Em entrevista ao programa g1 Ouviu, transmitida nesta quinta-feira (05), o Turma do Pagode abordou a relação com grupos emergentes, a escolha por gravações ao vivo e a abertura para misturar pagode com outros estilos. A conversa revelou a visão do grupo sobre o futuro da música popular brasileira, a importância da colaboração e o posicionamento político dos artistas.
Parcerias com bandas jovens impulsionam a cena do pagode
Leizinho explicou que o grupo mantém um carinho especial por artistas que estão iniciando carreira, como o Grupo Chocolate, com quem gravaram a faixa “Alô Virgínia”. Não havia garantia de sucesso, mas a parceria refletiu a vontade de apoiar o que está surgindo.
Ele ressaltou que a música pode se tornar um hit inesperado: “Não sabíamos que a canção seria tão bem recebida, mas o fato de colaborarmos com novos talentos nos mantém conectados ao público jovem”. Essa atitude reforça a ideia de que quanto mais grupos aparecerem, melhor para o gênero.
Por que o Turma do Pagode prefere álbuns ao vivo
Caramelo contou que a experiência de gravar em estúdio costuma deixá-los desconfortáveis, como se estivessem de “terno e gravata”. Por isso, optam por álbuns ao vivo, onde a energia do público e a espontaneidade são preservadas.
Para garantir qualidade, a banda ensaia exaustivamente antes das gravações. “Se a gente corrigir demais na pós‑produção, perde a essência do ao vivo”, afirmou. O processo inclui repetições intensas até que cada detalhe esteja “na mão”.
O cenário musical atual e a viralização de artistas independentes
Caramelo analisou a dinâmica da música contemporânea, destacando que qualquer artista pode viralizar com um vídeo simples, mesmo sem grandes investimentos. Plataformas digitais democratizam o acesso, permitindo que grupos com recursos limitados alcancem audiências massivas.
Ele citou exemplos de músicos que, ao lançar conteúdo despretensioso, viram suas músicas se espalharem rapidamente, reforçando a importância de autenticidade e criatividade no ambiente online.
Memórias de “Camisa 10” e agradecimentos a Charlles André
A faixa “Camisa 10” marcou um ponto de virada na trajetória da banda. Gravada em 2010, a música chegou em um momento de dificuldade e trouxe reconhecimento nacional.
Leizinho e Caramelo lembraram como o sucesso abriu portas para lugares antes sonhados. A composição, de Charlles André, quase não foi liberada, mas acabou beneficiando todos os envolvidos. “Manda mais, Charllinho”, brincou Leizinho.
Mistura de pagode com outros ritmos: ousadia e identidade
O grupo tem tradição de integrar diferentes estilos, como o sertanejo, sem perder a identidade pagodeira. Essa postura não é uma moda passageira, mas parte da personalidade do Turma do Pagode.
Leizinho citou a adaptação da música “Deixa em off”, originalmente de outro gênero, que foi transformada em pagode e recebeu elogios. “Não temos travas, queremos que tudo faça sentido com o que acreditamos”, explicou.
Posicionamento político e liberdade de expressão dos artistas
Os músicos comentaram sobre a pressão que artistas enfrentam para se posicionarem politicamente, citando o caso de cancelamentos de shows de Jorge e Mateus. Segundo eles, o direito de permanecer neutro deve ser respeitado.
Leizinho afirmou que a vida pessoal não deve ser invadida e que cada artista tem liberdade para escolher se quer ou não se manifestar. Caramelo completou que “todas as escolhas têm consequências”, mas a decisão deve ser pessoal.
Sonhos e projetos futuros
Encerrando a entrevista, o Turma do Pagode revelou o desejo de gravar ao lado de Bruno Mars, porém com uma pegada pagodeira. O objetivo demonstra a ambição de continuar inovando e cruzando fronteiras musicais.
Além disso, o grupo segue investindo no projeto Turma Futebol Clube, que combina música e esporte, reforçando o compromisso com a cultura popular.
- Colaborações com novos grupos de pagode
- Gravações ao vivo para preservar energia
- Uso de plataformas digitais para viralização
- Mistura de gêneros como estratégia criativa
- Defesa da liberdade de expressão artística
Com 30 anos de carreira, o Turma do Pagode demonstra que a reinvenção constante e o apoio às novas gerações são pilares fundamentais para manter o pagode relevante no cenário musical brasileiro.








