A pesquisa publicada na revista Advances in Nutrition revelou quais alimentos devem integrar a chamada “pirâmide alimentar internacional”, um guia que reúne evidências científicas de mais de 250 estudos e foi elaborado por 22 nutricionistas de diferentes continentes. O estudo foi divulgado em setembro de 2024 e tem como foco orientar escolhas alimentares saudáveis em todo o mundo, respeitando as particularidades culturais e regionais.
Contexto e motivação da iniciativa
Nos últimos anos, a dieta mediterrânea tem sido apontada como modelo de alimentação equilibrada, mas sua adoção nem sempre é viável em países onde peixes, azeite e determinados vegetais são escassos ou caros. Diante desse desafio, pesquisadores buscaram criar um referencial que fosse ao mesmo tempo científico e adaptável a diferentes realidades.
A cientista Karen Della Corte, da Universidade Brigham Young, explicou que o objetivo era “traduzir um extenso conjunto de evidências em uma pirâmide coerente e prática”. Essa intenção surge num cenário em que as recomendações nutricionais evoluem rapidamente, mas os princípios básicos – alimentos in natura, menor consumo de carne vermelha e redução de ultraprocessados – permanecem constantes.
Metodologia e principais achados
Para construir a pirâmide, a equipe analisou publicações internacionais, comparou as diretrizes da Dieta da Saúde Planetária EAT‑Lancet e revisou as recomendações de países como Canadá, Alemanha, Austrália, China, Holanda, Estados Unidos e nações nórdicas. A partir desses dados, três pilares foram definidos: qualidade dos alimentos, diversidade de fontes nutricionais e sustentabilidade ambiental.
O resultado foi um modelo que privilegia alimentos ricos em nutrientes, permite a presença de gorduras saudáveis e elimina a necessidade de grãos refinados. Os alimentos foram agrupados em quatro níveis, que vão desde a base – vegetais, frutas e legumes – até o topo, que recomenda consumo moderado de proteínas animais.
- Base da pirâmide: vegetais folhosos, frutas variadas, legumes, tubérculos e leguminosas.
- Segundo nível: cereais integrais como arroz integral, quinoa, aveia e trigo sarraceno.
- Terceiro nível: fontes de proteína magra, incluindo peixes gordurosos (salmão, sardinha), aves sem pele, ovos, tofu e tempeh.
- Quarto nível (topo): gorduras vegetais como azeite extravirgem, óleo de canola e óleo de abacate; consumo limitado de carnes vermelhas e processadas.
Além disso, a pesquisa destaca a importância de reduzir alimentos ultraprocessados, que costumam ser ricos em sódio, açúcares adicionados e gorduras trans. A substituição desses produtos por opções frescas ou minimamente processadas é um dos principais conselhos da pirâmide.
Aplicando a pirâmide no dia a dia
Embora a estrutura seja universal, a escolha dos alimentos pode variar conforme a disponibilidade local. Por exemplo, em regiões onde o peixe é raro, a proteína pode ser obtida a partir de leguminosas, ovos ou carnes magras de origem bovina ou suína criadas de forma sustentável.
Os nutricionistas recomendam montar o prato em três partes: metade do prato com vegetais e frutas, um quarto com cereais integrais ou tubérculos e o último quarto com proteínas magras. Essa divisão garante equilíbrio de macro e micronutrientes, ao mesmo tempo que respeita hábitos culturais.
Para facilitar a adoção, a equipe propôs um guia visual que pode ser impresso ou acessado em aplicativos de saúde. O guia inclui ícones representando cada grupo alimentar e sugestões de porções diárias, permitindo que famílias, escolas e restaurantes adaptem o modelo às suas rotinas.
Outra recomendação importante é a prática de meal prepping, ou preparação antecipada das refeições. Ao planejar o cardápio semanal com base nos grupos da pirâmide, é possível garantir a variedade de cores e nutrientes, reduzir o desperdício e economizar tempo.
Por fim, a pesquisa ressalta que a educação alimentar continua sendo o fator-chave para o sucesso da iniciativa. Programas de ensino nas escolas, campanhas públicas e parcerias com produtores locais podem ampliar o acesso a alimentos saudáveis e tornar a pirâmide realmente internacional.








