O segundo turno das Eleições 2026, realizado em 25 de outubro, teve a votação estendida e a divulgação dos resultados interrompida temporariamente. A medida foi tomada após denúncias de dificuldades no transporte público e foi decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do STF. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisou adaptar todo o cronograma para cumprir a decisão judicial.
Prorrogação da votação e seus fundamentos
Às 17h, horário originalmente previsto para o encerramento da votação, o ministro Zanin concedeu liminar que ampliou o prazo até as 19h, horário de Brasília. A extensão foi aplicada apenas nas seções onde as urnas ainda permaneciam abertas, enquanto as que já haviam encerrado o processo continuaram com a contagem regular.
Segundo o próprio ministro, “as duas candidaturas que disputam as eleições presidenciais no segundo turno alegaram problemas no transporte de eleitores, razão pela qual concedi a medida liminar”. O objetivo foi garantir que eleitores que ainda não haviam conseguido chegar às seções pudessem exercer seu direito ao voto.
A decisão chegou ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE‑RJ) depois das 17h, quando muitas seções já haviam emitido seus boletins de urna. Essa situação exigiu uma resposta rápida da Justiça Eleitoral para evitar conflitos de competência e garantir a lisura do processo.
Impacto na apuração e nas urnas
Com a prorrogação, o TSE interrompeu a divulgação dos resultados, que até então mostrava apenas 0,25% das urnas apuradas. A interrupção visou impedir que informações parciais fossem divulgadas enquanto a votação ainda estava em curso em algumas localidades.
O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, explicou que o bloqueio dos Boletins de Urna foi necessário para “assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE”. Essa medida gerou a maior fila de boletins já registrada, colocando pressão sobre a infraestrutura de armazenamento de dados.
Nas seções onde a votação foi encerrada no horário previsto, os boletins foram enviados ao TRE sem maiores incidentes. Já nas seções prorrogadas, mesários e presidentes de seção ficaram sem orientação clara, pois muitas equipes já haviam sido desmobilizadas antes da decisão.
O ministro Zanin deixou claro que os votos das urnas já fechadas seriam computados normalmente, enquanto as urnas ainda abertas teriam seus votos totalizados após o novo prazo.
Reações políticas e críticas ao Judiciário
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, classificou a intervenção judicial como “impressionante” e denunciou um suposto “golpe judiciário” nas redes sociais. Sem citar diretamente o ministro, ele alertou que qualquer tentativa de interferência poderia comprometer a democracia.
Em um comunicado, Marinho afirmou que esperava que “qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia” e defendeu o que chamou de “bom senso”. Essas declarações foram amplamente repercutidas na mídia e geraram debates acalorados entre apoiadores e opositores.
Outros líderes políticos, incluindo representantes do PT e do PL, também se manifestaram. Enquanto alguns defenderam a necessidade de garantir o acesso ao voto, outros criticaram a falta de planejamento prévio para o transporte de eleitores.
- Rogério Marinho (PL) – críticas à intervenção judicial;
- Senador Rodrigo Pacheco (PSD) – pediu cautela e respeito ao processo;
- Presidente do PT, Gleisi Hoffmann – ressaltou a importância da participação popular;
- Especialistas em direito eleitoral – analisaram a legalidade da medida.
Problemas de transporte e resposta da Justiça Eleitoral
A coligação Federação Brasil da Esperança (FE Brasil) apresentou representações apontando redução de frota em cidades como Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. A falta de ônibus obrigatórios gerou reclamações de eleitores que não conseguiram chegar às seções a tempo.
O Corregedor‑Geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, requisitou informações urgentes à presidência do TRE‑BA. O objetivo era mapear a extensão da ausência de transporte e adotar medidas corretivas antes do encerramento definitivo da votação.
Em coletiva de imprensa, o presidente do TSE explicou que o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia já enviou relatórios detalhados, incluindo visitas in loco para verificar a disponibilidade de ônibus nas áreas críticas.
Além disso, o TSE mobilizou recursos logísticos para reforçar o transporte em municípios onde a demanda era maior. Foram criados pontos de apoio temporários e reforçado o serviço de táxi comunitário em regiões de difícil acesso.
Mesmo com esses esforços, a situação expôs fragilidades no planejamento de mobilidade urbana durante grandes eventos eleitorais. Analistas apontam que a falta de um plano de contingência estruturado pode comprometer a percepção de legitimidade das eleições.
Com a apuração retomada após o prazo adicional, o TSE divulgou os resultados finais sem maiores interrupções. O presidente da Justiça Eleitoral, Alexandre de Moraes, destacou que “todos os votos foram computados com segurança e transparência, apesar dos desafios operacionais enfrentados”.
O episódio, porém, deixou lições importantes para as próximas eleições. A necessidade de sincronizar decisões judiciais, logística de transporte e sistemas de apuração ficou evidente, reforçando a importância de um diálogo prévio entre os poderes e a sociedade civil.








