Na segunda‑feira, 7 de setembro de 2026, o cantor Péricles subiu ao Palco Sunset, no The Town, durante o Rock in Rio, e apresentou um show totalmente dedicado ao soul e ao R&B norte‑americanos. O artista trocou o repertório habitual de samba e pagode por clássicos da Motown, criando uma experiência inédita para o público presente.
Uma homenagem à Motown Records
A proposta partiu de Zé Ricardo, vice‑presidente artístico da Rock World, que sugeriu que Péricles rendesse tributo à gravadora que mudou a história da música popular nos Estados Unidos. Fundada em 1959 por Berry Gordy Jr., a Motown lançou nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, The Supremes e The Jackson 5, e foi crucial na integração racial da indústria musical.
Em entrevista ao G1, Péricles contou que a história da Motown o inspirou a criar seu próprio selo, a Farias Produções. “Exemplos como o Motown mexem com a gente”, afirmou, destacando a coragem da gravadora em dar espaço a artistas negros em uma época de segregação.
O setlist que atravessou décadas
O show contou com 14 músicas, todas escolhidas entre os maiores sucessos da Motown e de artistas que seguiram sua linha. O artista abriu com “Ain’t No Mountain High Enough”, de Marvin Gaye, e seguiu com “I Want You Back”, dos Jackson 5, demonstrando sua capacidade vocal desde o primeiro acorde.
- “My Girl” (The Temptations)
- “Cruisin'” (Smokey Robinson)
- “I’ll Be There” (Jackson 5)
- “End of the Road” (Boyz II Men)
- “Let’s Get It On” (Marvin Gaye)
- “All Night Long” (Lionel Richie)
- “ABC” (Jackson 5)
- “Superstition” (Stevie Wonder)
Ao contrário dos shows habituais, o pagodeiro não cantou nenhum de seus hits consagrados, como “Até que Durou” ou “Melhor Eu Ir”. A escolha foi deliberada para manter a coerência temática e permitir que a plateia vivenciasse a essência da Motown.
Produção, figurino e energia no palco
Péricles apareceu com um traje totalmente prateado, complementado por uma capa decorada com fotos dos ícones da gravadora. O visual reforçou a ideia de que o artista estava, naquele momento, incorporando o espírito da era dourada do soul.
A banda, formada por nove músicos e quatro backing vocals, foi montada especialmente para o festival. Cada instrumentista trouxe a sonoridade autêntica dos arranjos originais, enquanto os coros de apoio reforçavam os refrões marcantes.
Durante a apresentação, o cantor interagiu com o público em português, mas deixou a maioria das canções em inglês, respeitando a origem das obras. Ele também aproveitou para dançar, brincar e mostrar o lado descontraído que costuma marcar suas performances de pagode.
Impacto cultural e perspectivas futuras
O público presente reagiu com entusiasmo ao ver o “Rei da Voz” transitar por um repertório tão distinto do seu habitual. Muitos elogiaram a coragem do artista em arriscar-se fora da zona de conforto e reconheceram a qualidade vocal que o consagrou como um dos maiores cantores do Brasil.
Além do espetáculo, o show serviu como vitrine para a nova fase da carreira de Péricles. Em meio aos ensaios, ele finaliza a gravação de um álbum que deve ser lançado no fim de setembro, prometendo trazer ainda mais experimentações sonoras.
Em 2024, o cantor já havia participado de um tributo à Alcione, interpretando clássicos como “Sufoco” e “Você Me Vira a Cabeça”. Agora, ao encerrar o Rock in Rio, ele reforça a ideia de que o samba e o pagode também podem dialogar com outros gêneros, ampliando o leque de possibilidades para a música brasileira.
“Quando a gente fala de rock, fala de atitude, de revolução. O samba já traz isso há muito tempo. Num palco como o Rock in Rio, é justo que outras vertentes mostrem sua força”, declarou Péricles ao G1, encerrando a entrevista com a mesma energia que transmitiu no palco.








