Uma adolescente de 17 anos, Ángela Karime Venegas Hernández, levou o ouro à Feira Internacional de Ciência e Invenções realizada entre 14 e 16 de outubro na Indonésia ao apresentar um extintor de incêndio que utiliza ondas sonoras para extinguir o fogo. O projeto, batizado Vortex Tech, surpreendeu jurados e visitantes ao substituir a espuma tradicional por vibrações de baixa frequência que interrompem a combustão.
Inovação sonora no combate ao fogo
O conceito por trás do extintor acústico nasceu de um vídeo online que mostrava um canhão sônico capaz de apagar chamas. Inspirada pela demonstração, Karime decidiu adaptar a ideia para um dispositivo portátil que pudesse ser usado em situações reais de incêndio.
Ao contrário dos métodos convencionais, que dependem de agentes químicos ou de água, o Vortex Tech gera uma frequência de 30 hertz por meio de um gerador acoplado a uma bateria de 12 volts. Essa frequência é convertida em ondas sonoras por uma buzina e direcionada para um tubo que funciona como canhão.
Quando as ondas atingem a chama, criam turbulência no ar e reduzem temporariamente a disponibilidade de oxigênio, o que interrompe a reação de combustão. O processo não deixa resíduos químicos e pode ser repetido rapidamente, oferecendo uma alternativa limpa e eficiente.
Desenvolvimento e desafios do Vortex Tech
O caminho até o protótipo final durou cerca de um ano e envolveu a construção de cinco versões diferentes. O primeiro modelo conseguiu apagar uma vela, mas apenas após duas tentativas e com dificuldade. Cada iteração trouxe aprimoramentos no gerador de frequência, no design do tubo e na potência da buzina.
Karime contou que o apoio fundamental veio de seu tio, José Arturo Hernández Muñoz, que atuou como orientador e mentor técnico. A colaboração familiar permitiu que a estudante testasse materiais, ajustasse circuitos e superasse obstáculos como o consumo excessivo de energia nas primeiras versões.
- Componentes principais: bateria de 12 V, gerador de frequência, buzina, tubo canhão e amplificador.
- Frequência operacional: 30 Hz, baixa o suficiente para gerar ondas sonoras intensas sem causar danos auditivos.
- Tempo médio de apagamento: menos de 3 segundos após a emissão das ondas.
O processo de teste incluiu simulações em laboratório, experimentos ao ar livre e avaliações de segurança. A estudante também documentou cada falha, transformando-as em oportunidades de aprendizado, o que reforçou sua disciplina científica.
Impactos e perspectivas para a jovem inventora
Ao receber a medalha de ouro, Karime destacou que o reconhecimento representa mais que um troféu; simboliza a perseverança e a confiança nas próprias ideias. Ela afirmou que o Vortex Tech pode abrir caminho para soluções de combate a incêndios em ambientes sensíveis, como laboratórios, museus e até em veículos elétricos.
O sucesso na feira internacional despertou o interesse de universidades e empresas de tecnologia, que passaram a contatar a estudante para possíveis parcerias e estágios. Apesar da oferta, Karime ainda pondera entre seguir carreira em engenharia eletrônica ou mecatrônica, áreas que já estudou no CETis 78 de Altamira.
Além do aspecto técnico, a história da jovem reflete a importância do apoio familiar e institucional na formação de talentos científicos. Seu tio, veterano em feiras de ciência, incentivou a participação em eventos internacionais, proporcionando experiência prática que vai além da sala de aula.
Com o Vortex Tech, Karime demonstra que a criatividade aliada à ciência pode gerar soluções inovadoras para problemas antigos. Seu projeto não apenas ganhou reconhecimento internacional, mas também inspira outras jovens a explorar caminhos não convencionais na engenharia.








