Na manhã de terça‑feira, 27 de outubro, o Exército de Israel decretou o bloqueio das entradas e saídas da Cisjordânia, coincidindo com a data das eleições legislativas. A medida foi anunciada após a evacuação forçada de quase 2 mil residentes da cidade de Hebron, localizada na região ocupada desde 1967.
Contexto da operação militar
O anúncio foi feito pelo porta‑voz das Forças Armadas israelenses através do aplicativo Telegram, que informou a proibição de circulação para trabalhadores palestinos em Judeia e Samaria, bem como no Vale do Jordão e nas zonas industriais. A restrição permanecerá em vigor durante todo o dia de votação.
Segundo o ministro da Defesa, Israel Katz, a ação visa impedir que os palestinos retornem aos bairros de Hebron até que as autoridades israelenses concluam as operações contra o Hamas na área. Katz afirmou que a presença de grupos terroristas ligados ao Hamas e a organizações jihadistas justifica a medida de segurança.
Entre sexta‑feira e sábado, as tropas israelenses conduziram operações em quarenta localidades diferentes da Cisjordânia, capturando quase quarenta suspeitos. Entre os detidos estavam membros do Hamas, militantes de grupos jihadistas e indivíduos acusados de incitar violência ou lançar pedras contra soldados.
Deslocamento de famílias palestinas
Na madrugada de domingo, moradores de Hebron foram acordados por megafones que ordenavam a evacuação imediata. Cada família recebeu apenas duas horas para reunir pertences, documentos e buscar abrigo em outro lugar.
Higazi Shawer al‑Tamimi, comerciante de 70 anos, relatou que recebeu a ordem de deixar sua casa enquanto veículos militares circulavam pelas ruas desertas. Em vários edifícios do bairro de Ein Dir Baha, cruzes vermelhas foram pintadas para indicar que as residências estavam vazias.
A Autoridade Palestina solicitou à comunidade internacional que exerça pressão sobre Israel para garantir a proteção dos deslocados. Organizações de direitos humanos alertam que a expulsão forçada pode constituir violação do direito internacional humanitário.
- Quase 2 000 palestinos foram evacuados de Hebron;
- Operações militares abrangeram 40 áreas da Cisjordânia;
- Bloqueio de entrada e saída foi decretado para o dia 27/10;
- Autoridades israelenses alegam combate ao Hamas e a grupos jihadistas.
Implicações políticas e eleitorais
O bloqueio ocorre poucos dias antes das eleições que definirão o futuro do governo de Benjamin Netanyahu. O primeiro‑ministro tem buscado reforçar sua imagem de segurança nacional, prometendo uma operação de grande escala que, segundo ele, não seria vista desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Críticos apontam que a estratégia pode ser usada para influenciar o voto, ao criar um clima de medo e instabilidade entre a população palestina e parte da comunidade internacional. Netanyahu, por sua vez, afirma que a medida é necessária para garantir a ordem durante o processo eleitoral.
Observadores internacionais monitoram de perto a situação, temendo que a combinação de bloqueio, deslocamento forçado e operações militares possa escalar para um conflito mais amplo. A comunidade diplomática tem pedido a Israel que permita o retorno seguro dos residentes de Hebron assim que as operações de segurança forem concluídas.
Enquanto isso, as ruas de Hebron permanecem praticamente desertas, com apenas veículos militares circulando. Em uma das colinas, uma bandeira israelense tremula, simbolizando a presença contínua das forças de ocupação.








