Na terça‑feira, 27 de outubro, eleitores israelenses foram às urnas para decidir o futuro do governo, mas as primeiras projeções de boca de urna apontam para um cenário de impasse. Os blocos liderados pelo primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu e pela oposição de Gadi Eisenkot não devem alcançar a maioria necessária para formar um governo estável. O resultado preliminar indica que a disputa pelo controle do Knesset permanecerá incerta nas próximas semanas.
Projeções de cadeiras e o cenário de impasse
Segundo a pesquisa divulgada pelo Canal 12, o bloco de Netanyahu ficaria com cerca de 50 dos 120 assentos do parlamento, uma queda em relação às 68 cadeiras que detinha na legislatura anterior. A oposição, reunida em torno de Eisenkot, teria 52 lugares, enquanto os partidos árabes poderiam alcançar um recorde de 18 cadeiras.
Para garantir a maioria, são necessários ao menos 61 deputados. Nenhum dos dois blocos chega próximo desse número, o que abre espaço para negociações intensas entre diversas legendas menores.
- Bloco Netanyahu: ~50 cadeiras
- Oposição Eisenkot: ~52 cadeiras
- Partidos árabes: ~18 cadeiras
Esses números sugerem que a formação de coalizões será indispensável, e que o papel dos partidos centrais e de direita moderada pode ser decisivo para definir quem comandará o governo.
Participação recorde e contexto de segurança
O índice de comparecimento chegou a 74,3% às 20h (horário local), segundo o Comitê Central de Eleições, marcando o maior registro desde 1999. Cerca de 7,3 milhões de eleitores estavam aptos a votar, refletindo a alta mobilização da população diante da crise.
O panorama eleitoral acontece poucos meses depois dos ataques de 7 de outubro, lançados pelo Hamas, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e ampliaram as tensões com o Líbano e o Irã. Esse contexto de segurança tem sido o principal tema da campanha.
Estratégias de campanha dos principais candidatos
Benjamin Netanyahu concentrou sua mensagem na experiência em segurança nacional e na aliança com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manifestou apoio ao premiê. O líder israelense destacou sua atuação durante os conflitos como garantia de estabilidade para o país.
Gadi Eisenkot, ex‑comandante militar, criticou o governo por usar o alarmismo como ferramenta política. Ele prometeu criar uma comissão independente para investigar as falhas de segurança que permitiram os ataques de 7 de outubro, atendendo a uma das maiores demandas da sociedade israelense.
Além disso, Eisenkot afirmou que, independentemente do apoio de Trump, o presidente dos EUA trabalharia com qualquer líder eleito democraticamente em Israel, buscando afastar a narrativa de dependência externa.
Próximos passos para a formação do governo
O resultado oficial será apurado até 30 de outubro, com a publicação formal prevista para 4 de novembro, conforme a Reuters. Após a divulgação, o presidente Isaac Herzog iniciará consultas com os líderes partidários para indicar o candidato mais apto a montar uma coalizão.
O indicado terá até 42 dias para formar um governo. Caso não consiga, outros nomes poderão ser chamados, e, em última instância, novas eleições poderão ser convocadas, mantendo o gabinete atual como governo interino.
O sistema eleitoral proporcional de Israel, que favorece a multiplicidade de partidos, garante que a negociação entre legendas será o ponto central para a definição do próximo governo. A capacidade de articular alianças entre partidos de direita, centro‑direita, centro‑esquerda e representantes árabes será o termômetro da estabilidade política nos próximos meses.








