A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta quinta‑feira, 29 de outubro de 2026, a aprovação de cinco novas canetas injetáveis da classe dos agonistas dos receptores de GLP‑1. Os registros foram divulgados no Diário Oficial da União e ampliam o portfólio de medicamentos disponíveis para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil.
Contexto da aprovação
A decisão da Anvisa chega em um momento de crescente demanda por terapias que combinam controle glicêmico e redução de peso. O Ministério da Saúde havia solicitado, em agosto de 2025, a priorização da análise de produtos contendo liraglutida e semaglutida, visando suprir necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além da pressão institucional, o aumento de vendas no mercado paralelo de injeções não regulamentadas acelerou a necessidade de ampliar o leque de opções seguras e monitoradas. A agência destacou que a ampliação do registro não implicou em flexibilização dos critérios de segurança.
Detalhes das canetas registradas
As cinco novas canetas são baseadas em duas substâncias já conhecidas: liraglutida e semaglutida. Ambas mimetizam um hormônio intestinal que regula o apetite e a glicose sanguínea, proporcionando controle metabólico e perda de peso.
A seguir, a lista oficial das canetas aprovadas, com suas indicações específicas:
- Liraglutida 1,8 mg – indicada para tratamento de diabetes tipo 2.
- Liraglutida 3,0 mg – indicada para controle de obesidade em pacientes com IMC ≥30 kg/m².
- Semaglutida 0,5 mg – indicada para diabetes tipo 2 em combinação com dieta e exercício.
- Semaglutida 1,0 mg – indicada para diabetes tipo 2, com possibilidade de intensificação da dose.
- Semaglutida 2,4 mg – indicada exclusivamente para redução de peso em casos de obesidade ou sobrepeso com comorbidades.
Cada formulação foi avaliada quanto à eficácia, perfil de segurança e qualidade de produção. As doses variam para atender diferentes estágios da doença e perfis de pacientes.
Processo de análise da Anvisa
Leandro Safatle, diretor‑presidente da Anvisa, explicou que o órgão revisou 24 solicitações ao longo do último ano, concluindo 11 processos, dos quais seis receberam aprovação e cinco foram rejeitados. O exame incluiu análise de dossiês técnicos, estudos clínicos e inspeção das linhas de produção.
A agência enfatizou que a aceleração do processo não comprometeu a exigência de evidências robustas sobre eficácia e segurança. Cada registro passou por avaliação de risco‑benefício, considerando efeitos adversos como náuseas, vômitos, diarreia e, em casos raros, pancreatite aguda.
A inspeção das fábricas também verificou a conformidade com boas práticas de fabricação (BPF), garantindo que os produtos atendam aos padrões internacionais de qualidade.
Orientações para pacientes e profissionais de saúde
Embora as canetas sejam eficazes, a Anvisa reforça que seu uso deve ser sempre prescrito por médico habilitado. A escolha da formulação depende da resposta individual, histórico clínico e presença de comorbidades.
Profissionais de saúde precisam monitorar pacientes quanto a efeitos colaterais gastrointestinais e realizar exames de rotina de enzimas pancreáticas. Caso ocorram sinais de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido imediatamente.
Os pacientes também devem ser orientados a adquirir os medicamentos apenas em farmácias autorizadas, evitando o risco de adquirir produtos falsificados ou manipulados ilegalmente.
O acompanhamento regular permite ajustes de dose, avaliação de perda de peso e controle glicêmico, garantindo que os benefícios superem os riscos potenciais.
Em suma, a aprovação das cinco novas canetas representa um avanço significativo para o manejo integrado de diabetes e obesidade no Brasil, ao mesmo tempo em que destaca a importância de um uso responsável e supervisionado.








