No domingo, 25 de outubro de 2022, a capital mineira registrou a conclusão do segundo turno das eleições presidenciais, revelando uma disputa acirrada entre o candidato do Partido dos Trabalhadores e o do Partido Liberal. Os resultados mostraram como diferentes áreas da cidade foram decisivas para o desfecho da corrida presidencial.
Contexto das eleições em Belo Horizonte
A capital de Minas Gerais sempre foi considerada um termômetro político do país, refletindo tendências nacionais em suas urnas. No primeiro turno, o candidato do PL havia conquistado todas as 18 zonas eleitorais da cidade, sinalizando uma vantagem confortável. Entretanto, o cenário mudou drasticamente no segundo turno, quando o candidato do PT conseguiu reverter a maioria em cinco zonas estratégicas.
Essas cinco zonas foram decisivas não apenas pelo número de eleitores, mas também pela representatividade socioeconômica dos bairros que as compõem. A virada de Lula em Belo Horizonte espelhou a tendência observada em outros estados do Sudeste, onde o eleitorado urbano mostrou maior propensão ao candidato da esquerda.
Além do aspecto político, a disputa também trouxe à tona questões de mobilização de bases, uso de redes sociais e a influência de campanhas de rua nas áreas mais densamente povoadas.
Variação de votos entre os turnos
Entre o primeiro e o segundo turno, a diferença de votos entre os candidatos foi reduzida de 98.923 para 24.183, demonstrando uma mobilização significativa dos eleitores que inicialmente não haviam comparecido às urnas. Lula acumulou 741.128 votos, um acréscimo de 149.091 em relação ao primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro terminou com 765.311 votos, ganhando 74.351 votos a mais.
Essa mudança de cenário pode ser explicada por três fatores principais: a campanha de incentivo ao voto tardio, a estratégia de alianças locais e a reação do eleitorado a debates e entrevistas televisivas realizadas entre os dois turnos.
O aumento de participação foi particularmente notório nas zonas da Região Leste, onde a presença de jovens e trabalhadores informais impulsionou a votação para o candidato da esquerda.
- Diferença de votos no primeiro turno: 98.923
- Diferença de votos no segundo turno: 24.183
- Acréscimo de votos de Lula: 149.091
- Acréscimo de votos de Flávio Bolsonaro: 74.351
Zonas eleitorais conquistadas por Lula
Lula obteve a maioria dos votos em cinco zonas eleitorais, todas localizadas nas regiões Leste, Centro‑Sul, Nordeste e Barreiro da cidade. Na 28ª zona, que abrange bairros como Saudade, Alto Vera Cruz, Esplanada e Taquaril, o candidato do PT recebeu 52,84% dos votos, superando Flávio Bolsonaro, que ficou com 47,16%.
Na 26ª zona, composta pelos bairros Sagrada Família, Santa Tereza e Santa Inês, Lula também saiu vitorioso, consolidando o apoio nas áreas tradicionalmente operárias da cidade. A 35ª zona, que inclui Serra, Mangabeiras e Cruzeiro, reforçou essa tendência ao registrar a preferência pelo petista.
Outras duas vitórias foram registradas na 331ª zona (Capitão Eduardo, São Gabriel, Ribeiro de Abreu) e na 333ª zona (Milionários, Flávio Marques Lisboa, Bonsucesso), demonstrando que o candidato de esquerda conseguiu atrair eleitores de diferentes perfis socioeconômicos.
Essas conquistas foram fundamentais para reduzir a margem de vantagem de Flávio Bolsonaro e aproximar o resultado final da disputa.
- 28ª ZE – 52,84% para Lula
- 26ª ZE – maioria para Lula
- 35ª ZE – maioria para Lula
- 331ª ZE – maioria para Lula
- 333ª ZE – maioria para Lula
Zonas eleitorais dominadas por Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro manteve a liderança em 13 das 18 zonas eleitorais de Belo Horizonte, reforçando sua base de apoio nas áreas mais tradicionais da classe média alta e nos bairros com maior presença de empresários.
A maior vantagem foi observada na 34ª zona, que reúne bairros como Belvedere, Sion, Cidade Jardim e São Bento, na região Centro‑Sul. Nessa zona, o candidato do PL recebeu 54,77% dos votos, enquanto Lula obteve 45,23%.
Outras zonas que permaneceram favoráveis ao candidato liberal incluíram a 27ª (União, Cidade Nova, Fernão Dias), a 29ª (Glória, Minas Brasil, Padre Eustáquio) e a 30ª (Caiçara, Jardim Montanhês, Aparecida), entre outras. Em todas elas, a diferença percentual variou entre 5% e 10% a favor de Flávio Bolsonaro.
Essas áreas são caracterizadas por um perfil demográfico mais conservador, maior nível de renda per capita e maior presença de setores de serviços e comércio.
- 34ª ZE – 54,77% para Flávio Bolsonaro
- 27ª ZE – maioria para Flávio Bolsonaro
- 29ª ZE – maioria para Flávio Bolsonaro
- 30ª ZE – maioria para Flávio Bolsonaro
- 31ª ZE – maioria para Flávio Bolsonaro
Em resumo, a disputa em Belo Horizonte ilustrou como a mobilização de eleitores em zonas estratégicas pode mudar o rumo de uma eleição presidencial. Enquanto a maioria das zonas manteve a preferência pelo candidato liberal, as áreas conquistadas por Lula foram decisivas para reduzir a diferença final e refletir a complexidade do eleitorado urbano mineiro.








