Na segunda‑feira, 7 de setembro, o palco principal do Rock in Rio 2026 recebeu o multi‑instrumentista Jon Batiste, que transformou o show em um verdadeiro culto musical, reunindo público de diferentes gerações. O artista, natural de New Orleans, trouxe ao Rio de Janeiro uma proposta que mistura espiritualidade e festa, criando uma atmosfera única para os presentes.
Um culto de sons e ritmos
Desde a primeira música, Batiste já anunciava a proposta: iniciou o espetáculo cantando a capella, como um louvor que ecoava na imensidão do parque. Em seguida, a energia subiu quando uma bateria de percussionistas cariocas se juntou a ele, convertendo o momento em uma celebração contagiante.
“Isso não é um show, é uma prática espiritual”, declarou o artista ao interpretar a canção “Freedom”. A frase resumiu a intenção de transformar cada acorde em libertação, convidando o público a participar ativamente da experiência.
Ao longo da apresentação, Batiste alternou entre instrumentos – piano, escaleta, bateria e até um baixo em pad – mostrando sua versatilidade. Cada troca de instrumento era acompanhada por sorrisos, danças e coros improvisados que reforçavam a sensação de comunidade.
Um dos momentos mais marcantes foi a fusão de estilos em que o artista inseriu um clássico de Jorge Ben, “Mas Que Nada”, com a participação da cantora brasileira Nêgah Santos. Essa releitura trouxe à tona a conexão entre o samba brasileiro e o jazz norte‑americano, reforçando a ideia de que a música não tem fronteiras.
- Jazz
- Gospel
- Samba
- Blues
- Eletrônica
Esses gêneros foram entrelaçados ao longo da noite, criando um mosaico sonoro que agradava tanto aos amantes de música tradicional quanto aos fãs de experimentação. A plateia, ao reconhecer a batida, rapidamente se transformava em um coro pulsante, batendo palmas e dançando ao ritmo da percussão.
Colaborações que cruzam fronteiras
Além da parceria com Nêgah Santos, Batiste trouxe ao palco a bailarina Ingrid Silva, que entrou durante a interpretação de “Chega de Saudade”. A presença da artista visual acrescentou uma camada de movimento que dialogava com a melodia, reforçando a ideia de sinestesia entre som e corpo.
Ingrid, vestindo um traje que mesclava elementos de balé clássico e street dance, acompanhou o pianista em uma sequência de passos que parecia seguir a narrativa da música. Cada salto e giro foram sincronizados com acordes de piano, gerando um espetáculo audiovisual que encantou a plateia.
Outro destaque foi a execução de “Für Elise”, de Beethoven, que Batiste reinterpretou em estilo blues. O pianista tocou a melodia clássica com um toque de swing, demonstrando como o repertório canônico pode ser reinventado sem perder sua essência.
Essas releituras fazem parte de um projeto mais amplo do artista, que tem revisitado obras de compositores como Mozart e Beethoven, inserindo elementos de jazz, gospel e funk. O objetivo, segundo o próprio Batiste, é “conversar com o passado sem perder o presente”.
A experiência de Ingrid Silva e a energia da plateia
Quando Ingrid Silva subiu ao palco, a reação do público foi imediata: gritos de entusiasmo, flashes de celulares e um ritmo coletivo que parecia um batismo musical. A bailarina, ao se mover ao som da música, criou um ponto de conexão visual que ampliou a sensação de culto.
Ao final da apresentação, Batiste convidou o público para participar de um “love riot”, inspirado nos second lines de New Orleans, onde bandas de metais desfilam pelas ruas. O convite foi atendido com uma fila de fãs que, em ordem, subiram ao palco para dançar, cantar e celebrar.
Esse momento de proximidade reforçou a mensagem central do show: a música como ferramenta de união e libertação. A plateia, ao se tornar parte ativa do espetáculo, experimentou a sensação de estar em uma congregação, onde cada batida era um voto de liberdade.
Apesar de dividir o horário com o artista Belo, que se apresentava no Palco Favela, Jon Batiste conseguiu atrair um público fiel e engajado. Os espectadores que permaneceram no palco principal relataram que a energia do show foi “contagiante” e que a experiência ficou marcada como um dos melhores momentos da edição 2026.
Para quem acompanhou o evento ao vivo ou por transmissão, a mensagem ficou clara: a música transcende barreiras culturais e geográficas, e quando aliada a uma performance visual, como a de Ingrid Silva, cria um ritual coletivo que permanece na memória.
O Rock in Rio, ao promover artistas de diferentes origens, reforça seu papel como plataforma de troca cultural. A presença de Jon Batiste, com sua bagagem de New Orleans, e a participação de talentos brasileiros como Nêgah Santos e Ingrid Silva, demonstram a força da colaboração internacional.
Em resumo, o show de segunda‑feira foi mais do que um concerto; foi uma celebração da diversidade sonora, um convite à liberdade de expressão e um exemplo de como a música pode servir como ponte entre continentes.
Se você perdeu a apresentação ao vivo, ainda pode reviver os momentos mais marcantes através dos clipes oficiais divulgados nas redes sociais do festival. Cada trecho traz a energia da plateia, as notas improvisadas e a dança de Ingrid, permitindo que o culto musical continue vivo.
Para quem busca inspiração, a mensagem de Jon Batiste é clara: “Sinta a liberdade, compartilhe o som e transforme cada nota em oração”. Essa filosofia, aplicada ao Rock in Rio, mostrou que o festival pode ser um verdadeiro templo da música contemporânea.








