Em setembro de 2024, uma pesquisa divulgada pelo instituto Meio/Ideia mostrou que Lula e Flávio Bolsonaro chegam a 46% de intenção de voto no segundo turno, refletindo um empate técnico. O levantamento, realizado em todo o território nacional, também apontou que a aprovação do presidente está no mesmo patamar, o que levanta questões estratégicas para a campanha petista.
A pesquisa Meio/Ideia e o panorama atual
A sondagem entrevistou mais de 2 mil eleitores em todas as regiões do Brasil, usando amostragem probabilística para garantir representatividade. Os resultados revelam que 46% dos respondentes aprovam a gestão de Lula, enquanto a mesma porcentagem indica que ele seria a escolha no caso de um segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Esses números são relevantes porque, historicamente, a diferença entre aprovação e intenção de voto costuma ser maior. Quando os dois indicadores se alinham, indica que o eleitor ainda não transformou sua avaliação positiva em apoio efetivo ao candidato.
A relação entre aprovação e intenção de voto
Cila Schulman, CEO do instituto, explicou que a proximidade entre aprovação e intenção de voto evidencia um ponto de atenção: o presidente ainda não conseguiu ampliar sua base além dos eleitores já satisfeitos com o governo. “Quando a aprovação está em torno de 46% e a intenção de voto também, percebemos que há uma transferência limitada de quem gosta do governo para quem realmente vai às urnas”, destacou.
Para quebrar esse impasse, Lula precisará melhorar a percepção de sua administração, sobretudo em áreas que geram maior insatisfação, como economia, segurança e políticas sociais. A pesquisadora apontou ainda que houve uma leve queda nos índices de aprovação comparado à rodada anterior, o que pode sinalizar desgaste.
Impacto da crise no STF e a percepção de corrupção
Durante o programa “Ponto de Vista”, o jornalista José Benedito questionou se a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal poderia prejudicar ainda mais o presidente. Schulman respondeu que, embora a crise tenha sido amplamente divulgada – 73% dos eleitores afirmaram ter tomado conhecimento das revelações – ainda não há evidência clara de que ela tenha convertido votos de Lula em favor de Flávio.
Ao analisar o discurso dos eleitores, a pesquisadora constatou que a corrupção se tornou o tema central da disputa. Curiosamente, ambos os lados percebem o adversário como corrupto, criando um cenário de acusações mútuas que dificulta a consolidação de apoio sólido.
Estratégias para romper o empate
Para transformar aprovação em votos efetivos, a campanha de Lula pode adotar algumas táticas:
- Intensificar a comunicação sobre resultados concretos do governo, como redução da pobreza e investimentos em infraestrutura.
- Reforçar a presença em estados-chave onde a margem ainda é estreita, realizando visitas presenciais e encontros com lideranças locais.
- Abordar de forma direta as críticas relacionadas à crise no STF, apresentando argumentos que minimizem o impacto negativo.
- Explorar alianças com partidos centristas que ainda não definiram apoio, oferecendo contrapartidas políticas.
Além disso, é fundamental que a mensagem de Lula enfatize a continuidade de políticas sociais que beneficiam a maioria da população, ao mesmo tempo em que propõe soluções para os problemas econômicos que geram insatisfação.
Outra frente importante é a mobilização nas redes sociais, onde a narrativa de corrupção pode ser contrabalançada por campanhas de desinformação que reforcem a confiança no presidente. A utilização de influenciadores regionais pode ampliar o alcance da mensagem.
Por fim, a campanha deve monitorar continuamente os indicadores de aprovação, ajustando a estratégia conforme novas pesquisas surgirem. A capacidade de reagir rapidamente a mudanças no cenário político pode ser decisiva para romper o empate de 46%.








