Nas eleições presidenciais de 2026, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vitória no estado de São Paulo, conquistando 72 municípios no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro ficou à frente em 573 cidades. O pleito ocorreu no domingo, 20 de outubro, e os resultados foram divulgados pela Justiça Eleitoral ao longo da noite. A mudança no mapa eleitoral paulistano revela uma disputa mais equilibrada entre os dois candidatos.
Ampliação da presença de Lula nas cidades paulistas
Lula saiu do primeiro turno com vitória em apenas 39 municípios e avançou para 72 no segundo turno, representando um salto de 6,05% para 11,16% da totalidade das cidades do estado. Esse crescimento reflete a estratégia de campanha focada em áreas urbanas e em municípios de médio porte, onde o candidato buscou reverter a hegemonia do PL.
Na capital, São Paulo, o petista venceu em oito zonas eleitorais, totalizando 3.862.401 votos, o que corresponde a 55,5% dos votos válidos na cidade. Comparado ao primeiro turno, Lula aumentou sua presença de 35 para 43 zonas eleitorais, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 22 para 14.
O aumento de Lula também se manifestou em municípios do interior que historicamente favoreciam o candidato da direita. Em Itapura, por exemplo, o petista alcançou 68,61% dos votos, totalizando 1.845 votos, enquanto Flávio ficou com 31,39% (844 votos). Esse resultado colocou Itapura entre os municípios com maior percentual de apoio a Lula.
- Itapura – 68,61% (1.845 votos) para Lula
- Sandovalina – 62,94% para Lula
- Euclides da Cunha Paulista – 62,61% para Lula
Esses números demonstram que a campanha de Lula conseguiu mobilizar eleitores em regiões que, no primeiro turno, apresentaram forte inclinação ao PL. A estratégia incluiu visitas a lideranças locais, investimento em comunicação digital e alianças com partidos regionais.
Desempenho de Flávio Bolsonaro e os municípios mais favoráveis
Flávio Bolsonaro manteve a maioria das cidades, vencendo em 573 dos 645 municípios, o que equivale a 88,84% do total. No segundo turno, o candidato do PL recebeu 14.137.519 votos, representando 53,85% dos votos válidos em São Paulo.
Alguns municípios registraram percentuais extraordinariamente altos a favor de Flávio. Em Saltinho, ele obteve 80,22% dos votos (4.718 votos), enquanto Lula ficou com 19,78% (1.163 votos). Essa disparidade evidencia a forte base de apoio do PL em certas áreas rurais.
- Saltinho – 80,22% para Flávio Bolsonaro
- Marapoama – 76,63% para Flávio Bolsonaro
- Itajobi – 74,31% para Flávio Bolsonaro
Esses municípios, em sua maioria localizados em regiões agrícolas, apresentaram um perfil socioeconômico que favoreceu a mensagem de segurança e desenvolvimento econômico proposta por Flávio Bolsonaro.
Cidades com margens de vitória extremamente estreitas
Embora a maioria das cidades tenha sido decidida com folga, alguns municípios registraram diferenças de apenas um voto entre os candidatos, destacando a competitividade da disputa. Em São João do Pau d’Alho, Lula venceu com 769 votos (50,03%) contra 768 de Flávio (49,97%).
Na vizinha Nova Luzitânia, a situação se inverteu: Flávio Bolsonaro ganhou com 1.039 votos (50,02%) e Lula ficou com 1.038 (49,98%).
- São João do Pau d’Alho – vitória de Lula por 1 voto
- Nova Luzitânia – vitória de Flávio por 1 voto
- Serra Azul – Flávio venceu por 6 votos
- Guatapará – Lula venceu por 7 votos
- Brejo Alegre – Flávio venceu por 8 votos
- Motuca – Lula venceu por 10 votos
Essas margens mínimas reforçam a importância do voto consciente e da presença de urnas em localidades pequenas, onde cada voto pode mudar o resultado.
Análise dos números e o panorama político de São Paulo
Os resultados indicam que, apesar da vitória esmagadora de Flávio Bolsonaro em número de municípios, Lula conseguiu reduzir significativamente a diferença percentual entre os candidatos. No primeiro turno, Flávio detinha 93,49% dos municípios; no segundo, essa fatia caiu para 88,84%.
A capital, que concentra mais da metade dos eleitores do estado, foi decisiva para o desempenho de Lula, que obteve maioria em oito zonas eleitorais e superou Flávio em mais de 600 mil votos. Essa vantagem urbana contrabalançou a predominância rural do PL.
Além disso, a ausência de empates em nenhum dos 645 municípios no segundo turno demonstra a clareza do eleitorado paulistano, diferentemente do primeiro turno, quando o município de Trabiju registrou empate com 574 votos para cada candidato.
Os analistas políticos apontam que a expansão de Lula em municípios estratégicos pode sinalizar uma mudança de tendência para as próximas eleições estaduais e federais. A capacidade de mobilizar eleitores em áreas tradicionalmente conservadoras pode abrir espaço para alianças mais amplas.
Por outro lado, a robusta rede de apoio de Flávio Bolsonaro em cidades menores mantém o PL como força dominante no interior paulista. A continuidade dessa base dependerá da capacidade do candidato em responder às demandas locais, como infraestrutura, segurança pública e geração de empregos.
Em síntese, o segundo turno revelou um cenário mais competitivo e menos unilateral do que o primeiro. Enquanto Flávio Bolsonaro consolidou sua vantagem numérica, Lula mostrou que pode avançar em territórios antes considerados inacessíveis, preparando o terreno para futuras disputas políticas no estado de São Paulo.








