Na manhã desta terça‑feira, 3 de outubro de 2024, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não está analisando propostas de tabelar a taxa Selic ou de queimar reservas cambiais para enfrentar uma possível fuga de capitais. O pronunciamento foi feito em Brasília, durante coletiva de imprensa da pasta, e responde a especulações alimentadas pela imprensa sobre um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o economista André Lara Resende.
Posicionamento oficial de Durigan
Durigan deixou claro que não há agenda marcada entre Lula e o economista, apesar de relatos publicados pelo jornal O Globo. “Vários economistas se colocam à disposição para dialogar, mas não há nada agendado”, disse o ministro em nota enviada à imprensa.
Ele ressaltou que a política econômica do governo continua baseada em transparência e previsibilidade, princípios que guiaram a gestão desde a primeira fase do mandato. “Não estamos avaliando medidas como tabelar juros ou queimar reservas”, acrescentou Durigan.
Reações de Mercadante e do governo
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES e aliado histórico de Lula, também negou que haja discussões internas sobre as ideias de Lara Resende. Em entrevista, Mercadante afirmou que o governo segue seu plano de governo elaborado durante a campanha de 2022 e que a nova equipe terá autonomia para definir estratégias.
Segundo Mercadante, a discussão sobre o quarto mandato começará a partir de terça‑feira, quando o presidente deverá iniciar a agenda de encontros com lideranças políticas e econômicas. O ministro destacou que a equipe econômica deve ser construída com base em critérios técnicos, sem pressões externas.
Contexto das propostas de André Lara Resende
Em setembro passado, André Lara Resende divulgou um documento que propõe um novo arranjo entre política fiscal e monetária, visando reduzir a taxa Selic. O plano sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional com metas de médio prazo, além de uma redução gradual da taxa básica de juros ao longo de doze meses.
O economista propõe que o Banco Central reduza a Selic para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread de segurança de 2%, o que resultaria em aproximadamente 7,5% ao ano. O spread seria revisado periodicamente até ser eliminado.
Atualmente, a Selic encontra‑se em 13,75% ao ano, definida pelo Copom. Lara Resende critica a taxa como “extraordinariamente alta” e aponta que a solução está em superar preconceitos ligados a teorias econômicas consideradas anacrônicas.
- Redução gradual da Selic em 12 meses;
- Criação de Conselho Fiscal e Monetário Nacional;
- Metas fiscais e monetárias de 4 a 5 anos;
- Spread de segurança de 2% sobre crescimento potencial.
Impacto no mercado e nas redes sociais
A divulgação das propostas gerou reação imediata nos mercados financeiros, com volatilidade nas bolsas e nos contratos de câmbio. Alguns analistas temeram que a discussão de queimar reservas poderia sinalizar risco de desvalorização da moeda.
Gleisi Hoffmann, deputada federal e ex‑ministra das Relações Institucionais, defendeu publicamente o artigo de Lara Resende, chamando‑o de “fundamental para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal brasileira”. Em outra publicação, a parlamentar criticou o que considerou um “DNA autoritário” do mercado financeiro diante das especulações.
Apesar das especulações, o governo manteve a postura de que não há agenda confirmada e que as decisões econômicas seguirão o cronograma estabelecido pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central. A expectativa é de que, nos próximos dias, o presidente Lula apresente diretrizes mais claras para o quarto mandato, incluindo a definição de prioridades fiscais e monetárias.
Enquanto isso, a população e os investidores aguardam sinais de estabilidade. O discurso de Durigan reforça a mensagem de continuidade e de compromisso com a estabilidade macroeconômica, elementos considerados essenciais para a confiança dos agentes econômicos.








