O debate entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva foi marcado para a noite de 23 de outubro, às 21h20, na TV Globo, no Rio de Janeiro. Os bastidores da transmissão contarão com assessores, marqueteiros e potenciais ministros, mas não terão a presença do ex‑coach Pablo Marçal nem do deputado André Janones.
Contexto da disputa e os convidados
Com a votação do segundo turno a apenas dois dias, as campanhas intensificam suas estratégias de comunicação. A Globo, responsável pela cobertura ao vivo, preparou um painel de convidados que inclui especialistas em economia, segurança e direitos humanos, além de figuras que podem assumir cargos no futuro governo.
Os organizadores do debate também convidaram personalidades do mundo acadêmico e de ONGs, buscando ampliar o leque de argumentos apresentados pelos candidatos. Essa escolha visa evitar a concentração de vozes polarizadoras que poderiam desviar o foco das propostas de governo.
Apesar da relevância de Marçal e Janones nas redes sociais, eles foram excluídos da lista oficial. A decisão foi tomada após avaliações internas das equipes de campanha, que consideraram o risco de gerar mais controvérsias no momento crítico da eleição.
A influência de Pablo Marçal na campanha de Flávio
Pablo Marçal, conhecido por seu passado como coach e por apoiar publicamente Flávio Bolsonaro, ganhou destaque nas redes ao defender o senador em entrevistas e lives. Seu discurso costuma enfatizar a necessidade de “renovar” a política brasileira, alinhando‑se ao discurso anti‑establishment da família Bolsonaro.
Entretanto, após o debate da Band, realizado no último domingo, membros da equipe de Flávio começaram a recomendar um afastamento gradual de Marçal. A preocupação principal era que a figura controversa do ex‑coach poderia aumentar a rejeição ao candidato, especialmente entre eleitores indecisos.
Um episódio que agravou a situação foi a declaração de Marçal sobre os votos provenientes dos apoiadores de Renan Santos, do movimento Missão. Ele afirmou que os votos poderiam “ser anulados ou colocados onde quiser”, gerando críticas de opositores e dúvidas dentro da própria campanha.
Internamente, a estratégia de comunicação passou a focar mais em mensagens de governabilidade e menos em figuras que poderiam ser vistas como radicais. O objetivo foi reduzir ruídos e evitar que a narrativa se concentrasse em polêmicas pessoais.
Além disso, a campanha de Flávio tem investido em anúncios televisivos e em conteúdo digital que destaque propostas concretas nas áreas de segurança pública e economia. Essa mudança de tom busca atrair eleitores que ainda não definiram seu voto no segundo turno.
O papel de André Janones e o Exército do Lula
André Janones, deputado federal de Minas Gerais, tem sido um dos principais articuladores digitais do apoio a Lula. Seu canal no WhatsApp, batizado de “Exército do Lula”, tem distribuído mensagens de incentivo, análises de pesquisas e chamadas para mobilização nas urnas.
Nas últimas semanas, o “Exército do Lula” ganhou força, especialmente entre eleitores jovens que consomem informação por meio de aplicativos de mensagens. Janones utiliza a plataforma para criar um senso de comunidade e urgência, reforçando a importância do voto contra o bolsonarismo.
No entanto, Janones enfrentou um revés de saúde ao ser internado em São Paulo com arritmia cardíaca logo após o debate da Band. O episódio gerou preocupação entre seus seguidores, que lançaram mensagens de apoio nas redes sociais.
Apesar da internação, Janones manteve presença ativa nas redes, delegando a equipe de comunicação a continuidade das transmissões. Essa estratégia evitou que a ausência física prejudicasse a mobilização de seu público.
A campanha de Lula também tentou explorar a situação de Janones para pressionar a equipe de Flávio. Em um movimento tático, a campanha de Flávio convidou a ex‑companheira de Janones, Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba, para estar nos estúdios da Globo, embora seu nome ainda não conste na lista oficial.
Leandra Guedes recebeu medida protetiva da Justiça em 2025 após acusações de que Janones teria ameaçado a ex‑companheira com suposto vazamento de fotos íntimas. A presença de Guedes nos bastidores poderia gerar um desgaste adicional para Janones, caso ele fosse incluído.
Entretanto, a decisão de não incluir Janones nos convidados do debate parece refletir uma estratégia de minimizar potenciais conflitos e focar nas propostas de governo. A ausência de ambos os personagens controversos sinaliza uma tentativa das campanhas de manter o debate em um nível mais institucional.
O debate, que terá quatro blocos de enfrentamento, deve abordar temas como economia, saúde, segurança e políticas sociais. Cada bloco contará com perguntas de jornalistas e análises de especialistas, proporcionando ao eleitor uma visão mais completa das propostas.
Especialistas em comunicação política afirmam que a exclusão de Marçal e Janones pode reduzir a polarização e permitir que os candidatos se concentrem em argumentos de governabilidade. Essa abordagem pode ser decisiva para eleitores que buscam clareza nas propostas ao invés de confrontos pessoais.
Ao mesmo tempo, a estratégia de não convidar figuras de grande repercussão nas redes sociais pode gerar críticas de apoiadores que consideram esses influenciadores essenciais para a narrativa da campanha. O risco, porém, é que a falta de presença desses nomes reduza a visibilidade de mensagens mais radicais.
Com a votação se aproximando, a atenção dos eleitores volta-se para a capacidade dos candidatos de apresentar soluções viáveis para os desafios econômicos e sociais do país. O debate na Globo será, portanto, um dos momentos mais aguardados para avaliar quem tem a proposta mais sólida.
Os analistas de mídia acompanharão de perto a repercussão nas redes sociais após a transmissão, medindo o impacto das falas dos candidatos e a reação do público. Esse monitoramento ajudará a definir os rumos das campanhas nas últimas horas antes da votação.
Em síntese, a ausência de Pablo Marçal e André Janones nos bastidores do debate reflete uma escolha estratégica das equipes de campanha, que buscam equilibrar presença midiática e controle de narrativas. O resultado final dependerá da capacidade de Flávio e Lula de convencer o eleitorado com propostas concretas e argumentos consistentes.








