Na véspera das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro de 2026, os eleitores dos Estados Unidos demonstram um clima de pessimismo em relação à economia. O foco está nos preços elevados, na inflação persistente e nas políticas adotadas pelo governo atual. Essa percepção surge enquanto o país se prepara para decidir se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso.
Cenário econômico: indicadores positivos e desafios persistentes
Os dados macroeconômicos apontam para um panorama misto. Por um lado, a taxa de desemprego permanece historicamente baixa, registrando 4,2% em setembro, e o número de empregos criados é o maior da última década. Por outro, a inflação, embora abaixo dos picos de anos anteriores, ainda está acima da meta do Federal Reserve, pressionando o orçamento das famílias.
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acelerou para 3,4% no último trimestre, sinalizando um ritmo sólido de expansão. Entretanto, esse avanço tem sido impulsionado, em grande parte, por investimentos em tecnologia, especialmente em inteligência artificial (IA), que ainda não se traduz em benefícios amplos para toda a população.
Os preços dos combustíveis, da energia elétrica e dos alimentos continuam elevados, afetando diretamente o poder de compra dos consumidores. Muitos atribuem esses aumentos às tarifas comerciais e ao conflito em curso com o Irã, políticas que o presidente Donald Trump defende como necessárias para a segurança nacional.
- Preços de combustíveis em alta
- Tarifas comerciais elevadas
- Conflito com o Irã
- Inflação acima da meta
A percepção dos consumidores e os índices de confiança
Pesquisas recentes revelam que o sentimento dos consumidores piorou desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. Enquanto o Conference Board registrou uma leve melhora em outubro, o índice de confiança da Universidade de Michigan atingiu um dos menores patamares de sua história.
Essa divergência indica que a confiança dos consumidores pode ser influenciada por fatores diferentes dos indicadores tradicionais. O Conference Board, por exemplo, mede a percepção de disponibilidade de empregos, enquanto a Universidade de Michigan foca em expectativas de renda e gastos futuros.
Os americanos relatam que o custo de abastecer o carro, pagar contas de serviços públicos e comprar alimentos tem consumido uma parcela maior de sua renda disponível. Essa sensação de aperto no bolso alimenta o ceticismo em relação ao desempenho econômico do governo.
Mercado de trabalho e desemprego em baixa histórica
O mercado de trabalho continua sendo o ponto mais positivo da conjuntura econômica. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão próximos do menor nível em 57 anos, refletindo a estabilidade das vagas existentes.
Apesar da estabilidade, há sinais de rigidez: as empresas não estão contratando em ritmo acelerado e recém-formados enfrentam dificuldades para ingressar no mercado. Ainda assim, não há registro de demissões em massa, o que reforça a resiliência do setor.
O indicador que compara a percepção de abundância de vagas versus a dificuldade de encontrar emprego subiu no último mês, apontando para uma melhora na confiança dos trabalhadores. Essa tendência tem sido destacada pelos candidatos republicanos como prova de que a política econômica de Trump está gerando resultados.
Investimentos em IA, bolsas de valores e patrimônio familiar
O investimento em inteligência artificial disparou, crescendo a uma taxa anualizada de 12,7% no último trimestre. Esse fluxo de capital tem impulsionado o desempenho das principais bolsas americanas, que registraram dezenas de recordes ao longo do ano.
A maioria dos americanos possui algum investimento em ações, embora a distribuição seja desigual: famílias de alta renda concentram a maior parte dos ativos e, consequentemente, os maiores ganhos de patrimônio. Esse aumento de riqueza tem sustentado o consumo, que permanece como motor central do crescimento econômico.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, comentou que, apesar do pessimismo nas pesquisas, o comportamento do consumidor se mantém sólido. Ele destacou que o consumo ainda está alimentando a expansão do PIB, mesmo com a inflação pressionando as despesas cotidianas.
Entretanto, economistas alertam que o cenário pode esconder fragilidades. O crescimento baseado em tecnologia de ponta pode ser vulnerável a choques regulatórios, enquanto a dependência de um mercado de trabalho estável pode ser testada por mudanças demográficas e por uma eventual desaceleração global.
Em resumo, os eleitores chegam às urnas com uma visão contraditória: reconhecem indicadores positivos como o baixo desemprego e o crescimento do PIB, mas sentem o peso da inflação e dos custos de vida. Essa dualidade será decisiva para definir se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso nas eleições de 3 de novembro.








