Uma criança morreu de sarampo no Condado de Lewis, ao norte do estado de Nova York, em junho de 2026. O caso marca a primeira fatalidade pela doença em Nova York em mais de 30 anos. A morte ocorreu quatro semanas após o governador declarar estado de emergência devido ao surto que já afeta outras regiões do estado e estados vizinhos.
Contexto da mortalidade e números do surto
O surto de sarampo registrado em 2026 já contabiliza 178 casos confirmados em Nova York, incluindo oito na cidade de Nova York. Em nível nacional, os Estados Unidos somam 4.852 casos, quase o dobro dos 2.289 registrados no ano anterior.
Embora o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) reconheça oficialmente apenas três mortes, os governos estaduais apontam seis óbitos, evidenciando divergências nos critérios de notificação. Essa diferença ganhou destaque depois que o secretário de saúde Robert Kennedy Jr., crítico da vacina MMR, questionou a relação entre as mortes e a falta de vacinação.
Os especialistas ressaltam que o país corre o risco de reviver a era pré‑vacinação, quando surtos de sarampo eram frequentes e mortais. A taxa de imunização nos Estados Unidos vem caindo há pelo menos seis anos, ameaçando o patamar de 95% de cobertura necessário para a chamada imunidade de rebanho.
Causas da queda na cobertura vacinal
Vários fatores contribuíram para a redução da vacinação contra o sarampo. Primeiro, a disseminação de teorias antivacinas, muitas vezes alimentadas por figuras públicas como o ex‑presidente Donald Trump e o ativista Robert Kennedy Jr., que alegam falsamente que a vacina causa autismo ou risco de morte.
Segundo, o sistema de saúde dos EUA, predominantemente privado e descentralizado, dificulta a coleta de dados precisos e o acesso universal à vacinação. Estima‑se que 1,7 milhão de crianças não tenham recebido a dose da MMR nos últimos sete anos, embora esse número possa estar subnotificado.
Terceiro, cortes recentes no Medicaid reduziram o financiamento de programas de imunização, tornando a vacina menos acessível para famílias de baixa renda que precisam pagar por ela.
- Desinformação propagada por figuras públicas.
- Sistema de saúde fragmentado e privado.
- Cortes no financiamento público de vacinação.
Estados que antes lideravam os índices de cobertura, como Minnesota, Utah e Ohio, já apresentam quedas significativas. O Idaho, por exemplo, perdeu 15 pontos percentuais em uma década, tornando‑se o estado com a menor taxa de imunização do país.
Consequências e medidas urgentes
Com a cobertura vacinal abaixo de 95%, grupos suscetíveis aumentam e o vírus – um dos mais contagiosos do planeta – encontra mais pessoas para infectar. Cada caso importado pode desencadear um novo foco de transmissão, como ocorreu recentemente em Nova York.
Especialistas recomendam reforçar a campanha de vacinação em duas doses da MMR: a primeira aos 12 meses de idade e a segunda entre 4 e 6 anos. Além disso, é crucial restabelecer o financiamento do Medicaid para garantir que a vacina seja gratuita e amplamente disponível.
Autoridades de saúde pública também devem investir em estratégias de comunicação que combatam a desinformação, utilizando dados científicos claros e acessíveis. Programas de educação nas escolas e parcerias com líderes comunitários podem ajudar a reconquistar a confiança dos pais.
Por fim, a vigilância epidemiológica deve ser intensificada, com monitoramento em tempo real dos casos e resposta rápida a novos surtos. Apenas um esforço coordenado entre governos federais, estaduais e locais, aliado a um compromisso firme da população em vacinar, poderá impedir que o sarampo volte a causar mortes evitáveis nos Estados Unidos.








