No domingo, durante o segundo turno das eleições, moradores de São Gonçalo relataram falta de ônibus nas principais rotas da cidade. A situação se agravou nas horas que antecederam a votação, deixando eleitores aguardando quase uma hora por transporte. O problema foi registrado em pontos estratégicos do centro urbano e também nas linhas que ligam o município a Niterói.
Problemas nas principais vias de São Gonçalo
Os usuários apontaram a Avenida Presidente Kennedy, próximo à entrada do Boaçu, como um dos locais mais críticos. Lá, os coletivos chegaram lotados e com intervalos de chegada superiores a 45 minutos. A falta de veículos provocou filas extensas, obrigando passageiros a buscar alternativas improvisadas.
Além da avenida citada, outras ruas do centro apresentaram atrasos significativos. Motoristas relataram dificuldades para manter a frequência regular, sobretudo nas linhas que atendem bairros periféricos. A escassez de ônibus municipais se somou à redução de veículos intermunicipais, ampliando o desconforto dos usuários.
Os relatos de espera prolongada também foram confirmados por fiscais da empresa de transporte público. Eles observaram que a frota disponível naquele dia representava menos da metade do necessário para atender a demanda prevista. A situação gerou preocupação quanto à segurança dos eleitores que dependem exclusivamente do transporte coletivo.
Em resposta, alguns passageiros recorreram a aplicativos de mobilidade privada, aumentando ainda mais o trânsito nas vias centrais. O aumento de veículos particulares elevou o risco de congestionamentos e acidentes, agravando o cenário já tenso.
Impacto nos eleitores e nas linhas intermunicipais
As falhas no serviço público afetaram diretamente a mobilidade dos eleitores. Muitos relataram ter perdido o horário de votação ou precisado caminhar longas distâncias até a seção eleitoral mais próxima. Essa situação pode ter influenciado o comparecimento nas urnas em determinadas áreas.
As linhas que partem do Terminal Rodoviário Presidente João Goulart, em Niterói, também sofreram redução de frequência. Usuários que precisavam cruzar o rio para chegar a São Gonçalo encontraram ônibus lotados e horários irregulares. A falta de integração entre os serviços municipais e intermunicipais tornou o trajeto ainda mais desafiador.
Principais reclamações dos passageiros podem ser resumidas na lista a seguir:
- Esperas de até 60 minutos nas paradas;
- Coletivos superlotados, sem espaço para passageiros em pé;
- Falta de informações claras sobre horários de chegada;
- Descontinuidade nas linhas que ligam São Gonçalo a Niterói;
- Necessidade de recorrer a transporte privado, elevando custos.
Essas queixas foram registradas tanto em redes sociais quanto em denúncias formais à secretaria de transporte. O volume de reclamações indica que o problema não se restringiu a um pequeno grupo, mas afetou uma parcela significativa da população votante.
Além do desconforto imediato, a escassez de ônibus pode gerar desconfiança nos serviços públicos. Eleitores que enfrentam dificuldades para exercer seu direito democrático podem questionar a capacidade da administração local em garantir direitos básicos, como o acesso ao transporte.
Contradições entre decretos e a realidade no dia da votação
Em setembro, a prefeitura de São Gonçalo publicou um decreto que previa gratuidade nos ônibus das 7h às 18h e a disponibilidade de 100% da frota em dias úteis. O objetivo era facilitar o deslocamento dos eleitores às seções eleitorais durante o período de votação.
No entanto, a realidade observada no domingo mostrou um cenário oposto. Apesar da gratuidade anunciada, muitos veículos simplesmente não estavam em circulação. O número de ônibus disponíveis ficou aquém do esperado, gerando filas e sobrecarga nos poucos veículos que operavam.
Especialistas em transporte público apontam que a falta de planejamento logístico pode ter sido um dos fatores críticos. A simples divulgação de um decreto não garante a execução efetiva das medidas, sobretudo quando não há recursos humanos e operacionais suficientes para cumprir a meta de 100% da frota.
Além disso, a coincidência entre a data da votação e a operação de transporte pode ter causado um pico inesperado de demanda. A prefeitura não teria ajustado a escala de motoristas nem reforçado a manutenção dos veículos, resultando em falhas operacionais.
Essa divergência entre o que foi prometido e o que efetivamente ocorreu alimenta críticas de opositores políticos. Eles argumentam que a medida foi mais simbólica do que prática, servindo para melhorar a imagem da administração antes das eleições.
Repercussões políticas e expectativas para o futuro
São Gonçalo é considerado a base política da família Ruas, que tem forte presença no cenário estadual. O governador eleito, Douglas Ruas, acompanhou o candidato da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro até a seção de votação na Tijuca, capital do estado. Essa presença reforça a ligação entre a família e a cidade.
A escassez de ônibus, entretanto, pode gerar desgaste para a imagem do governador e de seu pai, Capitão Nelson, atual prefeito de São Gonçalo. Eleitores que enfrentaram dificuldades podem associar o problema à gestão local, afetando a percepção de eficiência da família no poder.
Analistas políticos sugerem que a situação pode ser usada pelos adversários como argumento de negligência administrativa. Eles podem citar a falta de cumprimento do decreto de gratuidade como evidência de promessas não cumpridas.
Por outro lado, a família Ruas ainda detém apoio significativo entre eleitores que valorizam programas sociais e investimentos em infraestrutura. A resposta da prefeitura nas próximas semanas será crucial para restaurar a confiança do público.
Entre as medidas esperadas, destacam-se a revisão da escala de motoristas, a ampliação da frota em períodos de alta demanda e a comunicação mais transparente sobre horários e disponibilidade de veículos. Se implementadas, essas ações podem mitigar os efeitos negativos e melhorar a percepção da gestão local.








