Em entrevista concedida neste domingo, 25 de outubro, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou que as intensas chuvas que atingiram a região não causaram impedimentos ao comparecimento dos eleitores ao segundo turno das eleições. O discurso foi dado em Brasília, durante transmissão ao vivo da VEJA+TV, e abordou a situação em três estados do Sul do Brasil.
Contexto das chuvas e a preocupação das campanhas
Nas primeiras horas da manhã, fortes precipitações foram registradas em diversas cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, gerando alagamentos e interrupções temporárias em vias urbanas. A meteorologia apontava para chuvas torrenciais que, em alguns pontos, chegaram a superar os 100 milímetros em menos de duas horas.
Com a proximidade do fechamento das urnas, a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão do horário de votação nas áreas mais afetadas. O pedido citava especificamente municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, onde, segundo a campanha, o volume de água teria dificultado o deslocamento dos eleitores até as seções.
Além da solicitação de Bolsonaro, outras lideranças políticas também manifestaram preocupação. Alguns prefeitos de cidades baianas relataram dificuldades no transporte público, alegando que ônibus foram impedidos de circular em determinados trechos durante o período de votação. Essas denúncias foram apresentadas ao TSE como parte de um pedido de prorrogação do horário de votação.
Declarações de Eduardo Leite e a resposta das equipes eleitorais
Em sua fala, Eduardo Leite enfatizou que não recebeu nenhum relatório das equipes de apoio ao voto que indicasse cerceamento ou restrição ao acesso às urnas. “Não apenas Rio Grande do Sul, mas Santa Catarina e Paraná tiveram chuvas torrenciais, acabam tendo impacto nas comunidades. Eu não tenho notícia pelas nossas equipes que tenha, pelos eventos recentes, havido algum tipo de cerceamento ou dificuldades pra que as pessoas pudessem acessar os locais de votação”, disse o governador.
O governador ressaltou ainda que as autoridades locais mobilizaram recursos para garantir a segurança dos eleitores. Segundo ele, foram instalados abrigos temporários em pontos críticos, e equipes de bombeiros foram deslocadas para áreas de risco, de modo a evitar incidentes durante o período de votação.
As equipes de apoio ao voto, compostas por voluntários e funcionários da Justiça Eleitoral, relataram que a maioria das seções funcionou normalmente, apesar das condições climáticas adversas. Em alguns casos, foram adotadas medidas de contingência, como a disponibilização de mesas de votação em locais mais elevados e a adoção de sinalização para orientar os eleitores sobre rotas seguras.
- Rio Grande do Sul – Seções em Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas mantiveram operação regular.
- Santa Catarina – Votação em Florianópolis, Joinville e Blumenau não sofreu interrupções.
- Paraná – As urnas em Curitiba, Londrina e Maringá permaneceram abertas.
Mesmo com a garantia de funcionamento, alguns eleitores relataram dificuldades menores, como trânsito mais lento e necessidade de usar veículos particulares para chegar às seções. Contudo, esses relatos foram classificados como incidentes pontuais e não como impedimentos estruturais.
Reação do Tribunal Superior Eleitoral e prorrogação do horário
O TSE, por sua vez, analisou as solicitações de prorrogação do horário de votação e decidiu estender o expediente até as 19h. A decisão não foi resultado direto do pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, mas de uma ação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro Cristiano Zanin, do STF, acatou a demanda petista que denunciava supostos bloqueios de circulação de ônibus em municípios baianos durante a votação. A medida visou garantir que nenhum eleitor fosse privado do direito de voto por questões de transporte.
A extensão do horário foi aplicada de forma uniforme em todo o país, permitindo que eleitores que ainda não haviam comparecido às urnas tivessem mais tempo para fazê‑lo. A Justiça Eleitoral informou que a prorrogação não acarretou custos adicionais significativos, pois as seções já estavam equipadas para operar até o horário previsto.
Especialistas em ciência política apontam que a decisão de prorrogar o horário pode ter contribuído para a diminuição da taxa de abstenção em regiões com maior vulnerabilidade climática. Estudos anteriores demonstram que a flexibilidade no horário de votação tende a aumentar a participação eleitoral, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.
Ao final do dia, os resultados preliminares das urnas ainda não estavam disponíveis, mas as projeções indicavam uma disputa acirrada entre os principais candidatos. A continuidade das operações eleitorais, mesmo diante de condições meteorológicas adversas, reforçou a imagem de resiliência do processo democrático brasileiro.
Em síntese, a declaração de Eduardo Leite buscou tranquilizar a população sulista, destacando que as equipes de apoio ao voto mantiveram a vigilância e que não houve relatos de impedimentos graves. Ao mesmo tempo, a ação do STF e a decisão do TSE mostraram que o sistema judicial está atento a possíveis irregularidades, garantindo a lisura do pleito.
O episódio serve como exemplo de como diferentes esferas de governo – executiva estadual, justiça eleitoral e judiciária nacional – podem atuar de forma coordenada para preservar o direito ao voto, mesmo diante de desafios climáticos inesperados.








