Israel realizará eleições gerais nesta terça‑feira, 27 de outubro de 2026, marcando a primeira votação nacional desde o início da guerra na Faixa de Gaza. O pleito definirá os 120 assentos do Knesset e poderá selar o destino político de Benjamin Netanyahu.
Cenário político e distribuição de cadeiras
As pesquisas de intenção de voto indicam que a aliança liderada por Netanyahu deve conquistar entre 20 e 30 cadeiras, número que o deixa muito próximo da força de oposição liderada por Gadi Eisenkot, ex‑chefe das Forças Armadas. Ambas as siglas competem por um número semelhante de assentos, o que torna a disputa extremamente equilibrada.
A estrutura do parlamento israelense exige que uma coalizão alcance, no mínimo, 61 cadeiras para garantir maioria e, assim, nomear o primeiro‑ministro. Até o momento, nenhuma das duas grandes blocos parece capaz de atingir esse patamar sem apoio adicional.
Além dos dois principais blocos, outras siglas desempenham papéis estratégicos. Entre elas, destaca‑se a extrema‑direita Otzma Yehudit, liderada por Itamar Ben‑Gvir, que tem potencial para obter até nove cadeiras.
- Aliança de Netanyahu: 20‑30 cadeiras previstas.
- Bloco Yashar de Eisenkot: 20‑30 cadeiras previstas.
- Otzma Yehudit (extrema‑direita): até 9 cadeiras.
- Outros partidos menores: somam cerca de 30 cadeiras.
Mesmo somando os partidos da atual coalizão, as projeções sugerem que o total ainda ficará abaixo dos 61 necessários, aumentando a incerteza sobre a formação de governo.
Desafios para a formação de governo
Se nenhuma combinação alcançar a maioria, Israel pode ser obrigado a convocar novas eleições, repetindo um ciclo que já se repetiu cinco vezes entre 2019 e 2022. Esse cenário de instabilidade política tem sido apontado como um risco para a segurança nacional.
Além da questão numérica, há obstáculos ideológicos. A presença de partidos de extrema‑direita na coalizão pode gerar resistência de forças centristas e de partidos árabes que, embora não tenham grande representatividade, podem influenciar negociações.
Outro ponto crítico é o processo judicial contra Netanyahu. O primeiro‑ministro enfrenta várias investigações, incluindo um mandado de prisão internacional, o que pode limitar sua capacidade de negociação dentro do Knesset.
Para contornar a falta de maioria, Netanyahu tem considerado a possibilidade de ampliar acordos com partidos menores, oferecendo cargos ministeriais em troca de apoio. Essa estratégia já foi utilizada em governos anteriores, mas pode gerar críticas sobre a estabilidade da aliança.
A campanha de Netanyahu e a influência externa
Durante a campanha, Netanyahu apostou fortemente no discurso de guerra, ressaltando a necessidade de segurança diante da ameaça iraniana e da continuidade das operações em Gaza. Essa narrativa encontrou eco em parcelas significativas da população, ainda traumatizada pelos ataques de 2023.
Além disso, o primeiro‑ministro buscou capitalizar a relação com o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exibindo outdoors que o mostram lado a lado. Embora a aliança tenha sido abalada por divergências sobre a política ao Irã, a imagem ainda serve como símbolo de apoio internacional.
O uso de imagens e slogans como “Nós temos uma chance para vencer” foi intencionalmente projetado para reforçar a ideia de vitória militar e de continuidade das políticas de segurança.
Entretanto, a estratégia de enfatizar a guerra também atrai críticas de setores que pedem um caminho diplomático e o fim do bloqueio humanitário em Gaza. Organizações de direitos humanos têm denunciado o alto número de civis palestinos mortos, estimado em cerca de 75 mil.
Os adversários de Netanyahu, liderados por Eisenkot, têm adotado uma postura mais moderada, prometendo um plano de reconstrução e de diálogo com a comunidade internacional, embora ainda mantenham uma postura firme contra o Hamas.
Possíveis desdobramentos e riscos de nova eleição
Se o impasse persistir, o presidente israelense pode dissolver o Knesset e convocar novas eleições, prolongando a incerteza política por mais meses. Esse cenário poderia enfraquecer ainda mais a posição de Netanyahu, que já enfrenta baixa popularidade.
Um novo ciclo eleitoral também poderia abrir espaço para partidos emergentes, como movimentos verdes ou de direitos civis, que vêm ganhando apoio entre eleitores jovens cansados de conflitos constantes.
Além das consequências internas, a instabilidade pode afetar as relações de Israel com aliados estratégicos, especialmente os Estados Unidos, que monitoram de perto a situação para ajustar suas políticas de segurança e ajuda militar.
Por fim, a continuação da guerra em Gaza e a pressão internacional por um cessar‑fogo podem influenciar o voto dos eleitores, que podem optar por candidatos que prometam negociações de paz, mesmo que isso signifique abrir mão de algumas políticas de segurança rígidas.








