A nova pesquisa nacional da Quaest, divulgada em setembro de 2026, analisou a corrida presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em todo o território brasileiro. O levantamento trouxe informações sobre a intenção de voto, a repercussão do caso Banco Master e a percepção dos eleitores sobre propostas de reforma do Supremo Tribunal Federal. Os resultados oferecem um panorama detalhado do clima político que se desenha para o próximo pleito.
Metodologia e cenários de votação
A Quaest iniciou o questionário perguntando ao entrevistado se já havia escolhido um candidato e, em caso afirmativo, qual seria sua opção no primeiro turno. Em seguida, apresentou uma lista de nomes para medir o reconhecimento, a potencialidade de voto e a rejeição de cada concorrente.
O cenário de primeiro turno contemplou treze nomes, entre eles:
- Clariana Barão (DC)
- Edmilson Costa (PCB)
- Augusto Cury (Avante)
- Flávio Bolsonaro (PL)
- Hertz Dias (PSTU)
- Lula (PT)
- Pablo Marçal (PRTB)
- Renan Santos (Missão)
- Ronaldo Caiado (PSD)
- Rui Costa Pimenta (PCO)
- Samara (UP)
- Wilson Grassi (Democrata)
- Zema (Novo)
Um segundo cenário de primeiro turno, com doze candidatos, excluiu Pablo Marçal para testar a variação de preferência dos eleitores. Após indicar sua escolha, o entrevistado foi questionado sobre a firmeza da decisão e a possibilidade de mudar de voto até o dia da eleição.
Para o segundo turno, a pesquisa simulou cinco confrontos, sempre com Lula de um lado e um adversário diferente do outro:
- Augusto Cury
- Flávio Bolsonaro
- Renan Santos
- Ronaldo Caiado
- Zema
Esses cenários permitem avaliar a força de Lula contra perfis variados, desde candidatos de direita até figuras do campo intelectual.
Impacto do caso Banco Master e crise no STF
Um bloco específico do questionário investigou o escândalo do Banco Master, que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e tem repercussões no Congresso e no Supremo Tribunal Federal. Primeiro, os entrevistados foram questionados se já conheciam o caso e qual o nível de informação que possuíam.
Em seguida, foi pedido que apontassem qual instituição teve a imagem mais afetada negativamente:
- Congresso Nacional
- Supremo Tribunal Federal
- Governo Lula e PT
- Banco Central
- Governo anterior e família Bolsonaro
- Todos os citados
A pesquisa também abordou os episódios recentes envolvendo Vorcaro e os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Os respondentes indicaram se já tinham ouvido falar desses episódios e quem, em sua avaliação, estava agindo corretamente.
Por fim, foi verificado se a crise no STF influenciava a intenção de voto para presidente, podendo reforçar a escolha atual, levar a uma mudança ou não ter impacto algum.
Propostas de reforma do Supremo e percepção dos eleitores
Um conjunto de perguntas testou a aceitação de mudanças estruturais no funcionamento do Supremo Tribunal Federal. Entre as propostas apresentadas estavam:
- Criação de mandato com prazo fixo para ministros
- Possibilidade de indicação de integrantes da Corte tanto pelo Congresso quanto pelo Judiciário
- Proibição de decisões monocráticas
- Elaboração de um novo código de ética e conduta para magistrados
- Aumento das exigências para chegar ao STF
- Instituição de quarentena que impeça a indicação imediata de políticos que ocupam cargos eletivos
Os resultados mostraram que a maioria dos eleitores apoia a ideia de mandatos temporários e a maior transparência nas indicações, embora haja resistência à proibição total de decisões monocráticas.
Além das propostas institucionais, a pesquisa buscou posicionar os entrevistados no espectro político, oferecendo cinco categorias: lulistas, mais próximos da esquerda, independentes, mais próximos da direita e bolsonaristas.
Os dados revelaram que, apesar da polarização, um número significativo de eleitores se autodeclara independente, indicando abertura para candidatos que apresentem propostas de consenso.
Clima político, confiança nas instituições e exposição à campanha
Para comparar o ambiente político de 2026 com o de 2022, a Quaest perguntou se os desentendimentos entre amigos e familiares por motivos políticos estavam mais frequentes, menos frequentes ou na mesma medida. A maioria respondeu que a tensão havia aumentado, refletindo a intensificação dos debates nas redes sociais.
Outra questão avaliou o grau de conforto das pessoas ao falar sobre sua preferência de voto para presidente. Mais da metade dos entrevistados declarou que ainda se sente insegura para discutir abertamente sua escolha.
A pesquisa também mensurou a percepção de honestidade de seis candidatos presidenciais – Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury – e o nível de confiança nas três principais instituições: STF, Presidência da República e Congresso Nacional.
Quanto à exposição à campanha, os entrevistados indicaram a principal fonte de informação política:
- Televisão
- Jornais e revistas
- Rádio
- Sites e portais de notícias
- Redes sociais
- Aplicativos de mensagens
- Pessoas próximas (familiares, amigos)
Os resultados apontam que a televisão ainda lidera como fonte de informação, mas o consumo de conteúdo em redes sociais tem crescido rapidamente, sobretudo entre eleitores mais jovens.
Em síntese, a pesquisa da Quaest traz um panorama complexo: Lula mantém liderança no primeiro turno, Flávio Bolsonaro aparece como principal concorrente, o caso Banco Master ainda gera desconfiança nas instituições e há demanda por reformas no STF. O cenário político de 2026 promete ser marcado por debates intensos, mudanças institucionais e uma disputa acirrada entre diferentes correntes ideológicas.








