O Departamento de Estado dos Estados Unidos concedeu visto a Flávio Bolsonaro e autorizou sua entrada no país na manhã desta terça‑feira, 27 de outubro de 2026, após o senador deixar o Brasil em direção à fronteira com a Argentina. A decisão ocorre enquanto o parlamentar está sendo investigado pela Polícia Federal por supostos crimes de lavagem de dinheiro e financiamento de produção cinematográfica.
Procedimento de emissão do visto
Segundo informações fornecidas a uma repórter da TV Globo, a autoridade do Departamento de Estado confirmou que o visto foi emitido para Flávio Bolsonaro e para os membros de sua família. O documento permite a entrada nos Estados Unidos, mas não esclarece se o senador já se encontra em território americano.
O processo de concessão seguiu o protocolo padrão de vistos de categoria B‑2, utilizado para turismo e visitas de curta duração. Contudo, especialistas em imigração ressaltam que a aprovação pode ter sido influenciada por fatores diplomáticos, já que o caso ganhou destaque internacional.
Rotas e movimentação internacional
Fontes da Reuters e do The New York Times relataram que Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos, embora os detalhes da viagem ainda sejam incertos. Um jornal argentino, o Infobae, indicou que o senador cruzou a fronteira com a Argentina em Puerto Iguazú usando seu documento de identidade.
Dados do site de monitoramento de tráfego aéreo FlightRadar24 mostram que um avião partiu de Buenos Aires e chegou a Puerto Iguazú às 23h45 (horário de Brasília). O registro indica que a aeronave permaneceu estacionada na cidade, sem evidências de novo voo imediato.
A BBC News informou que Flávio teria chegado ao estado da Flórida, onde se encontrou com seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Ainda não há confirmação oficial de que ele tenha embarcado em outro avião após a parada em Puerto Iguazú.
Investigações e respostas das autoridades
A Polícia Federal (PF) está conduzindo duas investigações distintas envolvendo Flávio Bolsonaro. A primeira apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que envolveria empresas vinculadas ao advogado Willer Tomaz e apostas esportivas. Ambos negam ser sócios, mas reconhecem a amizade.
A segunda apuração refere‑se ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex‑presidente Jair Bolsonaro. O inquérito busca identificar possíveis irregularidades na captação de recursos para o projeto cinematográfico.
Em 25 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Flávio entregasse seus passaportes. O senador descumpriu a ordem, não apresentando os documentos até o prazo estabelecido às 11h do dia 27.
- Lavagem de dinheiro envolvendo empresas de Willer Tomaz;
- Financiamento suspeito do filme “Dark Horse”;
- Descumprimento de ordem judicial de entrega de passaportes;
- Possível uso de documentos falsos na fronteira argentina;
- Reação do controle de imigração argentino sem registro de entrada.
O controle de imigração argentino afirmou que não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país, corroborando informações divulgadas pelo blog da jornalista Andréia Sadi, que citou a PF.
Impactos políticos e repercussões
A concessão do visto e a subsequente entrada nos EUA geraram intenso debate no cenário político brasileiro. Partidos de oposição acusam o governo dos Estados Unidos de conceder tratamento privilegiado a um senador sob investigação, enquanto aliados de Flávio defendem que o visto segue procedimentos regulares.
Analistas de comunicação ressaltam que a cobertura da imprensa internacional pode influenciar a percepção pública sobre a integridade das instituições brasileiras. A situação também coloca em foco a relação entre Brasil e Estados Unidos, sobretudo em questões de cooperação jurídica e combate à corrupção.
Para o eleitorado, a controvérsia pode se refletir nas próximas eleições, já que Flávio Bolsonaro é candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL). A exposição midiática pode afetar tanto sua base de apoio quanto a imagem do partido.
Enquanto isso, a PF continua a monitorar os movimentos do senador, buscando documentos que comprovem sua presença em território brasileiro ou estrangeiro. A investigação permanece aberta, e novas decisões judiciais podem ser anunciadas nos próximos dias.








