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Alfredo Gaspar processa Tabata Amaral por suposta difamação

Na manhã de sábado, 24 de outubro, o deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice‑presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), ingressou com notícia‑crime contra a deputada Tabata Amaral no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. A ação judicial tem como foco um vídeo divulgado na sexta‑feira, no qual Tabata cita uma acusação de estupro envolvendo Gaspar.

Contexto da denúncia

O vídeo publicado por Tabata Amaral mostrava a parlamentar apontando que Gaspar “responde a acusações muito graves” enquanto, ao fundo, aparecia uma manchete que dizia que ele era “acusado de estupro em processo que está parado no STF aguardando manifestação da PGR”. Essa combinação de fala e imagem foi interpretada por Gaspar como tentativa de difamação.

Em sua resposta formal, o candidato a vice‑presidente afirmou que nunca respondeu a qualquer acusação e que a única denúncia de estupro de vulnerável já foi arquivada por falta de “suporte mínimo”, sem sequer ter sido iniciado um inquérito. Segundo o texto da notícia‑crime, o arquivamento foi decidido pela Procuradoria‑Geral da República.

Para contextualizar, o caso vem sendo usado como ferramenta de ataque político por adversários de Gaspar desde o início do ano. A divulgação do vídeo por Tabata ocorreu pouco depois de outras manifestações públicas que envolveram o deputado.

Reações no âmbito judicial

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, já havia se pronunciado duas vezes sobre episódios relacionados a Gaspar. Primeiro, rejeitou uma queixa‑crime apresentada por ele contra o deputado Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke, alegando que não havia elementos suficientes para abrir investigação.

Na sequência, Gilmar reconheceu que as declarações de Lindbergh e Soraya foram ofensivas, mas decidiu que elas estavam protegidas pela imunidade parlamentar, limitando a possibilidade de responsabilização criminal.

Além disso, na semana anterior, Gaspar apresentou outra notícia‑crime à Justiça Eleitoral de Porto Alegre contra a ex‑deputada Manuela D’Ávila (PSOL‑RS), que havia acusado o parlamentar de estupro durante uma manifestação pró‑Lula. Gaspar alegou que a acusação foi feita 11 dias depois do STF arquivar a denúncia original.

Outros processos envolvendo Gaspar

O histórico judicial de Alfredo Gaspar inclui, além das denúncias citadas, uma série de ações que giram em torno de supostas ofensas à honra e à imagem. Abaixo, segue uma linha do tempo resumida:

  • Março 2024: Arquivamento da denúncia de estupro de vulnerável pelo STF, a pedido da PGR.
  • 10 de outubro 2024: Tabata Amaral publica vídeo que menciona a acusação.
  • 24 de outubro 2024: Gaspar apresenta notícia‑crime contra Tabata no TRE‑SP.
  • 28 de outubro 2024: Gilmar Mendes rejeita queixa‑crime de Gaspar contra Lindbergh e Soraya.
  • 30 de outubro 2024: Gaspar ajuíza ação contra Manuela D’Ávila em Porto Alegre.

Esses eventos demonstram um padrão de disputas judiciais que se entrelaçam com a campanha eleitoral, gerando um clima de tensão entre diferentes alas do Congresso.

Impactos políticos e eleitorais

O episódio tem potencial para influenciar a percepção do eleitorado sobre a chapa Bolsonaro‑Gaspar, sobretudo nas regiões onde as acusações de estupro ainda são lembradas com sensibilidade. Analistas de opinião apontam que a estratégia de usar a justiça como ferramenta de defesa pode ser vista como um esforço para limpar a imagem do candidato antes das eleições de 2026.

Por outro lado, críticos argumentam que a repetição de processos judiciais pode reforçar a narrativa de que o candidato está cercado por controvérsias. A mídia tem coberto intensamente cada nova denúncia, ampliando o alcance das discussões sobre integridade moral dos candidatos.

Em termos de campanha, a chapa Bolsonaro‑Gaspar tem buscado enfatizar a defesa da família tradicional e a luta contra a criminalidade, enquanto adversários utilizam os processos judiciais para questionar a idoneidade moral de Gaspar. Essa disputa de narrativas deve se intensificar nos próximos meses, à medida que o calendário eleitoral avança.

Em resumo, a notícia‑crime contra Tabata Amaral representa mais um capítulo de um conflito que mistura política, justiça e comunicação digital. O desfecho do processo ainda depende de decisões do TRE‑SP, mas seu eco já reverbera nas redes sociais, nos corredores do Congresso e nas urnas.

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