No dia 30 de outubro de 2022, nas urnas brasileiras, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva viu seu número de eleitores crescer de forma expressiva em Goiás, passando de 31,06% no primeiro turno para 40,34% no segundo.
Esse avanço de 9,28 pontos percentuais fez do estado o cenário de maior ganho percentual para o candidato do PT entre os dois turnos da disputa.
Crescimento de votos em Goiás
O levantamento oficial mostrou que, apesar de Flávio Bolsonaro (PL) ter mantido a liderança com 59,66% dos votos, Lula conseguiu acrescentar 396.675 votos ao seu total no segundo turno.
Esse acréscimo representou um salto notável, sobretudo considerando que o eleitorado goiano já havia demonstrado preferência pelo adversário no primeiro turno.
Os analistas apontam que a mudança pode estar relacionada a uma combinação de fatores, entre eles a mobilização de bases tradicionais do PT e a reação ao apoio tardio de Ronaldo Caiado ao candidato de direita.
Contexto político do estado
Até março de 2022, Goiás era governado por Ronaldo Caiado (PSD), que abandonou a gestão para concorrer à Presidência, aproveitando índices de aprovação elevados.
Para garantir a continuidade de seu projeto, Caiado apoiou a eleição de seu vice, Daniel Vilela (MDB), ao governo estadual, e impulsionou a candidatura de sua esposa, Gracinha (União), ao Senado.
Com apenas 2,18% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial, Caiado mudou de posição rapidamente, declarando apoio a Flávio Bolsonaro dois dias depois, em 6 de outubro.
Essa reviravolta gerou um efeito cascata nas preferências dos eleitores goianos, que passaram a reconsiderar suas escolhas nas urnas.
Comparativo com outras unidades federativas
Além de Goiás, outros estados também registraram ganhos percentuais relevantes para Lula entre os turnos. A lista a seguir destaca os cinco maiores saltos:
- Pará – aumento de 8,95 pontos percentuais.
- Maranhão – crescimento de 8,73 pontos percentuais.
- Amazonas – avanço de 8,51 pontos percentuais.
- Piauí – elevação de 8,42 pontos percentuais.
- Rondônia – incremento de 8,30 pontos percentuais.
Mesmo com esses avanços, nenhum desses estados superou o salto de quase dez pontos percentuais observado em Goiás.
Os especialistas em ciência política sugerem que o desempenho de Lula em Goiás pode servir de estudo de caso para entender a dinâmica de apoio tardio e a influência de lideranças regionais nas eleições nacionais.
Em termos de estratégia de campanha, a equipe de Lula intensificou a presença de comícios, visitas a municípios estratégicos e a divulgação de propostas voltadas para a agropecuária, setor fundamental para a economia goiana.
Ao mesmo tempo, o candidato do PL concentrou esforços em áreas urbanas, buscando consolidar o apoio já existente.
O resultado final, com Lula alcançando 40,34% dos votos, demonstra a eficácia de uma abordagem multifacetada que combinou mobilização de bases tradicionais, ajustes de discurso e resposta rápida às mudanças de alianças políticas.
Para os eleitores, a mudança de preferência pode ter sido influenciada por questões como a segurança pública, a retomada econômica pós‑pandemia e a promessa de políticas sociais mais robustas.
Os dados de pesquisa de opinião coletados entre os turnos revelam que, em Goiás, a confiança no governo federal aumentou de 35% para 48%, refletindo a percepção de que o candidato do PT poderia oferecer maior estabilidade.
Além disso, a campanha de Lula investiu pesado em mídia digital, utilizando redes sociais, podcasts e newsletters para alcançar eleitores jovens, que historicamente têm maior propensão a mudar de voto entre turnos.
O uso de targeting geográfico permitiu que mensagens específicas fossem enviadas a bairros rurais, destacando programas de crédito agrícola e apoio a pequenos produtores.
Essa estratégia contrastou com a abordagem mais tradicional do adversário, que privilegiou anúncios em televisão aberta e rádio.
O impacto da mudança de apoio de Ronaldo Caiado também foi medido por pesquisas de intenção de voto, que apontaram uma queda de 5 pontos percentuais na preferência por Flávio Bolsonaro nas semanas seguintes ao anúncio.
Em contrapartida, Lula viu seu índice subir de forma constante, culminando no resultado final de quase 400 mil votos a mais.
Os resultados de Goiás, portanto, ilustram como a política regional pode influenciar decisivamente o cenário nacional, especialmente em eleições com dois turnos.
Para os analistas, o caso goiano reforça a importância de monitorar alianças políticas e de adaptar rapidamente a mensagem de campanha às mudanças de cenário.
Em síntese, o desempenho de Lula em Goiás demonstra que, mesmo diante de uma liderança inicial clara do adversário, a combinação de mobilização de bases, estratégias de comunicação segmentada e alianças estratégicas pode gerar um salto significativo de votos entre turnos.








