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Lincoln Gakiya, referência no combate ao PCC, é mencionado para assumir futuro Ministério da Segurança Pública

O promotor Lincoln Gakiya foi apontado como possível titular do Ministério da Segurança Pública, projeto que deve ser criado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A informação surgiu na última semana, poucos dias antes do segundo turno das eleições, durante um jantar em São Paulo. O encontro contou com Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula no estado, que questionou o promotor sobre os maiores desafios da segurança nacional.

Contexto político e a criação da pasta

O governo Lula tem defendido a criação de um Ministério da Segurança Pública desde o início de seu mandato. A proposta depende da aprovação da PEC da Segurança Pública, que já avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e segue para votação no plenário. Caso a medida seja aprovada, o novo órgão terá a missão de coordenar políticas de combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e à violência urbana.

Até o momento, não há convite formal para nenhum candidato, e tanto Lula quanto seu gabinete evitam confirmar nomes. A estratégia do presidente parece ser manter a negociação em aberto, permitindo que diferentes perfis – técnicos, policiais ou políticos – disputem a vaga.

Perfil e trajetória de Lincoln Gakiya

Lincoln Gakiya atua no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) da cidade de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Ele ingressou no Ministério Público em 1996 e, dez anos depois, recebeu a missão de desmantelar a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região. Desde então, tornou‑se um dos principais investigadores do crime organizado no Brasil.

Devido às ameaças constantes, Gakiya vive sob escolta armada 24 horas por dia. O risco à sua integridade e à de sua família é tão alto que ele chegou a receber o primeiro decreto de morte enquanto estava em licença‑paternidade.

Em 2019, o promotor liderou a transferência de 22 chefes do PCC para presídios de segurança máxima, após descobrir um plano da facção para resgatar seus líderes da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Essa ação foi considerada um marco no combate ao crime organizado.

Desafios e estratégias no combate ao PCC

Durante o jantar, Gakiya foi questionado sobre os principais obstáculos que o futuro Ministério da Segurança Pública deverá enfrentar. Ele enumerou alguns pontos críticos, destacando a necessidade de:

  • Integração entre as polícias federal, civil e militar;
  • Intensificação da inteligência de dados para antecipar ações do crime organizado;
  • Fortalecimento de programas de prevenção nas comunidades vulneráveis;
  • Proteção de agentes do MP, policiais e magistrados contra retaliações.

O promotor também ressaltou a importância de políticas de reinserção social para ex‑presidiários, argumentando que a exclusão econômica alimenta o recrutamento de novos membros do PCC.

Em entrevista ao programa “Conversa com Bial”, Gakiya comparou o isolamento que sua família viveu com o isolamento imposto aos integrantes da facção, evidenciando o custo humano da guerra contra o crime.

Possíveis cenários para a nomeação

Além de Lincoln Gakiya, outros nomes circulam como potenciais titulares da pasta. Um dos mais citados é o ex‑ministro da Educação Camilo Santana, que traz experiência política e conhecimento de políticas públicas. A escolha de Lula pode pender para um perfil técnico – como o de Gakiya – ou para um líder com maior atuação política.

Se a nomeação recair sobre Gakiya, o Ministério da Segurança Pública pode ganhar um líder com experiência prática de campo, capaz de articular estratégias de repressão e prevenção simultaneamente. Por outro lado, um nome como Camilo Santana poderia enfatizar a integração de políticas sociais com a segurança, buscando soluções de longo prazo.

Independentemente do nome escolhido, a criação da pasta representa um passo importante na agenda de segurança do governo Lula, que busca responder às demandas da população por mais ordem e proteção.

O futuro do Ministério da Segurança Pública ainda depende da aprovação da PEC no Congresso. Enquanto a votação não se concretiza, nomes como Lincoln Gakiya permanecem no centro das especulações, reforçando a expectativa de que o combate ao PCC e a outras organizações criminosas ganhe ainda mais força institucional.

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