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Idosos de 70+ aumentam presença nas urnas nas Eleições 2026 e apontam razões para votar

No segundo turno das Eleições 2026, realizado no domingo (25), mais de oito milhões de eleitores com 70 anos ou mais compareceram às urnas em todo o Brasil. O aumento de quase dois milhões de eleitores nessa faixa etária, em relação a 2022, demonstra um novo engajamento da população sênior nas decisões políticas do país. Esse cenário reflete tanto a mudança de comportamento quanto a importância atribuída ao voto por parte dos idosos.

Motivações que levam os idosos às urnas

Entrevistas realizadas pelo g1 revelam que a defesa da democracia ocupa o primeiro lugar entre os motivos citados. Muitos afirmam que votar é um ato de resistência e de preservação dos direitos conquistados ao longo da história. Além disso, a preocupação com o futuro dos filhos e netos impulsiona a participação, sobretudo quando se trata de áreas como saúde e educação.

Outros fatores recorrentes incluem:

  • Contribuir para políticas públicas que beneficiem a terceira idade.
  • Expressar opinião sobre candidatos que possam melhorar a qualidade de vida.
  • Sentimento de orgulho ao exercer a cidadania, mesmo após os 70 anos.

Essas razões mostram que, embora o voto seja facultativo para maiores de 70, a maioria dos eleitores sênior vê nele um instrumento de influência real.

Desafios e barreiras enfrentados

Apesar do aumento de participação, ainda existem obstáculos que podem desencorajar alguns idosos. A distância até os locais de votação, a falta de informação sobre a regularização do título e o desânimo com a política são apontados como principais dificuldades.

Cléa Klouri, coordenadora de mobilização desse eleitorado, descreve como identificou essas barreiras e criou um ambiente digital para facilitar a regularização do título e informar sobre os locais de votação. Ela ressalta ainda que a influência familiar, especialmente entre as mulheres, pode ser decisiva para a decisão de comparecer ou não às urnas.

Para combater esses entraves, Klouri lançou o movimento “Vovó Vota”, que incentiva netos e outros familiares a acompanharem as avós no dia da votação, reforçando a ideia de que o voto pode ser uma atividade intergeracional.

Depoimentos que ilustram o compromisso cívico

Nídia, com mais de 70 anos, destaca que votar significa ajudar na construção de um futuro melhor para seus netos e bisnetos. Para ela, o ato de votar é sinônimo de contribuição ao país, às políticas públicas e à justiça social.

Cláudia de Pinho, 75 anos, recorda sua primeira votação em 1989, a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar. Desde então, só faltou a um turno, demonstrando um comprometimento de quase quatro décadas com a democracia.

Goretti Fernandes, 72 anos, avó de oito jovens, reforça que o voto continua sendo uma forma de contribuir para o futuro do país, mesmo quando deixa de ser obrigatório. Ela acredita que a presença nas urnas fortalece a representatividade da terceira idade.

Madalena Rodrigues, 74 anos, estudante novamente, afirma que gostaria de ter um dos netos ao seu lado no dia da votação, apesar das diferenças de opinião política dentro da família. Para ela, a idade não diminui a importância de participar das decisões políticas.

Ramires Barreto, 83 anos, analisa a trajetória dos candidatos antes de decidir seu voto, enfatizando que a participação eleitoral ajuda a preservar a democracia e as liberdades no país.

Esses relatos individuais reforçam a ideia de que o voto dos idosos vai além da obrigação legal; trata‑se de um ato simbólico e prático de cidadania.

Impacto esperado no segundo turno

Com cerca de 17,2 milhões de eleitores com 70 anos ou mais aptos a votar no segundo turno, a presença desse público pode influenciar significativamente o resultado entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A taxa de abstenção nessa faixa etária caiu de 58,86% em 2022 para 49,19% em 2026, indicando um engajamento crescente.

Especialistas apontam que, se mantido o ritmo de participação, os idosos poderão ser decisores em estados onde a disputa está mais equilibrada. Além disso, a mobilização de familiares e a criação de ambientes digitais facilitam a regularização de títulos, reduzindo a taxa de eleitores impedidos de votar.

Em resumo, o aumento da participação dos eleitores seniores nas Eleições 2026 demonstra que a cidadania não tem idade limite. A combinação de motivação pessoal, apoio familiar e iniciativas de mobilização cria um cenário onde a voz dos mais velhos pode ser decisiva para o futuro político do Brasil.

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