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Candidato a planeta anão além de Plutão pode ser o maior já identificado

O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, anunciou nesta quarta‑feira (27) a descoberta de um novo candidato a planeta anão que orbita além de Plutão. O objeto, temporariamente chamado 2026 ED138, foi detectado ao analisar dados coletados no início de 2026. A equipe responsável destaca que o corpo pode ter entre 600 e 1.500 km de diâmetro, tornando‑se um dos maiores já observados na região transnetuniana.

Descoberta e equipe responsável

A descoberta foi divulgada pelo Centro de Planetas Menores (MPC) da União Astronômica Internacional, que consolidou os dados obtidos pelo Rubin. O pesquisador Matthew Holman, do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, identificou o objeto ao aplicar um algoritmo desenvolvido com Kevin Napier para rastrear movimentos em bilhões de registros.

Holman percebeu que o brilho e a distância sugeriam um tamanho excepcional e iniciou uma investigação aprofundada. O cientista Mario Jurić, da Universidade de Washington, responsável pela área de Sistema Solar no Rubin, encontrou mais 20 observações que datam de 4 de março de 2026, ampliando o histórico de observação.

Ao todo, o telescópio Simonyi do Rubin registrou o corpo 30 vezes em 20 noites entre março e julho de 2026. Imagens da Câmera de Energia Escura (DECam) permitiram rastrear o objeto até 2016, fornecendo mais de uma década de dados orbitais.

Características e tamanho estimado do 2026 ED138

Atualmente, o candidato se encontra a cerca de 46 unidades astronômicas (UA) do Sol, distância superior à de Plutão, que orbita a aproximadamente 40 UA. Essa posição o classifica como objeto transnetuniano (OTN), um grupo que inclui corpos que permanecem além da órbita de Netuno.

A órbita apresenta inclinação de quase 25° em relação ao plano do Sistema Solar, característica típica de OTN clássicos “quentes”. Essa inclinação sugere que o objeto pode ter sido deslocado de sua órbita original por interações gravitacionais com Netuno.

  • Diâmetro estimado: 600 – 1.500 km
  • Distância ao Sol: ~46 UA
  • Inclinação orbital: ~25°
  • Observações: 30 vezes entre 4 mar/2026 e 11 jul/2026

Com base na refletividade (albedo) presumida e no brilho observado, os pesquisadores calculam que o corpo possui massa suficiente para que a gravidade o torne aproximadamente esférico. Essa condição é essencial para a classificação como planeta anão, ao lado de Plutão, Ceres, Éris, Haumea e Makemake.

Importância para a ciência dos objetos transnetunianos

Estudar OTN como o 2026 ED138 ajuda a compreender a formação primitiva do Sistema Solar. Esses corpos preservam vestígios da composição original do disco protoplanetário que deu origem aos planetas gigantes.

Além disso, a presença de um objeto tão grande em uma região tão distante pode indicar processos de migração planetária ainda não totalmente compreendidos. Interações gravitacionais com Netuno ou com planetas ainda não detectados podem ter alterado a trajetória do candidato.

Os cientistas utilizam OTN para testar modelos de evolução dinâmica, como a teoria da “Grande Migração” dos gigantes gasosos. Cada novo objeto descoberto fornece parâmetros adicionais para calibrar simulações computacionais.

Próximos passos e desafios para confirmar a classificação

Embora as estimativas iniciais sejam promissoras, ainda são necessárias observações no infravermelho para determinar o tamanho exato e a composição da superfície. Telescópios como o James Webb (JWST) ou o futuro Vera C. Rubin Survey podem fornecer espectros detalhados.

O próximo objetivo da equipe é medir a albedo com maior precisão, o que reduzirá a margem de erro nas estimativas de diâmetro. Também se planeja monitorar a variação de brilho ao longo da rotação para inferir a forma e possíveis satélites.

Se as medições confirmarem que o corpo possui massa suficiente para alcançar a forma quase esférica, ele será oficialmente adicionado à lista de planetas anões reconhecidos pela IAU. Essa inclusão ampliaria o número de corpos desse tipo para seis, reforçando a diversidade dos objetos do Cinturão de Kuiper e além.

Enquanto isso, o Rubin continua a varrer o céu em busca de novos OTN, demonstrando que a região distante do Sistema Solar ainda guarda segredos que podem mudar a nossa compreensão do cosmos.

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