Na tarde de sábado, 24 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro realizou seu último ato de campanha nas ruas da Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, marcando o encerramento da disputa presidencial antes do segundo turno. O encontro reuniu milhares de apoiadores, que seguiram o candidato desde a Praça do Ó até o condomínio Vivendas da Barra, onde a família Bolsonaro possui residência. O evento foi apresentado como o ápice de uma “jornada histórica” iniciada em dezembro do ano passado.
Último ato de campanha no Rio de Janeiro
A concentração começou às 14h, com apoiadores espalhados pela orla da Barra, bandeiras verdes e amarelas tremulando ao som de músicas de campanha. Flávio chegou ao local por volta das 16h, desembarcando de carro na Praça do Ó, onde foi recebido por uma multidão que já cantava slogans de apoio. Sem discurso formal, o senador caminhou ao lado de aliados políticos, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Após a chegada, a massa seguiu a pé por menos de um quilômetro até a porta do condomínio Vivendas da Barra, ponto simbólico da campanha por estar localizado próximo à residência do presidente Jair Bolsonaro. Durante o trajeto, foram exibidos painéis com imagens da família Bolsonaro e mensagens de agradecimento aos eleitores que participaram da mobilização. A presença de figuras como o senador Guilherme Derrite (PL) e o deputado Lucas Pavanato (PL) reforçou a ideia de unidade dentro do partido.
O clima do evento foi marcado por manifestações religiosas e nacionalistas. Em diversos momentos, a multidão recitou a oração do Pai Nosso, finalizando com o clamor “livrai‑nos do PT, amém”. Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel foram erguidas ao lado das cores nacionais, demonstrando apoio a pautas externas defendidas pelo governo. Uma foto que circulou nas redes mostrou uma criança vestida de farda militar, segurando um fuzil de brinquedo, sentada nos ombros do pai, simbolizando a continuidade da militância entre gerações.
Ao final do ato, a assessoria de Flávio divulgou nota elogiando a “jornada histórica” e destacando que o encerramento da campanha seria uma homenagem ao presidente Jair Bolsonaro. A mensagem ressaltou que a mobilização de 24 de outubro representou o fechamento de um ciclo iniciado em dezembro, quando o senador começou a percorrer o país em apoio ao pai.
Ações paralelas em Minas Gerais
Enquanto o Rio vivia o último ato, Minas Gerais sediou o “Bloco do 22” em Belo Horizonte, coordenado pelo deputado Nikolas Ferreira. O evento começou na Praça do Papa, no bairro Mangabeiras, por volta das 11h30, e contou com uma motociata que percorreu a Avenida Brasil até a Praça da Liberdade. Nikolas, em cima de um caminhão, animou a plateia com músicas de campanha e reiterou promessas de Flávio, como a suposta subida do ex‑presidente ao Palácio do Planalto junto ao filho na posse.
Durante a manifestação, o deputado carregou um caixão com a inscrição “PT”, chutou um boneco inflável que representava o candidato Lula e anunciou que a vitória do PL seria celebrada na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, na noite seguinte. A presença de figuras como o ex‑governador Romeu Zema (Novo) e os senadores Guilherme Derrite e Domingos Sálvio (ambos PL) reforçou a aliança entre diferentes correntes do centro‑direita.
O bloco também promoveu um momento de oração, onde milhares de apoiadores ergueram as mãos em sinal de fé e repetiram frases de ordem, como “Volta Bolsonaro”, gritos puxados por Cleitinho Azevedo. O uso de símbolos religiosos, bandeiras estrangeiras e a exibição de objetos militares reforçaram a narrativa de defesa da família e da nação, elementos recorrentes nas campanhas de Flávio e de seu pai.
- Data e horário: sábado, 24 de outubro, a partir das 11h30;
- Local: Praça do Papa, Mangabeiras, e percurso pela Avenida Brasil até a Praça da Liberdade;
- Participantes principais: Nikolas Ferreira, Romeu Zema, Guilherme Derrite, Domingos Sálvio;
- Atividades: motociata, discurso simbólico, oração coletiva e anúncio de celebração futura.
Assim como no Rio, Flávio Bolsonaro não subiu ao púlpito para discursar em Minas. Em vez disso, a estratégia adotou a presença física e a demonstração de apoio massivo, buscando criar uma imagem de força popular que se traduzisse em votos no segundo turno.
Cenário eleitoral e perspectivas para o segundo turno
O último debate presidencial ocorreu na noite de sexta‑feira, 23 de outubro, marcando a última oportunidade para os candidatos confrontarem suas propostas diante dos eleitores. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, ficando à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu 45,16%. Em Minas Gerais, a diferença foi ainda maior: 48,24% a 43,33%.
Esses números colocam o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais como os três maiores colégios eleitorais do país, regiões onde as campanhas intensificaram suas ações nas últimas 48 horas. Enquanto Flávio encerrou sua mobilização nas ruas, Lula iniciou a sua na manhã de sábado, caminhando pela praia de Copacabana e, em seguida, deslocando‑se para a Avenida Paulista, em São Paulo, onde liderou uma caminhada que começou às 16h.
De acordo com a legislação eleitoral, passeatas, carreatas e caminhadas permanecem permitidas até as 22h do sábado, permitindo que ambos os candidatos façam últimos apelos aos eleitores. Analistas políticos apontam que a presença física de Flávio nas ruas pode ter um efeito de reforço de base, mas que a ausência de discurso direto pode limitar a capacidade de persuadir eleitores indecisos.
Além dos números de votação, a campanha de Flávio tem sido marcada por um discurso que enfatiza a continuidade do legado de seu pai, a defesa da família tradicional e a oposição ao PT. Essa narrativa tem encontrado ressonância entre eleitores conservadores, mas também tem gerado críticas de opositores que acusam a campanha de apelo à violência simbólica, como o ato de chutar o boneco inflável de Lula.
Para o segundo turno, as estratégias de ambos os lados parecem convergir para a mobilização de bases regionais fortes. Enquanto o PL aposta em eventos de massa e símbolos religiosos, o PT tem investido em encontros comunitários e propostas de políticas sociais. O resultado final dependerá não apenas do número de votos, mas também da capacidade de cada campanha de transformar apoio simbólico em voto efetivo nas urnas.
Em suma, o encerramento da campanha de Flávio Bolsonaro nas ruas da Barra da Tijuca simboliza um último esforço de demonstração de força antes da decisão final dos eleitores. O próximo sábado será decisivo, e o Brasil observará atentamente como essas mobilizações se transformarão em números nas urnas.








