O Rock in Rio 2026 abriu sua primeira etapa entre 4 e 7 de setembro, no complexo da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em quatro dias intensos, o festival trouxe uma programação eclética que mesclou rock, metal, pop dos anos 2000, hip‑hop, MPB e jazz, atraindo milhares de fãs de todas as idades.
Destaques positivos
Jon Batiste iniciou a segunda‑feira com uma performance que mais se assemelhava a um culto musical do que a um concerto tradicional. O artista abriu cantando a capella, criando um clima de intimidade, antes de ser acompanhado por percussionistas cariocas que transformaram o palco em uma festa de samba, blues e gospel.
Em sua fala, Batiste ressaltou que “não é um show, é uma prática espiritual”, e convidou o público a libertar-se ao som de “Freedom”. A energia contagiante fez a plateia dançar do início ao fim, consolidando o momento como um dos mais memoráveis da abertura.
Foo Fighters fechou a sexta‑feira com a força que os fãs esperavam. Dave Grohl, aos 57 anos, mostrou que sua voz ainda tem potência, apesar de relatos sobre problemas de saúde vocal. A banda trouxe novas versões de “Wheels” e “Marigold”, além de homenagear o falecido baterista Taylor Hawkins.
A troca de baterista, com Ilan Rubin assumindo a posição, foi bem recebida. Rubin trouxe uma energia renovada ao set, mantendo o ritmo que caracteriza o som da banda desde 2025, quando substituiu Josh Freese.
Elton John fez sua primeira apresentação no Brasil em 11 anos, vestindo um terno amarelo fluorescente que chamou a atenção de todos. O cantor, já em sua terceira passagem pelo Rock in Rio, tornou‑se o headliner mais velho da história do festival, provando que a idade não diminui o carisma.
Com um repertório que inclui clássicos como “Your Song” e “Rocket Man”, Elton percorreu sua carreira de mais de 300 milhões de discos vendidos, emocionando tanto fãs antigos quanto novas gerações que descobriram seu trabalho nas plataformas digitais.
- Jon Batiste – fusão de ritmos e energia espiritual
- Foo Fighters – homenagem a Taylor Hawkins e nova bateria
- Elton John – performance icônica e visual marcante
- Set List diversificado – equilíbrio entre clássicos e novidades
- Interação com o público – momentos de conexão genuína
Momentos críticos
Péricles surpreendeu ao abandonar temporariamente seu repertório de samba e pagode para cantar “Stand by Me”, versão de Ben E. King, em inglês. Embora a ousadia fosse louvável, a mudança de idioma e estilo gerou reações mistas entre os fãs que esperavam o som tradicional do artista.
Alguns espectadores sentiram que a apresentação perdeu a identidade cultural que costuma definir o cantor, resultando em críticas sobre a falta de conexão com o público local.
Bring Me The Horizon trouxe energia ao palco, mas a apresentação foi marcada por lapsos de comunicação. O vocalista Oli confundiu a cidade anfitriã, chamando Rio de Janeiro de São Paulo, o que gerou risos e desconforto simultâneos.
Além disso, a tentativa de envolver o público com fãs vestidos de camisa da seleção brasileira acabou gerando confusão, já que a maioria dos presentes não reconheceu a referência, diluindo o impacto esperado.
Outro ponto crítico foi a ausência de um setlist bem estruturado. A banda alternou entre músicas antigas e recentes sem uma narrativa clara, o que fez alguns momentos parecerem desconexos.
Por fim, a produção de som em alguns momentos ficou desigual, com o baixo predominando excessivamente em faixas mais pesadas, comprometendo a clareza dos vocais.
A mistura de gêneros e a experiência do público
O primeiro fim de semana do festival demonstrou a capacidade do Rock in Rio de reunir estilos aparentemente opostos em um mesmo espaço. Enquanto o sábado foi dominado por metal pesado, o domingo trouxe um retorno ao pop dos anos 2000, hip‑hop e músicas dançantes, criando um contraste que agradou a diferentes públicos.
Os palcos Sunset e Mundo foram os principais cenários onde essas variações se desenrolaram. No Sunset, artistas como Péricles e Jon Batiste exploraram raízes brasileiras e internacionais, enquanto o Mundo recebeu a potência de Foo Fighters e a elegância de Elton John.
O público mostrou-se receptivo a essa diversidade, formando áreas de fãs distintas que, apesar das diferenças de gosto, compartilharam momentos de celebração coletiva. O uso de sinalizadores coloridos, camisetas temáticas e coreografias espontâneas reforçou o senso de comunidade.
Além dos shows, a programação incluiu workshops, exposições de arte urbana e espaços gastronômicos que ampliaram a experiência cultural. Essa abordagem holística fez com que o festival fosse percebido não apenas como uma sequência de concertos, mas como um evento cultural completo.
Em termos de logística, a organização manteve boa fluidez nas filas de entrada e nos pontos de alimentação, embora alguns espectadores tenham relatado congestionamento nas áreas próximas ao palco Mundo durante os momentos de pico.
O feedback nas redes sociais destacou a importância da curadoria que equilibrou nomes consagrados com artistas emergentes, permitindo que o público descubra novos talentos ao lado de ícones consagrados.
Com a promessa de novos dias nos próximos fins de semana, o Rock in Rio 2026 já se posiciona como um marco na cena musical brasileira, reforçando seu papel de ponte entre o mercado local e o cenário internacional.








