Na manhã de terça‑feira, 27 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos, conforme noticiou a BBC. O desembarque ocorreu na Flórida, estado que tem sido ponto de apoio para membros da família Bolsonaro que residem no exterior.
Rumo à Flórida: a chegada inesperada
Segundo a rede britânica, Flávio chegou ao aeroporto de Miami após uma viagem que ainda gera dúvidas sobre o itinerário exato. O senador teria se encontrado com seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde fevereiro de 2025.
Eduardo, que já ocupou cargos diplomáticos informais, aconselhou Flávio a deixar o Brasil caso fosse derrotado nas eleições de 25 de outubro. A recomendação foi feita em conversas privadas, mas acabou se tornando parte do relato público.
O encontro entre os irmãos aconteceu em um hotel da região metropolitana de Miami, onde foram vistos por fontes próximas ao casal. Não há confirmação oficial de que Flávio tenha passado a residir permanentemente nos Estados Unidos.
Os trâmites de visto e a resposta das autoridades americanas
O Departamento de Estado dos EUA informou que está processando o pedido de visto para Flávio e sua família. A autoridade citada à TV Globo afirmou que a concessão do visto segue os procedimentos padrão para cidadãos brasileiros.
O visto concedido será do tipo B‑2, destinado a turismo e visitas familiares, o que permite a permanência por até 180 dias sem a necessidade de visto de trabalho. Caso a família deseje permanecer mais tempo, será preciso solicitar extensão ou mudar de categoria.
Para esclarecer o processo, o Departamento de Estado costuma publicar uma lista de documentos exigidos, que inclui:
- Passaporte válido com pelo menos seis meses de validade;
- Formulário DS‑160 preenchido online;
- Comprovante de pagamento da taxa consular;
- Documentos que demonstrem laços com o Brasil, como propriedades ou emprego;
- Entrevista presencial no consulado ou embaixada.
Até o momento, não há registro de que o consulado tenha realizado a entrevista, mas fontes próximas ao caso afirmam que a entrevista já foi agendada para a próxima semana.
Rotas, fronteiras e dúvidas sobre o trajeto
Várias versões circulam sobre o caminho percorrido por Flávio ao deixar o Brasil. Um jornal argentino, o Infobae, relatou que o senador teria cruzado a fronteira por Puerto Iguazú, usando seu documento de identidade.
Segundo o site de monitoramento de voos FlightRadar24, um avião saiu de Buenos Aires rumo a Puerto Iguazú e chegou às 23h45, horário de Brasília. Contudo, o registro indica que a aeronave permaneceu estacionada na cidade argentina por várias horas.
Não há confirmação oficial de que Flávio tenha embarcado nesse voo ou que tenha trocado de avião antes de seguir para a Flórida. As autoridades de imigração da Argentina declararam que não há registro de entrada do senador no país.
Outras fontes apontam para a possibilidade de Flávio ter utilizado um voo privado direto da capital brasileira para a Flórida, evitando o controle migratório tradicional. Essa hipótese ainda não foi confirmada.
Contexto jurídico: investigações e decisões judiciais
O caso de Flávio Bolsonaro está sendo acompanhado de perto pela Polícia Federal (PF). A PF informou que não há registro de passagem do senador por nenhum ponto de controle migratório regular no Brasil.
Em 25 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Justiça. O senador descumpriu a ordem, mantendo a documentação em mãos até o prazo final de 11h da terça‑feira.
Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas ligadas ao advogado e apostas esportivas. Ambos negam qualquer vínculo societário ou prática ilícita.
Além disso, a PF abriu inquérito para apurar possível crime relacionado ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex‑presidente Jair Bolsonaro. O senador tem sido citado como potencial financiador.
Até o momento, nenhuma das investigações resultou em prisão ou medida cautelar que impeça a viagem ao exterior. O STF ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de revogação da ordem de entrega dos passaportes.
Especialistas em direito constitucional apontam que a fuga pode ser interpretada como obstrução de justiça, caso se comprove que o senador tentou se esquivar das investigações. No entanto, a defesa argumenta que a viagem foi motivada por questões de segurança pessoal.
O cenário político brasileiro permanece tenso, com a oposição acusando o governo de impunidade e o Partido Liberal defendendo que as investigações são politicamente motivadas. A presença de Flávio nos EUA pode influenciar as estratégias eleitorais para as próximas eleições municipais de 2027.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha o caso com atenção. O New York Times e a Reuters já haviam noticiado a saída do senador antes da confirmação da BBC, reforçando a cobertura global do episódio.
Em resumo, a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos abre uma nova fase nas investigações que já se estendem há mais de um ano. O desfecho dependerá tanto das decisões judiciais brasileiras quanto das políticas migratórias americanas.








