Na manhã de domingo, 1º de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro utilizou a rede social X para afirmar que não se arrepende de nenhuma de suas ações recentes e, ao mesmo tempo, lançou duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O discurso foi feito enquanto o parlamentar permanecia fora do Brasil, após a derrota nas eleições presidenciais.
Contexto da derrota e a saída do país
Flávio Bolsonaro havia sido apontado como candidato de oposição ao governo, acumulando mais de 59 milhões de votos nas últimas semanas de campanha. Contudo, a derrota no segundo turno provocou uma reviravolta inesperada. Poucos minutos após a divulgação dos resultados, o senador deixou o território nacional em um voo particular, cuja origem foi vinculada a um contato próximo ao ex‑presidente dos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o voo teria sido providenciado por um empresário ligado ao círculo de Donald Trump, gerando especulações sobre a real motivação da viagem. O senador alegou que a saída foi estratégica, visando garantir liberdade para expor sua versão dos fatos sem restrições judiciais.
Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio declarou que não “saiu do Brasil”, mas sim “saiu pelo Brasil”, enfatizando que sua missão seria defender a população contra o que ele denominou de perseguição política.
Acusações contra o ministro Alexandre de Moraes
Em sua publicação no X, o senador acusou o ministro Alexandre de Moraes de agir com “má vontade” ao ordenar a apreensão de seus passaportes logo após a confirmação da derrota eleitoral. Flávio descreveu a medida como parte de um plano para intimidar opositores e restringir a liberdade de expressão.
Ele ainda fez referência a um suposto “revirar nas calcinhas das minhas filhas”, linguagem que, embora crua, buscou ilustrar o que considerou um abuso de poder por parte da magistratura. O senador ainda citou o ministro Cristiano Zanin, apontando para um histórico de críticas ao Brasil em fóruns internacionais sobre direitos humanos.
Para reforçar sua argumentação, Flávio listou os principais pontos que, segundo ele, demonstram a parcialidade do STF:
- Decisão judicial imediata após a eleição;
- Medidas cautelares que impediram sua circulação;
- Acusações de perseguição política sem evidências concretas.
Ele concluiu afirmando que não há “remédio eficaz no Brasil para cessar violações a direitos humanos”, ecoando uma frase atribuída ao colega de toga, o ministro Zanin.
Desdobramentos políticos e próximos passos de Flávio
A repercussão do discurso de Flávio Bolsonaro tem potencial para alterar o cenário político nas próximas eleições legislativas de 2027. Analistas apontam que o Partido Liberal (PL) pode perder influência nas disputas pelo controle da Câmara dos Deputados e do Senado.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem sinalizado abertura para alianças com a direita, enquanto Hugo Motta, presidente da Câmara, recebeu apoio de legendas do Centrão para sua reeleição. Essas movimentações sugerem que a base de apoio ao PL está em processo de reconfiguração.
Flávio anunciou que, nos próximos dias, concederá entrevistas a veículos de imprensa “sem cortes, sem filtro”, prometendo revelar detalhes que, segundo ele, não podem ser divulgados enquanto permanece no Brasil. Ele afirmou que essas declarações servirão para “mostrar o que ninguém mais pode dizer estando no país”.
Além das entrevistas, o senador indicou que pretende iniciar uma campanha de mobilização nas redes sociais, visando pressionar o STF e o governo a revogar as medidas cautelares impostas contra ele. Essa estratégia inclui a criação de um site oficial e a organização de encontros com lideranças regionais.
Por fim, Flávio Bolsonaro destacou a situação de seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta processos judiciais e está afastado da vida pública. O senador usou o caso familiar para reforçar sua narrativa de perseguição política, argumentando que a justiça está sendo usada como ferramenta de retaliação.








