Três irmãos, dois deles corretores de imóveis de luxo, foram condenados nesta terça‑feira, 27 de outubro, a 30 anos de prisão cada um, por drogar e estuprar dezenas de mulheres nos Estados Unidos.
A sentença foi proferida no tribunal federal de Manhattan, em Nova York, após um julgamento que durou cinco semanas e contou com o depoimento de mais de setenta vítimas.
Como os crimes foram planejados e executados
Os irmãos Alexander utilizavam suas carreiras de alto nível para atrair mulheres em festas exclusivas e residências luxuosas.
Tal Alexander, de 40 anos, e os gêmeos Oren e Alon, de 39, ofereciam viagens de avião para destinos como Aspen e Bahamas, sob a promessa de experiências de luxo.
Durante essas viagens, eles adicionavam drogas às bebidas das vítimas, o que facilitava a prática dos abusos.
Os relatos das sobreviventes apontam que os irmãos:
- Distribuíam presentes caros para ganhar confiança.
- Controlavam fisicamente as mulheres, imobilizando‑as enquanto consumiam as drogas.
- Ignoravam gritos e pedidos de interrupção, perpetuando o abuso.
O método foi refinado ao longo dos anos, começando em 2008 e se estendendo até 2022, quando a última denúncia conhecida foi registrada.
Além de Tal e Oren, que trabalhavam como corretores na Douglas Elliman e fundaram a empresa Official, Alon atuava na Kent Security, empresa de segurança da família.
O julgamento e as vozes das vítimas
Durante o julgamento, doze vítimas foram ouvidas na manhã de terça‑feira, incluindo uma que não havia testemunhado na fase inicial.
Elas descreveram o trauma psicológico, a vergonha corporal e o medo constante que permaneceram após os abusos.
Maya Miller relatou que, desde o estupro em 2014, carrega um “funeral silencioso” pela pessoa que poderia ter sido.
Isa Brooks, que tinha apenas 16 anos quando foi violentada, afirmou que perdeu a confiança em si mesma e passou a viver com medo.
Outra testemunha contou que foi ameaçada por Tal Alexander antes de conseguir denunciar o crime.
Os advogados de defesa pediram penas de 15 anos, argumentando que os réus eram pais dedicados e que suas famílias sofreriam com a ausência.
A promotora Elizabeth Espinosa, porém, solicitou a pena máxima, defendendo que os crimes mereciam prisão perpétua.
A juíza Valerie Caproni, antes de anunciar a sentença, declarou que a conduta dos irmãos foi “monstruosa” e que a negação dos fatos não poderia ser considerada para atenuar a punição.
Repercussões, condenação e futuro
A sentença de 30 anos para cada um dos irmãos foi recebida como um marco no combate a crimes de abuso sexual cometidos por indivíduos em posições de poder.
Especialistas em direito penal destacam que a decisão reforça a importância de levar em conta o número de vítimas e a gravidade dos métodos utilizados.
O caso também levantou discussões sobre a cultura de impunidade que pode existir em ambientes de luxo, onde o status econômico muitas vezes silencia as vítimas.
Organizações de apoio a sobreviventes de violência sexual celebraram a condenação, mas alertaram que ainda há muitas histórias não contadas.
Para o futuro, a promotoria pretende monitorar a execução das penas e garantir que os irmãos não tenham acesso a recursos que possam facilitar novos abusos.
Além disso, a sentença serve como alerta para o setor imobiliário de alto padrão, que deverá revisar suas práticas de recrutamento e relacionamento com clientes.
Os advogados de defesa ainda podem recorrer da decisão, embora a juíza tenha enfatizado que a gravidade dos crimes dificulta a reversão da sentença.
Enquanto isso, as vítimas continuam a buscar apoio psicológico e a compartilhar suas histórias, contribuindo para a conscientização pública sobre a necessidade de proteger mulheres em ambientes de luxo.
O caso Alexander será lembrado como um exemplo de como a justiça pode alcançar até mesmo aqueles que, antes, pareciam intocáveis.








