Na noite de terça‑feira, 27 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro embarcou em um voo privado no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na fronteira entre Brasil e Argentina, rumo aos Estados Unidos. O movimento foi monitorado de perto por Santiago Caputo, assessor político do presidente argentino Javier Milei, conforme revelou a imprensa local.
A operação no Aeroporto de Puerto Iguazú
Segundo reportagens do jornal Clarín, Caputo acompanhou a logística desde o início, quando empresas vinculadas à Embaixada dos EUA contrataram a companhia argentina Baires Fly S.A. para operar um Gulfstream de matrícula LV‑JQW. A aeronave permaneceu no terminal argentino desde a noite de segunda‑feira até as 00h21 de quarta‑feira, quando decolou com Bolsonaro e sua família.
O itinerário incluiu uma escala em Guayaquil, Equador, antes de seguir para Miami. Fontes da Casa Rosada afirmaram que autoridades brasileiras, ainda não identificadas, foram notificadas sobre a partida, indicando um possível alinhamento diplomático entre os três países.
Antes de cruzar a fronteira, Flávio Bolsonaro, sua esposa Fernanda e as duas filhas permaneceram hospedados em uma fazenda em Foz do Iguaçu, no Paraná. A travessia foi feita pela Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50, horário local, e a chegada ao aeroporto argentino ocorreu poucos minutos depois.
Reações e declarações de Santiago Caputo
Caputo, conhecido na mídia argentina como “O Mago do Kremlin”, utilizou sua conta no X (ex‑Twitter) para publicar mensagens enigmáticas durante o desenrolar dos fatos. Às 10h43, postou uma imagem do filme “O Grande Truque”, dirigida por Christopher Nolan, sugerindo uma jogada de ilusão.
Minutos antes de o órgão de imigração argentino emitir um comunicado negando a entrada de Bolsonaro no país, Caputo fez declarações que reforçaram sua influência sobre os Serviços de Inteligência (SIDE). Mais tarde, às 14h, comentou que a imprensa estava “escrevendo boatos baseados em boatos”, classificando a cobertura como um “vexame”.
Na madrugada, às 1h24, após a partida bem‑sucedida, Caputo voltou a atacar a mídia, afirmando que a cobertura jornalística daquele dia seria “um dos maiores vexames da história do jornalismo mundial”. O tom agressivo reforçou a percepção de que ele atua como porta‑voz de uma estratégia mais ampla de Milei.
Implicações políticas entre Brasil, Argentina e EUA
A presença de Caputo no aeroporto alimentou suspeitas de colaboração direta do governo argentino na fuga do senador, que havia sido proibido de deixar o Brasil por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a investigações em curso. O jornal La Nación destacou que a operação contou com apoio logístico dos Estados Unidos, sugerindo um acordo de cooperação entre as duas nações.
Especialistas apontam que a ação pode gerar tensões diplomáticas, já que a saída de Bolsonaro contraria decisões judiciais brasileiras. Ao mesmo tempo, a resposta rápida das autoridades argentinas, que permitiram a partida, pode ser vista como um gesto de alinhamento político com a nova administração de Milei.
Analistas de relações internacionais ressaltam que a situação evidencia a complexidade das alianças na América do Sul, onde interesses econômicos, de segurança e ideológicos se entrelaçam. A participação de uma empresa aérea argentina e de representantes do governo dos EUA indica que a operação foi planejada com antecedência e recursos consideráveis.
Para o público brasileiro, a fuga de Flávio Bolsonaro levanta questões sobre a eficácia das restrições judiciais e a capacidade de autoridades nacionais de impedir deslocamentos internacionais de figuras políticas sob investigação. A reação da mídia argentina, que tem coberto o caso de forma intensiva, também demonstra a importância do tema nas narrativas regionais.
Em síntese, a operação de fuga de Flávio Bolsonaro, monitorada por Santiago Caputo, revela um cenário de cooperação transnacional que pode reverberar nas próximas discussões sobre soberania, justiça e alianças estratégicas na América Latina.








