O ex-militar britânico Karl Bushby chegou nesta segunda‑feira, 2 de outubro, à sua cidade natal, Hull, no nordeste da Inglaterra, concluindo uma caminhada que durou 28 anos e atravessou quase 50 mil quilômetros.
Sem usar nenhum meio de transporte motorizado, o aventureiro percorreu continentes, desertos, florestas e mares, cumprindo o objetivo que havia traçado quando saiu da sua casa aos 29 anos.
A jornada épica ao redor do planeta
Iniciada no sul do Chile em 1998, a travessia de Bushby passou por 29 países, incluindo a América do Sul, América do Norte, a Rússia, a Ásia Central e a Europa. Cada etapa foi marcada por desafios físicos e psicológicos que testaram os limites humanos.
Entre os momentos mais memoráveis, ele cruzou o Estreito de Bering a pé, enfrentou o frio extremo do Ártico e nadou o Canal da Mancha, partindo da costa norte da França e chegando a uma praia perto de Dover, no sul da Inglaterra.
- Chile (ponto de partida)
- Estados Unidos e Canadá
- Rússia (atravessou o Estreito de Bering)
- Países da Ásia Central: Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão
- Reino Unido (Hull)
Ao longo da caminhada, Bushby manteve duas regras fundamentais: nunca usar nenhum veículo motorizado e não retornar à sua terra natal até completar o percurso. Essas regras lhe garantiram a autenticidade da jornada, mas também geraram complicações burocráticas.
Desafios e interrupções ao longo de quase três décadas
Os 28 anos de caminhada foram interrompidos diversas vezes por questões externas. A Rússia negou-lhe o visto por vários anos, impedindo a continuação da travessia pelo extremo leste. A crise financeira de 2008 paralisou o financiamento da expedição, enquanto a pandemia de Covid‑19 trouxe novas restrições de fronteira.
Segundo o próprio Bushby, esses períodos de pausa somaram cerca de 14 dos 28 anos totais da aventura. Durante as interrupções, ele viveu temporariamente em diferentes países, como o México, onde trabalhou em projetos locais para se sustentar.
Quando as condições permitiam, ele retomava a caminhada exatamente do ponto onde havia parado, demonstrando uma disciplina impressionante e um comprometimento inabalável com o objetivo original.
O retorno emocionante e a última etapa
Após a cerimônia organizada pela prefeitura de Hull, o explorador, agora com 57 anos, seguiu para a última etapa da jornada: a casa da mãe, Angela, onde reencontrará o filho Adam, de 32 anos, e conhecerá a neta de 12 anos.
O reencontro foi marcado por emoções fortes. Bushby descreveu a recepção como “absolutamente impressionante” e ressaltou que o apoio de amigos, familiares e da comunidade local foi essencial para concluir a missão.
Um pequeno grupo, incluindo seu pai, o aguardou em uma praia perto de Dover, onde o aventureiro chegou depois de atravessar a nado o Canal da Mancha. O momento foi registrado por câmeras, pois o cineasta alemão Werner Herzog e sua equipe acompanharam a etapa final para produzir o documentário “Walk of Life”.
A produtora do filme ofereceu apoio financeiro e logístico nos últimos 16 anos, permitindo que Bushby mantivesse o ritmo da caminhada mesmo diante das adversidades.
Em entrevista recente ao AFP, o explorador admitiu sentir apreensão ao pensar em retomar uma vida “normal” no Reino Unido, mas também expressou esperança de que sua história inspire outras pessoas a superarem limites pessoais.
“Não tem sido fácil, mas este era justamente o objetivo: demonstrar que eu podia fazer mais do que acreditava ser capaz de fazer. Todos podemos alcançar muito mais do que imaginamos”, declarou Bushby, reforçando a mensagem de perseverança que permeia sua trajetória.
Com o retorno a Hull, a jornada de Karl Bushby se encerra, mas seu legado permanece como um exemplo de coragem, determinação e a busca incessante por desafios que transcendem fronteiras.








