Um novo documentário sobre Elon Musk estreou em Veneza nesta terça‑feira (8) e traz uma entrevista simulada criada com avatar em computação gráfica e voz sintetizada por inteligência artificial. A produção, assinada pelo cineasta premiado Alex Gibney, combina declarações reais do bilionário com tecnologia que questiona a própria ideia de realidade que Musk costuma defender.
O conceito por trás da entrevista artificial
Gibney explicou que a escolha de usar um avatar digital foi deliberadamente irônica, pois Musk já afirmou que vivemos em uma simulação. O objetivo, segundo o diretor, é mostrar “a realidade do que ele fez e a irrealidade de sua narrativa”.
Para viabilizar o projeto, a equipe consultou advogados e recebeu autorização para utilizar a imagem de Musk, evitando riscos legais. A tecnologia de sincronização de voz foi alimentada com trechos de entrevistas anteriores, garantindo que as falas parecessem autênticas.
Participação de Ashley St. Clair e o pano de fundo jurídico
A ex‑influenciadora conservadora Ashley St. Clair, mãe de um filho com Musk, aparece no filme ao lado de Gibney. Ela relata o relacionamento com o empresário, o acordo de confidencialidade que lhe foi proposto e a sua recusa em assiná‑lo para garantir o pagamento da pensão.
No início do ano, St. Clair também processou a empresa de inteligência artificial de Musk, alegando que o chatbot Grok permitia a criação de imagens falsas de teor sexual envolvendo sua pessoa, o que lhe causou humilhação e sofrimento emocional.
Manipulação de algoritmos e impacto na mídia
O documentário investiga ainda a aquisição da plataforma X por Musk e acusações de manipulação de algoritmos. A repórter da Wired, Zoë Schiffer, afirma que o bilionário ajustou o algoritmo para reduzir a presença do jornalismo tradicional e amplificar vozes inflamatórias.
St. Clair acredita que Musk está alimentando conflitos deliberados, criando uma divisão que poderia ser catastrófica se não houver regulação ou contenção.
Uma biografia em quatro horas
Com quase quatro horas de duração, o filme traça a infância traumática de Musk, incluindo entrevistas com seu pai, Errol Musk, e descreve seus primeiros passos no Vale do Silício.
Ele também aborda a atuação de Musk no DOGE durante o segundo mandato de Donald Trump, bem como seu envolvimento na política de direita internacional. Gibney revela que, antes da campanha de Trump, o documentário teria sido consideravelmente mais curto.
Entre os entrevistados estão Martin Eberhard (cofundador da Tesla), Justine Musk (primeira esposa), o neurocientista Sam Harris, a jornalista de tecnologia Kara Swisher e a ex‑administradora da USAID, Samantha Power.
Questões de privacidade e coleta de dados
O documentário levanta preocupações sobre a coleta de informações de cidadãos americanos por integrantes do DOGE, que teriam tido amplo acesso a diversas agências do governo dos Estados Unidos.
Essas revelações apontam para um cenário de vigilância e uso de dados que pode ter implicações legais e éticas profundas, especialmente quando combinados com o poder de influência de plataformas digitais.
Próximos passos e expectativas
O filme, intitulado simplesmente “Musk”, terá lançamento nos cinemas em outubro, prometendo atrair tanto fãs do empreendedor quanto críticos de sua postura pública.
Além da estreia, a produção deve gerar debates sobre os limites da IA na criação de conteúdo jornalístico e sobre a responsabilidade de cineastas ao representar figuras públicas de forma tão inovadora.
- Elon Musk – CEO da SpaceX e da Tesla
- Alex Gibney – Diretor premiado
- Ashley St. Clair – Ex‑influenciadora e mãe de filho com Musk
- Zoë Schiffer – Repórter da Wired
- Martin Eberhard, Justine Musk, Sam Harris, Kara Swisher, Samantha Power – Entrevistados








