Uma investigação do Serviço Mundial da BBC revelou que dezenas de páginas no Facebook divulgaram anúncios políticos pagos que visavam manipular a opinião pública durante a eleição parlamentar antecipada da Sérvia. Os anúncios foram veiculados nas semanas que antecederam o pleito, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro, e foram direcionados principalmente ao movimento estudantil. A pesquisa aponta ainda que os responsáveis pela compra dos anúncios são anunciantes e apresentadores da Romênia, que utilizam a moeda local para financiar a campanha digital.
Descobertas principais da investigação
A equipe da BBC identificou 56 páginas distintas na rede social, que publicaram ao menos 90 anúncios entre meados de setembro e meados de outubro. Desses, 47 foram removidos pela Meta após denúncias de violação das políticas de transparência. Os anúncios não continham informação clara sobre quem os financiava, contrariando as exigências da própria empresa.
- 56 páginas investigadas
- 90 anúncios publicados
- 47 anúncios removidos
- Gastos superiores a 29.437 lei romenos (cerca de R$ 30 mil)
Como funciona a propaganda paga no Facebook
Todo anúncio pago na plataforma está vinculado a uma página oficial, que pode ser de partido, de candidato ou de terceiro. Quando o conteúdo é político, a Meta exige que o anunciante classifique a campanha como relacionada a questões sociais, eleitorais ou políticas e indique quem financia a mensagem. No caso analisado, os responsáveis deixaram de fazer essa classificação, ocultando a origem dos recursos.
Além disso, a legislação sérvia proíbe a entrada de recursos estrangeiros em propaganda política. Contudo, a BBC constatou que todos os anúncios analisados foram pagos em lei romena, o que caracteriza claramente uma violação da lei nacional.
Impactos na integridade eleitoral da Sérvia e do Brasil
Na Sérvia, a divulgação de informações não verificadas e acusações sem fundamento contra opositores pode influenciar decisivamente o voto dos eleitores, sobretudo dos jovens estudantes, que são mais suscetíveis a conteúdos virais. A falta de transparência dificulta a identificação de quem realmente está por trás da mensagem, impedindo que o eleitor avalie a credibilidade da fonte.
No Brasil, a atuação da Meta tem sido igualmente questionada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigiu esclarecimentos sobre o uso de inteligência artificial, a distribuição de conteúdo político e a remoção de publicações durante a campanha presidencial. O Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta também apontou falhas recorrentes de transparência, que podem favorecer tanto a supressão quanto a amplificação de discursos políticos.
Um levantamento da organização CTRL+Z, citado pela BBC News Brasil, identificou mais de mil casos de remoção ou restrição de conteúdo no Instagram relacionado às eleições brasileiras. A maioria das denúncias envolve perfis que apoiam o ex‑presidente Lula, embora também existam relatos de restrições a conteúdos contrários ao presidente.
Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro tem contestado judicialmente a atuação de um canal do WhatsApp, “Exército do Lula”, que também pertence à Meta e é administrado pelo deputado André Janones.
Esses episódios ressaltam a necessidade de um monitoramento mais rigoroso das plataformas digitais, sobretudo em períodos eleitorais, para garantir que a desinformação não comprometa a soberania dos processos democráticos.








