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Temas críticos deixados de lado nas campanhas presidenciais de 2026

Na noite de 23 de setembro de 2026, o debate presidencial transmitido pela TV Globo trouxe à tona as propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o futuro do Brasil. Apesar da expectativa, diversos assuntos essenciais ficaram praticamente ausentes das discussões. Entre eles, a saúde pública, a educação em matemática, a crise climática e a situação das pessoas em situação de rua.

Saúde pública e o SUS: um pilar esquecido

O Sistema Único de Saúde (SUS) garante acesso gratuito a hospitais, vacinas, medicamentos, bancos de sangue, leite e até ao monitoramento da qualidade da água. Mesmo com essa abrangência, o debate de 2026 não dedicou tempo ao financiamento nem à modernização do sistema.

Segundo o Portal da Transparência, o governo federal destina, no mínimo, 15% da receita líquida anual à saúde, o que deve representar R$ 254,93 bilhões em 2026. Esse recurso é complementado por investimentos dos estados, Distrito Federal e municípios, que também têm percentuais mínimos definidos por lei.

Especialistas apontam que o envelhecimento da população exigirá recursos ainda maiores. O professor Rudi Rocha, da FGV EAESP, destaca a necessidade de ampliar a integração entre os níveis de atenção e de revisar a Tabela do SUS, cuja atualização anual foi prevista em lei sancionada em janeiro de 2024.

  • Até 2021, o Brasil gastava 9,7% do PIB com saúde.
  • Projeções indicam que, até 2060, esse percentual deverá chegar a 12,5%.
  • Os gastos futuros incluirão mais cirurgias, medicamentos de uso contínuo, tratamentos oncológicos e internações prolongadas.

Sem um debate público sobre como arcar com esses custos, o risco é que o SUS enfrente déficits que comprometam a qualidade do atendimento a toda a população.

Desafios da educação matemática na rede pública

Durante duas décadas, o desempenho dos estudantes da rede pública melhorou nos primeiros anos escolares, mas recuou de forma constante no ensino médio, sobretudo em matemática. Esse retrocesso não recebeu atenção nas propostas dos candidatos.

Estudos do INEP revelam que apenas 30% dos alunos concluem o ensino médio com domínio básico da disciplina, o que impacta diretamente a inserção no mercado de trabalho e a competitividade internacional do país.

Entre as causas apontadas pelos especialistas, estão a falta de formação continuada para professores, a carência de recursos didáticos adequados e a ausência de políticas de incentivo ao raciocínio lógico desde a educação infantil.

  • Investimento médio por aluno em matemática está 40% abaixo da média da OCDE.
  • Mais de 60% das escolas públicas não possuem laboratórios de matemática ou recursos tecnológicos.
  • Programas de reforço escolar são insuficientes para cobrir a demanda.

Sem uma agenda clara para reverter esse quadro, o país corre o risco de ampliar a desigualdade social e reduzir sua capacidade de inovação.

Crise climática: urgência ignorada nas propostas

O Brasil, com sua vasta biodiversidade e recursos hídricos, está na linha de frente das mudanças climáticas. Eventos extremos, como secas prolongadas no Nordeste e enchentes no Sudeste, têm se intensificado nos últimos anos.

No debate de 2026, nenhum candidato detalhou estratégias concretas para mitigar emissões, adaptar cidades ou proteger biomas ameaçados. Essa omissão contrasta com a crescente pressão da sociedade civil e de investidores internacionais.

Relatórios do IPCC apontam que o Brasil precisa reduzir em 45% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C.

  • Desmatamento na Amazônia caiu 12% em 2025, mas ainda representa mais de 5 mil km² perdidos ao ano.
  • Energia renovável já responde por 45% da matriz elétrica, porém a expansão de solar e eólica ainda é lenta.
  • Investimentos em infraestrutura resiliente são inferiores a US$ 2 bilhões anuais, muito abaixo das necessidades estimadas.

A falta de discussão pública sobre esses números pode comprometer metas internacionais e gerar custos econômicos ainda maiores no futuro.

Pessoas em situação de rua: políticas marginalizadas

Segundo o último levantamento do Ministério da Cidadania, mais de 220 mil brasileiros vivem em situação de rua. Essa realidade, porém, recebeu pouca atenção no debate presidencial.

Especialistas apontam que a ausência de políticas integradas – que incluam moradia, saúde mental, capacitação profissional e acesso a serviços sociais – perpetua o ciclo de vulnerabilidade.

Algumas cidades adotaram modelos de habitação com suporte (HPS), que combinam moradia temporária com acompanhamento psicossocial. Ainda assim, a escala desses projetos é limitada.

  • Somente 5% das pessoas em situação de rua têm acesso a programas de reinserção laboral.
  • Mais de 30% apresentam problemas de saúde mental não tratados.
  • O déficit habitacional nacional supera 6 milhões de unidades, agravando a crise.

Sem que os candidatos apresentem propostas concretas, a população em situação de rua continuará à margem das políticas públicas, aumentando a desigualdade e os custos sociais a longo prazo.

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