Na segunda‑feira, 7 de setembro de 2026, o Rock in Rio completou seu quarto dia com shows que marcaram gerações, reunindo Elton John, Gilberto Gil e um forte bloco de bossa nova. O evento, que se desenrolou no Rio de Janeiro, trouxe momentos de nostalgia, surpresas musicais e possíveis despedidas.
Elton John lidera o palco como headliner mais velho da história
Com 79 anos, Elton John subiu ao Palco Mundo vestindo um terno amarelo fluorescente e uma camisa azul marinho, provando que a aposentadoria pode esperar. Foram 24 músicas apresentadas em 2 horas e 15 minutos, com destaque para clássicos como “Rocket Man” e “Candle in the Wind”.
Durante a apresentação, o britânico fez referências curiosas: explicou que a versão de “Candle in the Wind” celebrava o centenário de Marilyn Monroe e agradeceu a presença de Dua Lipa no telão ao cantar “Cold Heart”. Também comentou que “Skyline Pigeon” foi a canção que escreveu mais rapidamente com Bernie Taupin, lembrando que a música ganhou popularidade no Brasil graças à novela “Carinhoso”.
Elton ainda interagiu de forma econômica com o público, mas a energia da plateia foi incontestável. O show marcou sua terceira visita ao Rock in Rio e a oitava ao Brasil, consolidando-o como o headliner mais velho a encabeçar o festival.
- 24 músicas apresentadas
- Duração: 2h15
- Trajes: terno amarelo fluorescente + camisa azul marinho
- Participação virtual de Dua Lipa
Gilberto Gil: um possível último Rock in Rio
Com 84 anos, Gilberto Gil subiu ao palco para sua quinta participação no festival, lembrando as apresentações de 1985, 2001 e 2022. O cantor‑compositor declarou que talvez aquele fosse seu último show no Rock in Rio, embora não tenha se tratado como despedida definitiva.
Apesar de caminhar pouco e apresentar a voz mais frágil que a idade permite, Gil manteve a maestria que sempre o caracterizou, interpretando 16 faixas que percorreram toda a sua carreira. Entre os hits, destacaram‑se “Andar com Fé”, “Toda Menina Baiana”, “Realce” e “Pela Internet”.
O repertório foi estruturado de forma a celebrar a trajetória do artista, mas também a sinalizar que o próximo passo pode ser focar em projetos menores, longe das grandes turnês. O público respondeu com aplausos emocionados, reconhecendo a importância histórica da presença de Gil no festival.
- Andar com Fé
- Toda Menina Baiana
- Realce
- Pela Internet
- Palco
Bossa nova ganha destaque: Luísa Sonza, Roberto Menescal e Laufey
O bloco dedicado à bossa nova trouxe uma mistura de tradição e inovação. Luísa Sonza dividiu o palco com o mestre Roberto Menescal, reinterpretando clássicos com uma pegada pop que agradou tanto aos fãs antigos quanto aos mais jovens.
Em paralelo, a islandesa Laufey apresentou seu híbrido de smooth jazz, pop e bossa nova, conquistando a plateia com a delicadeza de sua voz. Em sua segunda visita ao Brasil, a artista de 27 anos cantou “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá, arriscando o português e arrancando sorrisos pelo charme da tentativa.
Embora a performance de Laufey não tenha sido tecnicamente perfeita na pronúncia, a autenticidade e o carinho pelo repertório brasileiro foram evidentes, reforçando a ideia de que a música transcende barreiras linguísticas.
- Luísa Sonza + Roberto Menescal: releitura de clássicos da bossa nova
- Laufey: “Perdido de Amor” em português
- Estilo: smooth jazz + pop + bossa nova
Conexões entre gerações: Vanessa da Mata, Roupa Nova, Péricles e Jon Batiste
O quarto dia também foi marcado por colaborações inesperadas que uniram diferentes gerações e estilos. Vanessa da Mata e Roupa Nova levaram ao público repertórios que atravessam décadas, mostrando a força da música brasileira atemporal.
Péricles, representante da samba‑rock, juntou‑se a Jon Batiste, que trouxe a tradição negra norte‑americana ao festival, criando pontes entre o samba, o jazz, o blues e o gospel. A mistura resultou em momentos de improvisação que encantaram os espectadores.
Além disso, o artista Belo arrastou multidão ao Palco Favela com um show romântico repleto de hits de pagode dos anos 1990, reforçando a diversidade de gêneros presentes no Rock in Rio 2026.
- Vanessa da Mata + Roupa Nova: repertório intergeracional
- Péricles + Jon Batiste: fusão de samba, jazz e gospel
- Belo: pagode dos anos 1990 no Palco Favela
Impacto e perspectivas para a edição 2026
O quarto dia do Rock in Rio 2026 consolidou o festival como um ponto de encontro de artistas consagrados e novas vozes, reforçando seu papel cultural no cenário global. A presença de ícones como Elton John e Gilberto Gil trouxe um peso histórico, enquanto artistas como Laufey mostraram a capacidade do evento de abraçar tendências internacionais.
Além disso, a ênfase na bossa nova e nas colaborações entre gerações sinaliza uma curadoria que valoriza a raiz musical brasileira sem abrir mão da inovação. Essa estratégia pode atrair públicos ainda mais diversificados nas próximas edições.
Com mais dias programados, o Rock in Rio 2026 promete continuar surpreendendo, oferecendo shows que vão desde o rock clássico até experimentações de jazz‑pop, sempre mantendo o DNA de celebração da música ao vivo.
Os organizadores ainda não confirmaram a participação de alguns artistas internacionais para os dias finais, mas a expectativa é que o festival encerre com a mesma energia vibrante que marcou seu quarto dia.








