Na madrugada de domingo, 25 de outubro de 2024, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve silêncio absoluto enquanto Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil e o senador Flávio Bolsonaro foi derrotado nas eleições. O fato ocorreu em Brasília, capital brasileira, e chamou a atenção da imprensa internacional pela ausência de pronunciamento do mandatário americano.
Postura de Trump antes da eleição
Durante a campanha, Trump respondeu de forma neutra a repórteres que lhe perguntavam sobre apoio a Lula ou a Flávio Bolsonaro, limitando‑se a dizer que “estava observando” a disputa. No primeiro turno, a mesma neutralidade foi mantida, com a frase “Estou acompanhando a corrida muito de perto” repetida em entrevistas.
Essa atitude contrastou com a postura adotada em outras eleições latino‑americanas, onde o ex‑presidente norte‑americano declarou apoio explícito a candidatos de direita e extrema‑direita. Entre os nomes citados, destacam‑se:
- Abelardo de la Espriella, Colômbia
- Javier Milei, Argentina
- Nasry Asfura, Honduras
- Nayib Bukele, El Salvador
- Daniel Noboa, Equador
Além disso, poucos dias antes do início oficial da campanha, Washington impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros, elevando-as a até 25% e acusando a futura gestão Lula de “egoísta” nas negociações comerciais.
Reações internacionais ao resultado
Com a vitória de Lula, políticos democratas dos EUA foram rápidos em manifestar apoio ao processo eleitoral brasileiro. O deputado Joaquín Castro, do Texas, felicitou o povo brasileiro por exercer seu direito democrático. Já o senador Bernie Sanders, que esteve com Lula em Nova York em setembro, descreveu a reeleição como “extraordinária”.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, usou as redes sociais para expressar orgulho de estar “ao lado do Brasil e daqueles que defendem a democracia e a proteção ao meio ambiente”. Essas declarações foram acompanhadas por um comunicado oficial do Departamento de Estado, que afirmou apoiar um “processo eleitoral livre e justo” no Brasil.
Em paralelo, um dos advogados de Trump, Martin de Luca, questionou a legitimidade da vitória, insinuando que Lula teria se transformado em “Nicolás Maduro” e alertando para um suposto roubo nas urnas. A mensagem foi compartilhada por Elon Musk no X, com o simples comentário “Uou”, e também retuitada por Donald Trump Jr.
Implicações e desdobramentos
A falta de um posicionamento claro de Trump gerou especulações sobre possíveis intervenções americanas no processo eleitoral brasileiro. A Casa Branca recusou‑se a reconhecer formalmente o resultado, apesar de três cartas de congressistas democratas que exigiam explicações ao Departamento de Estado.
O Departamento, liderado por Marco Rubio, respondeu de forma evasiva, afirmando que os EUA continuarão a dialogar com o Brasil para promover segurança, comércio recíproco, investimentos e prosperidade. Essa resposta deixou dúvidas sobre a real intenção dos Estados Unidos em relação à nova administração brasileira.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, que recebeu Trump na Casa Branca antes da eleição, classificou organizações criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) de “organizações terroristas estrangeiras”, posição criticada por Lula por representar risco à soberania nacional.
O cenário político internacional, portanto, permanece incerto. A postura de silêncio de Trump pode indicar uma estratégia de contenção, enquanto os aliados democráticos dos EUA buscam reforçar laços com o Brasil, agora sob a liderança de Lula, que promete retomar acordos comerciais e fortalecer a cooperação multilateral.
Analistas apontam que a dinâmica entre Washington e Brasília será decisiva para os próximos anos, especialmente nas áreas de comércio, meio ambiente e segurança regional. O silêncio de Trump, embora enigmático, pode ser apenas um capítulo de uma relação que ainda está se redefinindo.








