No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 25 de outubro, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputaram a presidência do Brasil. A apuração dos votos revelou diferenças marcantes na distribuição regional do apoio a cada candidato, refletindo o perfil sociopolítico de cada parte do país.
Perfil da votação de Lula por região
De acordo com os dados consolidados pela Justiça Eleitoral, Lula recebeu 38,17% dos votos nacionais provenientes do Nordeste. Essa fatia representou 24,45 milhões de eleitores que escolheram o petista nas urnas da região.
No Sudeste, a parcela foi de 37,53%, correspondendo a 24,04 milhões de votos. Juntas, Nordeste e Sudeste somaram 75,70% da votação total de Lula, demonstrando a importância desses blocos para a vitória.
As demais regiões – Sul, Centro‑Oeste e Norte – completaram o restante, mas com percentuais significativamente menores. No Sul, por exemplo, a participação ficou abaixo de 10% do total nacional.
- Nordeste: 38,17%
- Sudeste: 37,53%
- Outras regiões: 24,30%
Essa distribuição evidencia o apoio histórico do Nordeste ao PT, aliado ao crescimento do eleitorado urbano do Sudeste, que tem se mostrado mais volátil nas últimas eleições.
Além do número absoluto de votos, o peso relativo de cada região no total nacional é um indicador crucial para entender a estratégia de campanha dos candidatos.
Desempenho de Flávio Bolsonaro nas diferentes áreas
Para Flávio Bolsonaro, o Sudeste foi a principal fonte de apoio, concentrando 45% dos votos válidos obtidos em todo o país. Esse percentual corresponde a 26,84 milhões de eleitores que optaram pelo candidato do PL.
Em seguida, o Sul contribuiu com 19,09% da votação, enquanto o Nordeste ofereceu 18,10% dos votos. Essas duas regiões, embora menos expressivas que o Sudeste, ainda foram decisivas para a composição do total de Flávio.
O Centro‑Oeste e a região Norte completaram a soma, mas cada uma representou menos de 10% do total nacional do candidato.
- Sudeste: 45,00%
- Sul: 19,09%
- Nordeste: 18,10%
- Centro‑Oeste e Norte: 17,81%
Os números mostram que, apesar de o Nordeste ter sido tradicionalmente favorável ao PT, parte significativa do eleitorado da região ainda se mostrou aberta ao discurso de Flávio Bolsonaro.
Esse cenário reforça a importância de estratégias de campanha que considerem as particularidades econômicas e culturais de cada bloco regional.
Como interpretar o peso regional dos candidatos
O conceito de “peso” de uma região não se resume ao percentual de votos que o candidato recebeu dentro da própria região. Em vez disso, ele indica a contribuição daquela região para o total nacional de votos do candidato.
Por exemplo, o Sudeste respondeu por 45% da votação nacional de Flávio Bolsonaro, ainda que ele não tenha conquistado a maioria dos votos válidos dentro do próprio Sudeste. Essa diferença entre participação e maioria é fundamental para análises eleitorais mais refinadas.
Da mesma forma, o Nordeste, ao aportar 38,17% dos votos de Lula, tem um peso quase equivalente ao do Sudeste, embora o número absoluto de eleitores seja ligeiramente maior no Nordeste.
Entender essa dinâmica permite que analistas, partidos e candidatos ajustem suas estratégias de comunicação, focando não apenas em vencer regiões, mas em maximizar a contribuição de cada bloco para o total nacional.
Além disso, a exclusão dos votos no exterior e dos brancos ou nulos nos cálculos garante que a análise reflita apenas a escolha efetiva dos eleitores brasileiros residentes no país.
Os resultados também apontam para a necessidade de políticas públicas que atendam às demandas específicas de cada região, já que o apoio eleitoral está intimamente ligado a questões como geração de emprego, infraestrutura e segurança.
Por fim, a comparação entre os dois candidatos revela como o panorama político brasileiro continua fragmentado, com diferentes regiões exercendo papéis complementares na definição do vencedor.
Os especialistas recomendam que, nas próximas eleições, os partidos considerem não apenas a soma dos votos, mas a distribuição geográfica desses votos, para construir coalizões mais sólidas e representativas.








