Fábio Aparecido Pereira dos Reis, de 51 anos, faleceu na segunda‑feira (2) em Marília, interior de São Paulo, vítima de um glioma agressivo. O homem ganhou repercussão nacional ao tocar violão e cantar “Tempo Perdido”, da Legião Urbana, enquanto era operado para remoção de um tumor cerebral.
O momento que emocionou a equipe médica
Durante a cirurgia, que começou em 8 de setembro na Santa Casa de Marília, Fábio permaneceu consciente por quase doze horas. Enquanto os neurocirurgiões monitoravam suas funções neurológicas, ele dedilhava acordes e cantava a canção que marcou sua juventude.
A cena foi descrita como “um ato de coragem e arte” pelos profissionais presentes. O anestesista relatou que o paciente demonstrou grande tranquilidade, ajudando a equipe a avaliar a resposta do cérebro em tempo real.
O gesto também trouxe conforto aos familiares, que assistiam ao procedimento por meio de um monitor. “Ver meu marido cantar, mesmo em meio ao risco, foi ao mesmo tempo assustador e inspirador”, contou a esposa de Fábio.
A técnica neurocirúrgica e seus benefícios
A cirurgia foi realizada com a técnica de estimulação elétrica intraoperatória, que permite ao cirurgião mapear áreas responsáveis por fala, memória e coordenação motora. Essa abordagem reduz significativamente o risco de sequelas permanentes.
Durante a operação, foram monitoradas as seguintes funções:
- Fala e articulação de palavras;
- Memória de curto prazo;
- Coordenação motora fina;
- Respostas sensoriais ao toque.
O neurocirurgião Ruy Okaji explicou que a presença consciente do paciente é fundamental para validar esses testes. “Quando o paciente consegue responder, mesmo cantando, temos um indicativo claro de que as áreas críticas ainda estão intactas”, afirmou.
Além de preservar funções, a técnica oferece ao cirurgião um feedback imediato sobre a extensão da remoção do tumor, permitindo ajustes precisos durante o procedimento.
A luta contra o glioma
Fábio foi diagnosticado com glioma, um tipo de tumor cerebral conhecido por sua agressividade e alta taxa de recorrência. Os primeiros sintomas incluíram dores de cabeça intensas, confusão mental e alterações na fala.
Os sinais de alerta que levaram ao diagnóstico foram:
- Dor de cabeça persistente, piorando à noite;
- Perda de memória recente;
- Dificuldade em encontrar palavras;
- Desorientação espacial.
Após a confirmação, a equipe médica optou pela cirurgia como primeira linha de tratamento, seguida de radioterapia e quimioterapia para tentar controlar o avanço da doença.
Apesar da intervenção cirúrgica ter sido bem‑sucedida em remover o tumor visível, o glioma costuma apresentar micrometástases que dificultam a erradicação completa.
Fábio passou por sessões de quimioterapia intensiva nos meses seguintes ao procedimento. No entanto, a doença evoluiu rapidamente, levando ao seu falecimento.
Despedida e legado
O enterro de Fábio foi realizado na terça‑feira (3) no Cemitério Municipal de Pompeia, cidade onde ele residia. Familiares, amigos e colegas de trabalho compareceram para prestar homenagens.
Além da coragem demonstrada na sala de cirurgia, Fábio deixou um legado de esperança para pacientes que enfrentam procedimentos invasivos. Seu ato de cantar tornou-se símbolo de resistência e humanidade diante da medicina de alta complexidade.
Nas redes sociais, a coluna GENTE destacou a história e incentivou a população a acompanhar o perfil @veja.gente no Instagram, onde foram compartilhadas mensagens de apoio e informação sobre glioma.
Especialistas ressaltam a importância de reconhecer os sinais de alerta neurológicos e buscar avaliação médica precoce. “A detecção precoce pode ampliar as opções de tratamento e melhorar a qualidade de vida”, concluiu o Dr. Okaji.
Fábio Aparecido Pereira dos Reis será lembrado não apenas como um paciente, mas como alguém que transformou um momento de vulnerabilidade em arte, inspirando milhares de pessoas ao redor do país.








