Na noite de segunda‑feira, 7 de setembro de 2024, o lendário pianista britânico Elton John subiu ao palco do Rock in Rio, no Rio de Janeiro, e entregou um espetáculo de 24 músicas em pouco mais de duas horas. O show marcou sua terceira passagem pelo festival e a oitava visita ao Brasil, consolidando o artista como o headliner mais velho da história do evento.
Um show histórico e cheio de energia
Elton chegou ao recinto vestindo um terno de paletó amarelo fluorescente combinado com camisa azul marinho, uma escolha que chamou a atenção de milhares de fãs antes mesmo da primeira nota. Apesar dos 79 anos, sua presença de palco foi marcada por energia e carisma, provando que a idade não diminuiu sua capacidade de encantar multidões.
O setlist foi cuidadosamente elaborado para percorrer as diferentes fases da carreira do artista, intercalando baladas românticas, hinos do rock e momentos de interação com o público. Cada bloco de músicas foi apresentado em parágrafos curtos, facilitando a absorção da narrativa musical.
Durante a apresentação, Elton fez comentários que contextualizaram algumas canções, como a referência ao centenário de Marilyn Monroe antes de cantar “Candle in the Wind”. Ele também trouxe ao palco virtual a cantora Dua Lipa, que apareceu no telão ao lado dele na versão de “Cold Heart”.
- “Rocket Man” – abertura triunfal;
- “Candle in the Wind” – homenagem a Marilyn Monroe;
- “Cold Heart” – colaboração visual com Dua Lipa;
- “Skyline Pigeon” – destaque para a trilha da novela “Carinhoso” (1973);
- “Your Song” – encerramento emotivo.
O intervalo entre as músicas foi mais longo que em turnês anteriores, permitindo que o cantor recuperasse o fôlego e entregasse notas mais encorpadas nas sequências mais exigentes, como “The Bitch Is Back”, “Crocodile Rock” e “Saturday Night’s Alright for Fighting”.
Detalhes do setlist e momentos marcantes
O repertório incluiu clássicos que ajudaram a vender mais de 300 milhões de discos ao redor do mundo. Entre as baladas imbatíveis, destacam‑se “I Guess That’s Why They Call It the Blues” e “Goodbye Yellow Brick Road”, duas músicas que representam o período mais fértil de Elton, entre 1969 e 1976, quando lançou 11 álbuns de estúdio.
Além das canções, o espetáculo contou com projeções visuais que, embora ambiciosas, foram alvo de críticas por dominarem o telão em momentos-chave. Em performances como “Tiny Dancer” e “Honky Cat”, a tela ficou praticamente vazia, o que gerou insatisfação em um público de quase 100 mil pessoas.
Apesar das falhas técnicas, a performance vocal de Elton demonstrou que, mesmo com a voz menos abundante que nos primórdios da carreira, ele ainda consegue transmitir emoção e potência. Em seu discurso antes de encerrar, ele admitiu: “Não tenho muita voz sobrando, mas vou cantar essa”.
A estrutura do show também incluiu momentos de improviso e interação, como a menção ao parceiro de longa data Bernie Taupin, que escreveu a letra de “Skyline Pigeon” em poucos minutos, reforçando a química criativa que dura mais de cinco décadas.
O legado de Elton John e o futuro da carreira
Embora a turnê de despedida tenha sido anunciada em 2023, Elton John ainda aceita apresentações pontuais, como o show no Rio e duas datas previstas para outubro no México. Ele explicou que a participação no Rock in Rio foi uma forma de compensar a ausência do Brasil em sua última turnê mundial.
O artista também destacou a importância de manter o piano como elemento central no rock de arena e no soul de rádio, um legado que começou na década de 1970 e que continua a influenciar novas gerações de músicos.
Com 79 anos, Elton demonstra que ainda tem disposição para seguir em pé, como sugere a canção “I’m Still Standing”, que ecoou como um mantra para os fãs presentes. A expectativa agora é que ele continue a fazer shows esporádicos, mantendo viva a conexão com o público brasileiro.
Para quem acompanha a carreira de Elton John, o show no Rock in Rio 2026 serviu como um lembrete de que a música transcende idade e que grandes artistas podem reinventar-se a cada geração, sem perder a essência que os tornou ícones.
Em resumo, o espetáculo foi uma celebração da trajetória de um dos maiores nomes da música pop e rock, oferecendo ao público brasileiro uma noite memorável, repleta de nostalgia, energia e a promessa de que ainda há muito a ser cantado.








