No domingo, 25 de outubro, o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, denunciou a falta de ônibus em São Paulo e Salvador como crime que interfere diretamente no processo eleitoral. Ele afirmou que a ausência de transporte público para eleitores viola a legislação e configura tentativa de manipulação. A declaração foi feita ao chegar ao Hotel Intercontinental, na região dos Jardins, em São Paulo, onde a campanha de Lula aguardava a apuração do segundo turno.
Denúncia ao descumprimento da legislação
Edinho Silva classificou a situação como “muito grave” e ressaltou que a lei garante o direito ao transporte ao eleitor. Segundo o líder petista, a falta de ônibus em capitais como São Paulo e Salvador demonstra um descumprimento claro das normas eleitorais. Ele enfatizou que quem impede o deslocamento dos eleitores está cometendo crime e interferindo no resultado das urnas.
O presidente do PT explicou que, nos demais estados, as investigações ainda estão em andamento, mas já há evidências de que São Paulo e a Bahia violaram a legislação vigente. Ele apontou ainda que a manipulação das “big techs” tem sido constante ao longo da campanha, e que a falta de transporte reforça essa percepção de interferência. Para Edinho, a lei existe para ser cumprida, sobretudo quando se trata de garantir a participação cidadã.
Reações das autoridades e medidas adotadas
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h neste domingo, após relatos de redução da frota de ônibus em diversas cidades. A decisão foi válida para todas as seções eleitorais do país, atendendo ao pedido de liminar protocolado pela coligação de Luiz Inácio Lula da Silva.
A Justiça Eleitoral havia exigido que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans mantivessem 100% da frota em operação, em níveis equivalentes aos de dias úteis. Mesmo assim, motoristas em algumas regiões da capital se recusaram a sair, deixando eleitores à espera por horas. A extensão do horário de votação foi solicitada também por outras campanhas, como a de Flávio Bolsonaro, que pediu duas horas extras em municípios de Minas Gerais e Rio Grande do Sul afetados por chuvas.
Edinho Silva, ao comentar a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, pediu que o órgão faça cumprir a legislação, sem comentar diretamente sobre os ministros. Ele reiterou que o processo eleitoral ainda não terminou e que há muito a ser feito até a posse dos eleitos. O presidente do PT manifestou confiança de que as instituições brasileiras sairão fortalecidas desse momento de tensão.
Impacto nos eleitores e nas urnas
Nas zonas norte e sul de São Paulo, eleitores relataram longas esperas por ônibus. No Terminal Varginha, moradores aguardaram até três horas por um transporte que nunca chegou. Em bairros como Santana, Jardim Ângela e Vila Zilda, filas se formaram nas calçadas, enquanto alguns motoristas se recusaram a levar passageiros às seções de votação.
Essas falhas de mobilidade geraram preocupação entre os eleitores, que temiam perder o direito ao voto. Pesquisas indicam que o eleitorado do PT depende fortemente do transporte público para chegar às urnas, tornando a situação ainda mais crítica. A falta de ônibus, portanto, não é apenas um transtorno logístico, mas um obstáculo ao exercício da democracia.
Além das duas capitais citadas, a prorrogação do horário de votação foi solicitada em pelo menos nove estados:
- São Paulo
- Alagoas
- Pernambuco
- Roraima
- Piauí
- Paraíba
- Pará
- Paraná
- Rio de Janeiro
Essa lista demonstra a abrangência do problema de transporte em todo o país.
Em Minas Gerais, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu extensão do horário em Belo Horizonte, Poços de Caldas e municípios da região metropolitana. No Rio Grande do Sul, as solicitações incluíram São Borja, Itaqui e Uruguaiana, cidades que enfrentaram enchentes e alagamentos. Cada pedido refletiu a necessidade de garantir que nenhum eleitor fosse impedido de votar por questões climáticas ou logísticas.
O presidente do PT ressaltou que a democracia depende da efetiva participação cidadã e que a falta de transporte público é uma forma de silenciar vozes. Ele conclamou o TSE a aplicar sanções aos gestores que descumprirem a lei, a fim de preservar a lisura do pleito. Para Edinho, a luta continua até a posse, e a sociedade deve permanecer vigilante.
Enquanto isso, a campanha de Lula aguarda os resultados finais da apuração. A equipe de comunicação do PT tem monitorado as denúncias e preparado comunicados para pressionar as autoridades. O objetivo é garantir que a Justiça Eleitoral atue de forma rigorosa e que os eleitores tenham todas as condições de exercer seu voto.
Em síntese, a falta de ônibus em São Paulo e Salvador foi caracterizada como crime eleitoral pelo presidente do PT, que acusa manipulação e descumprimento da legislação. As medidas adotadas pelos tribunais, como a prorrogação do horário de votação, buscam mitigar os efeitos dessa interferência. O episódio reforça a importância de garantir transporte público adequado em todo o território nacional durante as eleições.








