o presidente dos EUA. A decisão foi comunicada à agência AFP, que destacou a postura de Merz contra intervenções externas em assuntos internos.

Um porta‑voz da Casa Branca informou que Merz não respondeu diretamente ao comentário de Trump, mas reforçou sua posição de que “interferências ou comentários sobre a situação política interna, particularmente no que diz respeito a eleições, são inaceitáveis”.

Do lado da oposição, Dirk Wiese, líder do Partido Social‑Democrata (SPD), classificou a mensagem de Trump como “interferência” e “inaceitável”, alertando que tal postura poderia minar a soberania alemã.

  1. Cancelamento da chamada telefônica.
  2. Declarações públicas de rejeição à interferência.
  3. Críticas de partidos de oposição.

Essas reações sinalizam um consenso entre as lideranças alemãs de que a política interna deve permanecer livre de influências externas, sobretudo de potências que historicamente têm interesses estratégicos na região.

Implicações para as relações EUA‑Alemanha

A relação entre Washington e Berlim tem sido tradicionalmente baseada em cooperação militar, econômica e valores democráticos. A recente aproximação de Trump com a AfD pode colocar pressão sobre esse pacto.

Aliados de Trump, como Elon Musk, e alguns membros da administração americana, já haviam manifestado apoio ao partido alemão, criando um cenário de alinhamento ideológico que diverge da política externa oficial dos EUA.

Especialistas alertam que a percepção de apoio direto a partidos de extrema‑direita pode gerar tensões diplomáticas, especialmente em questões como a política de defesa da OTAN, sanções contra a Rússia e acordos comerciais.

Por outro lado, o governo alemão, ao reforçar sua postura contra interferências, pode buscar fortalecer alianças dentro da União Europeia e com outros parceiros que compartilham a mesma visão de soberania nacional.

O futuro das relações bilaterais dependerá, em grande medida, da capacidade dos líderes de separar questões estratégicas de influências partidárias internas.

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